brasil さんのプロフィールMinistério Internacional...フォトブログリスト ツール ヘルプ

ブログ


6月26日

Jonathan Edwards

Jonathan Edwards (5 de outubro de 1703 - 22 de março de 1758) foi um ministro congregacional, teólogo calvinista e é considerado um dos maiores filósofos norte-americanos.

 

Infância e Juventude

Jonathan Edwards, nasceu em East Windsor, Connecticut, EUA, sendo seu pai um ministro do evangelho que militou na Igreja Congregacional. Criado em um lar evangélico, isto o estimulou sobremaneira desde o início de sua vida a um grande fervor espiritual, tendo já desde a meninice grande preocupação com a obra de Deus e com a salvação de almas.

Ele começou a estudar o latim aos seis anos de idade e aos 13 já era fluente também em grego e hebraico. Com 10 anos, escreveu um ensaio sobre a imortalidade da alma e aos 12, escreveu um excelente texto sobre aranhas voadoras. Em 1720 obteve o bacharelado no Colégio de Yale,de fundação dos Congregacionais em New Haven, iniciando em seguida os seus estudos teológicos nesta mesma instituição, obtendo o mestrado em 1722. Em seguida, assumiu uma cadeira de professor assistente em Yale, cargo que ocupou por dois anos.

Ministério

Após ser professor em Yale, sentiu o chamado para o ministério e pastoreou uma Igreja Presbiteriana em Nova York em 1722 (por um período de oito meses), em 1726, então aos 23 anos, assumiu o posto de segundo pastor na Igreja Congregacional de Northampton, Massachussetts; igreja esta que era pastoreada por seu avô Solomon Stoddard (1643-1729), e a segunda maior da região, com mais de seiscentos membros, o que era praticamente toda a população adulta daquela localidade.

Em julho de 1727 casou-se com Sarah Pierrepont, filha de James Pierrepont, pastor da Igreja de New Haven, e bisneta do primeiro prefeito de Nova York, com quem teve 11 filhos, sendo que um deles foi pai do vice-presidente Aaron Burr.

Em 1729 com a morte do seu avô, Jonathan se tornou o pastor titular da Igreja Congregacional de Northampton, na qual cinco anos depois ocorreria um grande avivamento, entre 1734-35, chamado de O Grande Despertamento, que se iniciou entre os presbiterianos e luteranos na Pensilvânia e em Nova Jersey, e que teve seu apogeu por volta do ano de 1740, através do trabalho de George Whitefield. Foi nessa cidade que pregou seu sermão mais famoso: Pecadores nas Mãos de um Deus Irado.

Jonathan Edwards
Jonathan Edwards

Em 1750, depois de pastorear a Igreja Congregacional de Northampton por 23 anos, Jonathan Edwards foi despedido pela Igreja por ser contrário à prática de se servir a Ceia do Senhor a pessoas não convertidas, pratica instituída por seu avô, e que era do gosto da Igreja. Em seu sermão de despedida disse:

Portanto, quero exortá-los sinceramente, para o seu próprio bem futuro, que tomem cuidado daqui em diante com o espírito contencioso. Se querem ver dias felizes, busquem a paz e empenhem-se por alcançá-la (I Pedro 3:10-11). Que a recente contenda sobre os termos da comunhão cristã, tendo sido a maior, seja também a última. Agora que lhes prego meu sermão de despedida, eu gostaria de dizer-lhes como o apóstolo Paulo disse aos coríntios em II Coríntios 13.11: "Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco." 1

Final da vida

Em 1751, ele foi para Stockbridge, na colônia de Massachussetts, onde foi pastor dos colonos e missionário entre os índios. Ali ele escreveu A Liberdade da Vontade, sua principal obra filosófica. Em 1757, foi convidado a ser o presidente do Colégio de Nova Jersey, que viria posteriormente a ser a hoje conhecida Universidade de Princeton.

Em 22 de março de 1758, um mês após ter tomado posse como presidente do Colégio, Jonathan Edwards morreu devido a complicações resultantes de uma vacina contra varíola.

4月4日

Richard Wurmbrand

VIDA E TESTEMUNHO DO PR. RICHARD WURMBRAND E SABINA WURMBRAND

1937-1938
Numa das muitas aldeias montanhosas da Roménia vive um carpinteiro idoso e religioso chamado Christian Wolfkes, o qual tem um amor fervoroso pelos judeus. Ele deseja ganhar um judeu para Cristo, mas não há nenhum na sua aldeia e ele está demasiado doente para viajar à procura de um, com quem possa compartilhar o Evangelho. Um jovem judeu e a sua esposa chegam à aldeia de Christian Wolfkes. Durante horas, o velho carpinteiro ora por esses estrangeiros judeus e procura, de todas as maneiras possíveis, levá-los ao Salvador. O maduro carpinteiro dá-lhes um Novo Testamento. Os estrangeiros judeus, Richard e Sabina Wurmbrand, finalmente dedicam as suas vidas a Jesus Cristo.

1941
A Roménia apoia a Alemanha na guerra contra a União Soviética e integra as forças alemãs. Richard Wurmbrand, agora Pastor, vê uma nova oportunidade entre os soldados e inicia actividades evangelísticas. Durante o terror do Nazismo, Richard e Sabina são repetidamente espancados e presos. A familia da senhora Wurmbrand perece na exterminação em massa, nos campos de concentração de judeus.

1944
Os comunistas obtêm o poder na Roménia e um milhão de tropas russas são convidadas a invadir todo o país. O Pastor Wurmbrand inicia um duplo ministério: com os seus compatriotas oprimidos e com os russos. Ele aborda comboios e usa as longas viagens para pregar o Evangelho; disfarçado, entra nos campos do exército russo e expõe a Palavra de Deus.

1945
Richard e Sabina Wurmbrand assistem ao “Congresso dos Cultos” promovido pelo governo comunista romeno. Como vários líderes religiosos juram lealdade ao novo regime, Sabina diz ao seu marido para “limpar a vergonha da face de Jesus”. Richard, sabendo do resultado de tal acto, foi à frente. Os delegados acreditam que ele irá louvar a nova liderança, mas, para sua surpresa, Richard diz aos 4.000 delegados que o seu dever como cristão é apenas glorificar a Deus e a Cristo.

1947
Richard organiza grupos de cristãos para contrabandear Evangelhos russos para a Rússia. Em 30 de Dezembro, a República da Roménia é proclamada.

1948
Num Domingo de manhã, a 29 de Fevereiro, o Pastor Wurmbrand sai da Igreja. Um pequeno grupo de polícias secreto raptam Richard e fecham-no numa cela solitária, nomeando-o “Prisioneiro número Um”.

1950
Sabendo do trabalho de Sabina na Igreja secreta, os comunistas prendem-na e colocam-na a trabalhos forçados no Canal do Danúbio. O seu filho de 9 anos, Mihai, é deixado abandonado nas ruas.

1953
Sabina Wurmbrand é libertada e continua o seu trabalho na Igreja secreta. Contam-lhe que o marido tinha morrido na prisão. Recusando-se a acreditar no relatório, Sabina mantém a sua esperança de um dia ver Richard novamente.

1956
Richard Wurmbrand é libertado após servir 8 anos e meio na prisão. Ele sofreu torturas horríveis e foi avisado para nunca voltar a pregar. Apesar do tratamento dos seus raptores, Richard trata-os apenas com amabilidade. Depois da sua libertação, Richard recomeça o seu trabalho na Igreja secreta.

1959
Richard volta às autoridades por um dos seus próprios associados da Igreja secreta. É novamente preso e condenado a 25 anos.

1964
O Pastor Wurmbrand é libertado da prisão e recomeça o seu trabalho. Chegam a Bucareste os Reverendos W. Stuart Harris e John Moseley, da Missão para os Milhões da Europa. Dirigem-se cuidadosamente ao sótão onde moram os Wurmbrands, onde o Pastor conta novamente algumas das suas experiências na prisão. No dia seguinte, encontram-se num parque em Bucareste e têm a sua conversa final. Trata-se do primeiro contacto dos Wurmbrands com missionários de fora desde as suas prisões.

1965
A familia Wurmbrand é resgatada da Roménia por $10.000 e Richard é novamente avisado pela polícia secreta para manter silêncio. Os Wurmbrands viajam para a Escandinávia e Inglaterra antes de chegarem aos Estados Unidos. Em Maio, o Pastor testemunha em Washington D.C., antes do Sub-comité de Segurança Interna do Senado, desnudar a sua cintura e revelar dezoito feridas profundas no seu corpo. Esta história espalha-se rapidamente pelo país e pelo mundo, e centenas de convites para testemunhar chegam a sua casa.

1966
Richard e Sabina iniciam a sua viagem de pregação internacional, revelando as atrocidades cometidas contra os seus irmãos e irmãs nos países comunistas. O Pastor Wurmbrand sabe que a polícia secreta romena está a planear a sua morte. Todavia, o pastor não podia ser silenciado. Ele continua a sua viagem de pregação e começa a ser conhecido como “a Voz da Igreja Secreta” e como “a cortina de ferro de São Paulo”.

1967
Com o desejo de servir a sua Família perseguida de uma forma melhor, os Wurmbrands iniciam oficialmente um ministério de compromisso com esse serviço. Em Abril, é formada a “Jesus para o Mundo Comunista”, mais tarde chamada por “A Voz dos Mártires”. O livro “Torturado para Cristo”, que conta a experiência do Pastor Wurmbrand na prisão, é lançado. Em Outubro, é lançado o primeiro número do jornal mensal de “A Voz dos Mártires”.
Anos 70 até meio dos anos 80
Apesar da Guerra Fria dos anos 80, A Voz dos Mártires permanece verdadeira ao seu chamado para servir a Igreja perseguida. O trabalho desenvolve-se em cinco objectivos principais e liga mais de 80 nações.

1989
Uma tentativa falhada da democracia mostra a brutalidade dos comunistas chineses quando massacram estimadamente mil protestantes em Tiananmen Square, Beijing. Iniciam-se manifestações na Europa de Leste e em 9 de Novembro cai o Muro de Berlin. Um Pastor romeno prega em Timisoara. Logo depois, milhares de romenos começam a protestar contra o regime opressivo de Elena e Nicolae Ceausescu. Muitos soldados, convencidos pelas pessoas, tornaram-se polícia secreta. Em 25 de Dezembro, dia de Natal, a paz vem para a nação oprimida da Roménia.

1990
Em apenas alguns dias na nova Roménia de fronteiras abertas, colaboradores da Voz dos Mártires trazem camiões com auxílio à Roménia e a outros países libertados. Richard e Sabina voltam à Roménia, depois de 25 anos de exílio. Richard é bastante bem recebido por muitas Igrejas e até prega na televisão pública. Ele lamenta a execução dos tiranos romenos e prega uma mensagem de amor e perdão. Uma gráfica cristã e uma livraria são abertas em Bucareste. O governo local oferece um armazém para os livros cristãos, precisamente no mesmo local onde Richard foi preso em prisão solitária. Uma segunda gráfica é aberta escondida numa aldeia rural da China.

1991
Um escritório da Voz dos Mártires é aberto oficialmente em Cherkassy, na Ucrânia, onde o seu jornal se torna um dos mais largamente distribuídos dentro das publicações cristãs distribuídas no país. São enviadas dez toneladas de literatura e ajuda para a Sibéria. Em 25 de Dezembro, Mikhail Gorbachev demite-se como Presidente da União Soviética. No dia seguinte, esta cai oficialmente, trazendo fim ao partido do governo comunista pela primeira vez desde 1917. O trabalho de A Voz dos Mártires cresce na Arábia Saudita, Cuba, Tibete e Vietnam.

1992
O governo comunista da Albânia cai, acabando “o primeiro estado ateu”. Em 15 de Setembro, a Voz dos Mártires abre uma livraria cristã em Moscovo e distribui mais de um milhão de Novos Testamentos ilustrados para crianças na Albânia, Roménia, Moldávia, Rússia, Ucrânia e Bulgária. Milhares de Bíblias usadas e livros cristãos, providenciados por cristãos nos Estados Unidos, são enviados para a Nigéria para centenas de Igrejas destruídas pelos islâmicos.

1994
Richard Wurmbrand lidera um tempo emocional de oração no Palácio Enver Hoxha na Albânia. Uma loja de café e uma livraria cristãs, chamadas “O centro de Stephen” são oficialmente dedicadas ao Senhor na capital de Tirana. São libertados da prisão dois pastores vienamistas, após uma campanha mundial de oração e publicidade. Surgem novas oportunidades para assistir às famílias das vítimas dos “Terroristas do Caminho Brilhante”, nas áreas montanhosas do Perú. Terroristas prisioneiros são evangelizados e muitos vêm a Cristo. Cerca de 80.000 balões das Escrituras circularam através das fronteiras da Coréia do Norte.

1994–1995
Richard e Sabina regressam à Roménia para oficializarema abertura da Casa de Crianças Agape, um lugar para orfãos romenos e crianças de rua, para receberem amor, cuidados e o Evangelho. A distribuição da Bíblia na China cresce após a Secretaria de Segurança Pública continuar a desencorajar o não registo de edifícios de igrejas e confisco de toda a Escritura. São enviados cerca de 100.000 casacos, aproximadamente, para a sede da Voz dos Mártires, através da campanha “Casacos para a Rússia”, efectuada pelas famílias cristãs em toda a nação. Pela primeira vez, aldeões tribais no Vietnam recebem Bíblias na sua própria língua. Os cristãos paquistaneses começam a receber ajuda da Voz dos Mártires.

1996
A Voz dos Mártires desenvolve novas estratégias de alcance às “fortalezas” do Laos comunista e Sudão islâmico. São estabelecidos os fundos “Bíblias para Nações Cativas” e inicia-se novo aumento de entregas de Bíblias em países fechados. Os colaboradores da Voz dos Mártires começam a difundir programas sobre o Evangelho no Médio Oriente.

1997
A Voz dos Mártires inicia o Projecto da Missão Sudão, levantando fundos para prover “Pacotes Vida” (mosquiteiro, Bíblia, enxada, pratos, copos, panelas e outros bens diariamente necessários).

2000-2001
Sabina Wurmbrand, co-fundadora de A Voz dos Mártires, vai para o Senhor em 11 de Agosto de 2000, 6ª feira. O Pastor Richard Wurmbrand, fundador, vai para o Senhor em 17 de Fevereiro de 2001, sábado.


2002-Presente

Existem desafios consideráveis para o século 21. Os países libertados recentemente da opressão comunista permanecem devastados, com décadas de terror. A China, bem como a Coreia do Norte, Vietnam, Laos, e Cuba, são apanhados na boca do dragão comunista. Existem fortalezas islâmicas, tais como Bangladesh, Sudão, Arábia Saudita, Paquistão, Irão e Nigéria.


11月20日

George Whitefield

George Whitefield: Pára-Raios do Grande Despertamento

Adaptado de uma biografia por Dr. Rimas J. Orentas

George Whitefield viveu de 1714 a 1770. Na sua vida adulta, era tão conhecido quanto qualquer outra figura pública nos países de língua inglesa. Com apenas 22 anos, era um dos mais destacados proponentes do movimento religioso que sacudiu aqueles países, que seria conhecido como o Grande Despertamento. Talvez se possa dizer que só a Reforma Protestante e a Era Apostólica tenham ultrapassado o fervor espiritual que Deus derramou neste período.

George Whitefield pregou na Inglaterra, na Escócia, no País de Gales, em Gibraltar, em Bermudas, e nas colônias norte-americanas. Sua vida serviu de inspiração e tocha para vários outros pregadores contemporâneos e posteriores. Eram homens de fervor que procuravam entregar suas vidas 100% a Cristo Jesus.

A seguir, alguns fatos a respeito da sua juventude, conversão e preparação para o ministério.

George era o sétimo e último filho de Thomas e Elizabeth Whitefield. O pai era proprietário da Bell Inn, um hotel em Gloucester, na Inglaterra. Era o maior e mais fino estabelecimento da cidade e tinha dois auditórios, um dos quais era usado para exibição de peças teatrais.

Quando tinha apenas dois anos de idade, o pai de George faleceu. Depois de alguns anos, sua mãe casou-se novamente, porém foi uma união malograda que terminou em divórcio e fracasso financeiro.

Desde pequeno, George se destacou como talentoso orador e ator nas peças teatrais da escola. Sua mãe, vendo seu potencial, fez questão que ele estudasse, embora outros de seus irmãos tivessem que trabalhar para sustentar a família.

Da mãe, George herdou a forte ambição de ser "alguém no mundo". De alguma forma, ela sempre esperava mais dele do que de seus outros filhos. Outra influência forte na juventude era sua paixão pelo teatro. Como garoto, lia incessantemente peças teatrais e faltava da escola para ensaiar suas apresentações. Esta necessidade e dom de se expressar dramaticamente continuariam durante todo o resto da sua vida.

Aos quinze anos de idade, George foi obrigado a deixar seus estudos para trabalhar pelo sustento da família. Durante o dia trabalhava e à noite lia a Bíblia. Seu sonho era de estudar em Oxford. Porém, não havia condições financeiras para isto. Finalmente, sua mãe descobriu uma saída. Ele poderia ir como "servidor", que era uma espécie de empregado para três ou quatro estudantes de classe alta. Assim, aos 17 anos, com muita expectativa, ingressou na Universidade.

 

A Busca Intensa Por Deus

Suas responsabilidades como servidor incluíam lavar as roupas, engraxar os sapatos e fazer as tarefas dos estudantes a quem servia. Os servidores viviam com o dinheiro e as roupas usadas que aqueles quisessem lhes dar. Tinham de usar uma túnica especial e era proibido que os estudantes de nível mais elevado lhes dirigissem a palavra. A maioria acabava abandonando os estudos para não terem que sofrer tamanha humilhação.

George era extremamente intenso e dedicado e, achando que tinha de ganhar a aprovação de Deus, visitava prisioneiros e pobres, além de todas suas outras obrigações. Seus colegas, por um tempo, tentaram atraí-lo à vida social e às festas, mas logo viram que não adiantaria e deixaram-no em paz Alguns começaram a chamá-lo de "metodista", que era o nome pejorativo que davam aos membros do Clube Santo, embora ele ainda não tivesse tido nenhum contato com aquele grupo. Como servidor, não lhe era permitido tomar a iniciativa de procurá-los.

O Clube Santo era um pequeno grupo de estudantes dirigido por um professor em Oxford, chamado John Wesley. Aos outros estudantes, a vida disciplinada exigida pelo Clube parecia tolice e o nome "metodista" dava a idéia de uma vida regida por métodos mecânicos, desprovidos de racionalidade, como se as pessoas fossem meros robôs.

Foi Charles Wesley que ouviu falar desse aluno dedicado e piedoso e, rompendo as barreiras sociais, procurou Whitefield e o convidou para um café da manhã. Com isso, iniciou-se uma amizade que duraria para o resto das suas vidas.

Os membros do Clube Santo levantavam-se cedo, tinham prolongados tempos de devoções a sós com Deus, praticavam autodisciplina e tentavam garantir que nenhum momento do dia fosse desperdiçado. À noite, guardavam um diário para fazer uma avaliação da sua vida e arrancar qualquer pecado que estivesse brotando ou se manifestando. Celebravam a Eucaristia aos domingos, jejuavam toda quarta e sexta-feira e usavam o sábado como dia de preparação para a festa do Senhor no domingo.

O Clube Santo também era profundamente comprometido com a Igreja Anglicana e conhecia sua história e suas normas melhor que ninguém. Visitavam prisões e bairros pobres, e contribuíam a um fundo de auxílio para os presidiários e especialmente para os seus filhos. Os membros também se esforçavam muito no pastoreamento de estudantes mais jovens, ensinando-os a evitar más companhias e encorajando-os a serem sóbrios e estudiosos, até mesmo auxiliando-os quando tinham dificuldades nos estudos.

Tudo isto era ótimo, mas havia um problema fundamental: era uma salvação baseada em obras. Por mais que fizessem, experimentavam pouquíssima alegria, pois a natureza da sua salvação ainda era um mistério insondável e Deus estava distante. Nenhum dos líderes havia ainda experimentado a verdadeira graça de Deus no evangelho de Jesus Cristo.

O Desespero Fica Maior

Whitefield ficou mais e mais consciente do seu anseio interior por conhecer Deus de forma íntima e verdadeira, mas não sabia aonde recorrer. Ele lia com voracidade e finalmente achou um livro antigo, escrito por um escocês desconhecido, o Rev. Henry Scougal, intitulado A Vida de Deus na Alma do Homem. Neste livro, ele descobriu que todas suas boas ações, que pensava estarem conquistando-lhe o favor de Deus, não tinham valor algum. O que precisava realmente era Cristo ser formado "dentro" dele, ou seja, nascer de novo.

Scougal ensinou que a essência do cristianismo não é a execução de obrigações exteriores, nem uma emoção ou sentimento que se pode ter. A verdadeira religião é a união da alma com Deus, a participação na natureza divina, viver de acordo com a imagem de Deus desenhada sobre nossa alma – ou na terminologia do apóstolo, ter "Cristo formado em nós". Whitefield aprendeu destes ensinos a maravilha que é Deus querer habitar no nosso coração e realizar sua obra através de nós, e quão profunda e admirável é a graça que torna possível a vida de Deus habitar na alma do homem.

Este livro maravilhoso, porém, acabou deixando Whitefield quase enlouquecido. Ele não sabia como nascer de novo, mas começou a buscar esta experiência com todas suas forças. Deixou de comer certos alimentos e dava o dinheiro que economizou com isto aos pobres; usava só roupas remendadas e sapatos sujos; passava a noite inteira em fervorosa e suada oração; e não falava com ninguém. Para negar a si mesmo, abandonou a única coisa de que realmente gostava, que era o Clube Santo. Começou a ir mal nos estudos e foi ameaçado com expulsão. Seus colegas o acharam completamente "pirado". Orava ao ar livro, no relento, mesmo nas madrugadas mais gélidas, até que uma de suas mãos ficou preta. Finalmente, ficou tão doente, enfraquecido e magro que não conseguia nem subir a escada para sair do quarto. Tiveram de chamar um médico que o confinou à cama por sete semanas.

Uma Simples Oração

De forma surpreendente, foi neste tempo de descanso e recuperação que sua vida finalmente foi transformada. Ele ainda mantinha um tempo devocional com Deus, de acordo com suas forças. Mas agora começou a orar de forma mais simples, deixando de lado todas suas idéias e esforços e tentando realmente escutar a voz de Deus.

Certo dia, ele se jogou sobre a cama e clamou: "Tenho sede!" Foi a primeira vez que havia clamado a Deus em total incapacidade e insuficiência. E foi a primeira vez em mais de um ano que sentira alegria.

Neste momento de total entrega ao Deus Todo-poderoso, um pensamento novo penetrou seu coração. "George, você já tem o que pediu! Você cessou suas pelejas e simplesmente creu e agora nasceu de novo!"

Foi tão simples, tão absurdamente simples, ser salvo por uma oração tão singela, que Whitefield começou a rir. E assim que riu, as comportas dos céus se romperam e sua vida foi inundada por "gozo indizível, cheio e transbordando de grande glória".

Sua aparência exterior ainda era de um universitário doentio e fraco, porém a carreira do maior evangelista do século XVIII tinha acabado de nascer. Ele ainda levou nove meses para recuperar fisicamente, mas no seu coração havia só um desejo: compartilhar as Boas Novas que Jesus Cristo viera para os pecadores e que o pecador só precisava arrepender-se, aceitar a morte expiatória de Jesus e lançar-se espiritualmente nas mãos de Deus.

Em sua casa em Gloucester, Whitefield manteve sua vida disciplinada do Clube Santo, mas tudo agora tinha um novo significado. Não era mais para alcançar o favor de Deus ou tornar-se justo, mas para focalizá-lo em servir a Deus. Diariamente, meditava numa passagem bíblica que lia em inglês, depois em grego, e finalmente no famoso comentário de Matthew Henry. Orava sobre cada linha que lia, até que entendesse e recebesse o seu significado, e sentisse que já fazia parte da sua vida. Logo fundou uma pequena sociedade que se reunia todas as noites.

O Leão Começa a Rugir

Não demorou muito e já estava tendo oportunidades de pregar. Inicialmente, tinha receio de ser ordenado muito jovem e de se envaidecer. Mas colocou diante de Deus um sinal: se, por um milagre, houvesse provisão para voltar a Oxford e se formar, ele aceitaria a ordenação. E, pouco a pouco, foi isto que aconteceu. Ao mesmo tempo, soube que os irmãos Wesley tinham ido à América como missionários e que precisavam de alguém para dirigir o Clube Santo. Desta forma, voltou a Oxford, completou seu curso e foi ordenado.

Inicialmente, tentou ficar quieto no seu lugar. Seu objetivo era alcançar outros estudantes, na base de um a um. Mas havia um problema. Desde o momento que abriu sua boca, todos queriam ouvir mais. Depois de quatro semanas pregando mensagens em Gloucester, Bristol e Bath, um pequeno avivamento se iniciara. As igrejas estavam lotadas e as ruas estavam cheias de gente tentando entrar. Whitefield tinha apenas 22 anos.

Apesar da sua formação acadêmica, Whitefield utilizou muito mais seus talentos dramáticos para comunicar as verdades espirituais do que conhecimentos intelectuais. Concentrou no aperfeiçoamento do que hoje chamaríamos de linguagem corporal. A paixão seria sua chave na pregação das verdades espirituais que muitos já tinham ouvido, porém sem vida.

Sem muita prática em homilética, sua sensibilidade dramática logo o colocou numa classe à parte. Lágrimas, fortes emoções, agitado movimento corporal – mas acima de tudo, uma experiência intensamente pessoal do Novo Nascimento – eram características da sua pregação e das reações dos seus ouvintes. Sua prodigiosa memória o capacitava a transformar o púlpito num teatro sagrado que representava os santos e pecadores da Bíblia diante dos seus ouvintes fascinados.

Entre os que ficavam encantados diante das pregações, estava um grande ator inglês, David Garrick, que exclamou: "Eu daria cem guineas (moeda inglesa da época – equivalente a mais de uma libra moderna) se eu pudesse dizer Oh como o Sr. Whitefield!"

Com suas mensagens vivas, dramáticas e cheias de alegria espiritual, o país da Inglaterra começou a ser abalado. As verdades eram simples, diretas e baseadas nas doutrinas básicas do novo nascimento e da justificação pela fé. Mas para as pessoas que nunca antes ouviram tais coisas com clareza, eram como descargas de raios no coração. Ele não estava declarando sua própria mensagem, mas a mensagem de Deus: "É necessário nascer de novo".

Logo houve resistência, principalmente por parte dos clérigos que se perturbavam com a oração de Whitefield para que eles também nascessem de novo. Pessoas das camadas mais elevadas da sociedade também não gostavam de ouvir que eram pecadores e precisavam se arrepender.

Uma Forma Revolucionária de Pregar

Em 1739, com 24 anos de idade, Whitefield começou a pregar ao ar livre. Várias igrejas haviam fechado as portas para suas pregações e ele não queria depender mais da disponibilidade de igrejas ou auditórios. Partiu para Kingswood, perto de Bristol, onde havia milhares de mineiros de carvão, que viviam em condições deploráveis. Homens, mulheres e crianças trabalhavam longas horas embaixo da terra, no meio de morte e doença. Para Whitefield, eram como ovelhas sem pastor.

Em fevereiro, o frio era intenso, mas ao passar pelos barracos e favelas, Whitefield encontrou 200 pessoas dispostas a ir ouvi-lo. Ele pregou dramaticamente sobre o amor de Jesus por eles e como sofreu a cruel morte da crucificação, só para salvá-los dos seus pecados. Enquanto pregava, começou a notar faixas brancas nas faces enegrecidas de alguns mineiros. Logo, todos os rostos escuros estavam manchados com as valetas brancas das lágrimas que corriam enquanto o evangelho de Jesus convencia a todos, um por um.

Três dias depois, Whitefield foi proibido de pregar em Bristol novamente pelo conselho da diocese. Porém, no dia seguinte ele pregou na própria mina, onde desta vez havia 2000 pessoas para ouvi-lo. No domingo seguinte, havia 10.000 e muito mais pessoas da cidade do que das minas. E no dia 25 de março de 1739, a multidão foi estimada em 23.000. Com este método heterodoxo e controvertido de pregação ao ar livre, parecia não haver limites para o crescimento do Grande Despertamento.

Estima-se que Whitefield tenha pregado para mais de dois milhões de pessoas, só naquele verão. Sua ousada pregação nos campos abalara de vez o fraco e tímido cristianismo da sua época. Quando chegou em Filadélfia, em agosto daquele ano, os jornais noticiaram que George Whitefield havia pregado a mais pessoas do que qualquer outra pessoa viva, e provavelmente do que qualquer outra pessoa na história, até então.

 

Melhor Esgotar-se do que Enferrujar

Whitefield cruzou sete vezes o oceano Atlântico entre a Inglaterra e a América. Faleceu em 1770, com apenas 55 anos de idade. Em 34 anos de ministério, pregou mais de 18.000 sermões, ou uma média de mais de 10 por semana. No seu último ano de vida, apesar da saúde prejudicada pela extrema intensidade da sua vida, recusou-se a parar, dizendo que preferiria se "esgotar a enferrujar".

Antes de pregar sua última mensagem, sentindo-se muito mal, Whitefield orou: "Senhor, se ainda não completei minha carreira, deixa-me ir falar por ti mais uma vez no campo, selar tua verdade e voltar para casa e morrer!"

Sua oração foi respondida. Seu último discurso foi no meio da tarde, num campo, em cima de um barril. Seu texto foi: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé" (2 Co 13.5). O tema foi o novo nascimento.

No começo falava com muita dificuldade, sua voz rouca, sua dicção pesada. Frase após frase saía sem muito nexo, sem atenção a objetivo ou oratória. Mas, de repente, sua mente se acendeu e sua voz de leão bradou mais uma vez, alcançando as extremidades da sua audiência.

Falando da ineficácia de obras para merecer a salvação, Whitefield trovejou: "Obras! Obras! O homem alcançar o céu por obras! Eu pensaria antes em alcançar a lua subindo numa corda de areia!"

Esta foi a exortação final do grande pregador. A luz que brilhou na sua alma queimou com ardor até o fim da sua vida.

Talvez Deus não lhe tenha dado uma voz de leão, nem o talento dramático da comunicação em massa. Mas não há limites para o que Deus pode fazer através de uma vida, por jovem que seja, quando o genuíno fogo do céu se acende nela.

 

Christimas Evans

Christimas Evans

(1766 - 1838)

Autoria Desconhecida 

 

Seus pais deram-lhe o nome de Christmas porque nasceu no dia de "Christmas" (Natal), em 1766. O povo deu-lhe a alcunha de "Pregador Caolho" porque era cego de um olho. Alguém assim se referiu a Christmas Evans: "Era o mais alto dos homens, de maior força física e o mais corpulento que jamais vi. Tinha um olho só; se há razão para dizer que era olho, pois mais propriamente pode-se dizer que era uma estrela luzente, brilhando como Vênus". Foi chamado, também, de "O João Bunyan de Gales", porque era o pregador que na história desse país, desfrutava mais do poder do Espírito Santo. Em todo o lugar onde pregava, havia grande número de conversões. Seu dom de pregar era tão extraordinário, que, com toda a facilidade, podia levar um auditório de 15 a 20 mil pessoas, de temperamento e sentimentos vários, a ouvi-lo com a mais profunda atenção. Nas igrejas, não cabiam as multidões que iam ouvi-lo durante o dia; à noite, sempre pregava ao ar livre, sob o brilhar das estrelas.

Durante a sua mocidade, viveu entregue à devassidão e à embriaguez. Numa luta, foi gravemente esfaqueado; outra vez foi tirado das águas como morto e, ainda doutra vez, caiu de uma árvore sobre uma faca. Nas contendas era sempre o campeão, até que, por fim, numa briga, seus companheiros cegaram-lhe um olho. Deus, contudo, fora misericordioso durante esse período, guardando-o com vida para, mais tarde, fazê-lo útil no seu serviço.

Com a idade de 17 anos, foi salvo: aprendeu a ler e, não muito depois, foi chamado a pregar e separado para o ministério. Seus sermões eram secos e sem fruto até que, um dia, em viagem para Maentworg, segurou seu cavalo e entrou na mata onde derramou a sua alma em oração a Deus. Como Jacó em Peniel, de lá não saiu antes de receber a benção divina. Depois daquele dia reconheceu a grande responsabilidade de sua obra; regozijava-se sempre no espírito de oração e surpreendeu-se grandemente com os frutos gloriosos que Deus começou a conceder-lhe. Antes destas coisas, possuía dons e corpo de gigante; porém, depois, foi-lhe acrescentado o espírito de gigante. Era corajoso como um leão e humilde como um cordeiro; não vivia para si, mas para Cristo. Além de ter, por natureza, uma mente ativa e uma maneira tocante de falar, tinha um coração que transbordava de amor para com Deus e o próximo. Verdadeiramente era uma luz que ardia e brilhava.

No Sul de Gales andava a pé, pregando, às vezes, cinco sermões num só dia. Apesar de não andar bem vestido e de possuir maneiras desastrosas, afluíam grandes multidões para ouvi-lo. Vivificado com o fogo celestial, subia em espírito como se tivesse asas de anjo e quase sempre levava o auditório consigo. Muitas vezes os ouvintes rompiam em choro e outras manifestações, coisas que não podiam evitar. Por isso eram conhecidos por "Saltadores Galeses".

Era convicção de Evans que seria melhor evitar os dois extremos: o excesso de ardor e a frieza demasiada. Porém Deus é um ser soberano, operando de várias maneiras. A alguns Ele atrai pelo amor, enquanto a outros Ele espanta com os trovões do Sinai, para acharem preciosa paz em Cristo. Os vacilantes, às vezes, são por Deus sacudidos sobre o abismo da angústia eterna, até clamarem pedindo misericórdia e acharem gozo indizível. O cálice desses transborda até que alguns, não compreendendo, perguntam: - "Por que tanto excesso?"

Acerca da censura que faziam dos cultos, Evans escreveu: "Admiro-me de que o gênio do mau, chamando-se 'o anjo da ordem, queira experimentar tornar tudo, na adoração a Deus, em coisas tão seca como o monte Gilboa. Esses homens da ordem desejam que o orvalho caia e o sol brilhe sobre todas as suas flores, em todos os lugares, menos nos cultos ao Deus Todo-Poderoso. Nos teatros, nos bares e nas reuniões políticas, os homens comovem-se, entusiasmam-se e são tocados de fogo como qualquer Saltador Galês'. 'Mas, segundo eles desejam, não deve haver coisa alguma que dê vida e entusiasmo à religião! Irmãos, meditai nisto! - Tendes razão, ou estais errados? '"

Conta-se que, em certo lugar, havia três pregadores para falar, sendo Evans o último. Era um dia de muito calor; os primeiros dois sermões foram muito longos, de forma que todos os ouvintes ficaram indiferentes e quase exaustos. Porém, depois de Evans haver pregado cerca de quinze minutos, sobre a misericórdia de Deus, tal qual se vê na parábola do "Filho Pródigo", centenas dos que estavam sentados na relva, repentinamente, ficaram em pé. Alguns choravam e outros oravam sob grande angústia, Foi impossível continuar o sermão: o povo continuou a chorar e orar durante o dia inteiro e de noite até amanhecer.

Na ilha de Anglesey, porém, Evans teve de enfrentar certa doutrina chefiada por um orador eloqüente e instruído. Na luta contra o erro dessa seita, começou a esfriar espiritualmente. Depois de alguns anos, não mais possuía o espírito de oração nem o fogo da vida cristã. Mas ele mesmo descreveu como buscou e recebeu de novo a unção do poder divino que fez a sua alma abrasar-se ainda mais do que antes:

"Não podia continuar com o meu coração frio para com Cristo, sua expiação e a obra do Espírito. Não suportava o coração frio no púlpito, na oração particular e no estudo, especialmente quando me lembrava de que durante quinze anos o meu coração se abrasava como se eu andasse com Jesus no caminho de Emaús. Chegou o dia, por fim, que nunca mais esquecerei. Na estrada de Dolgelly, senti-me obrigado a orar, apesar de ter o coração endurecido e o espírito carnal. Depois de começar a suplicar, senti como que pesados grilhões me caíssem e como que montanhas de gelo se derretessem dentro de mim. Com esta manifestação, aumentou em mim a certeza de haver recebido a promessa do Espírito Santo. Parecia-me que meu espírito inteiro fora solto de uma prisão prolongada, ou como se estivesse saindo do túmulo num inverno muitíssimo frio. Correram-me abundantemente as lágrimas e fui constrangido a clamar e pedir a Deus o gozo da sua salvação, e que Ele visitasse, de novo, as igrejas de Anglesey que estavam sob meus cuidados. Tudo entreguei nas mãos de Cristo... No primeiro culto depois, senti-me como que removido da região estéril e frígida de gelo espiritual, para as terras agradáveis das promessas de Deus. Comecei, então, de novo os primeiros combates em oração, sentindo um forte anelo pela conversão de pecadores, tal como tinha sentido em Leyn. Apoderei-me da promessa de Deus. O resultado foi, que vi, ao voltar para casa, o Espírito operar nos irmãos de Anglesey, dando-lhes o espírito de oração com importunação".

Passou então o grande avivamento do pregador ao povo em todos os lugares da ilha de Anglesey e em todo o Gales. A convicção de pecado, como grandes enchentes passava sobre os auditórios. O poder do Espírito Santo operava até o povo chorar e dançar de alegria. Um dos que assistiram ao seu sermão sobre "O Endemoninhado Gadareno", conta como Evans retratou tão fielmente a cena do livramento do pobre endemoninhado, a admiração do povo ao vê-lo liberto, o gozo da esposa e dos filhos quando voltou a casa, curado, que o auditório rompeu em grande riso e choro. Alguém assim se expressou: "O lugar tornou-se em um verdadeiro 'Boquim' de choro" ( Juizes 2:1-5 ). Outro ainda disse que o povo do auditório ficou como os habitantes duma cidade abalada por um terremoto, correndo para fora, prostrando-se em terra e clamando a Deus.

Não semeava pouco, portanto colhia abundantemente; ao ver a abundância da colheita, sentia seu zelo arder de novo, seu amor aumentar e era levado a trabalhar ainda mais. A sua firme convicção era de que nem a melhor pessoa pode salvar-se sem a operação do Espírito Santo e nem o coração mais rebelde pode resistir ao poder do mesmo Espírito. Evans sempre tinha um alvo quando lutava em oração: firmava-se nas promessas de Deus, suplicando com tanta importunação como quem não podia desistir antes de receber. Dizia que a parte mais gloriosa do ministério do pregador era o fato de agradecer a Deus pela operação do Espírito Santo na conversão dos pecadores .

Como vigia fiel, não podia pensar em dormir enquanto a cidade se incendiava. Humilhava-se perante Deus, agonizando pela salvação de pecadores, e de boa vontade gastou suas forças físicas, ou mentais, pregou o último sermão, sob o poder de Deus, como de costume. Ao findar disse: "Este é meu último sermão". Os irmãos entenderam que se referira ao último sermão naquele lugar. Caiu doente, porém, na mesma noite. Na hora da sua morte, três dias depois, dirigiu-se ao pastor, seu hospedeiro, com estas palavras: "O meu gozo e consolação é que, depois de me ocupar na obra do santuário durante cinqüenta e três anos, nunca me faltou sangue na bacia. Prega Cristo ao povo". Então, depois de cantar um hino, disse: "Adeus! Adeus!" e faleceu.

A morte de Christimas Evans foi um dos eventos mais solenes em toda a história do principado de Gales. Houve choro e pranto no país inteiro.

O fogo do Espírito fez os sermões deste servo de Deus abrasar de tal forma os corações, que o povo da sua geração não podia ouvir pronunciar o nome de Christimas Evans sem ter uma lembrança vívida do Filho de Maria na manjedoura de Belém; o seu batismo no Jordão; do jardim do Getsêmani; do tribunal de Pilatos; da coroa de espinhos; do monte Calvário; do Filho de Deus imolado no altar, e do fogo santo que consumia todos os holocaustos, desde os dias de Abel até o dia memorável em que esse fogo foi apagado pelo sangue do Cordeiro de Deus.

Jonathan Edwards

Jonathan Edwards, nasceu em East Windsor, Connecticut, EUA, em 5 de outubro de 1703, sendo seu pai um minis-tro do evangelho que militou na Igreja Congregacional. Criado em um lar evangélico, isto o estimulou sobremaneira desde o início de sua vida a um grande fervor espiritual, tendo já desde a meninice grande preocupação com a obra de Deus e com a salvação de almas.

Ele começou a estudar o latim aos seis anos de idade e aos 13 já era fluente também em grego e hebraico. Em 1720 obteve o bacharelado no Colégio de Yale, em New Haven, iniciando em seguida os seus estudos teológicos nesta mesma instituição, obtendo o mestrado em 1722. Em seguida, assumiu uma cadeira de professor assistente em Yale, cargo que ocupou por dois anos. Mas, o chamado ao ministério falou mais alto e, após ser pastor de uma Igreja Presbiteriana em Nova York em 1722 (por um período de oito meses), em 1726, então aos 23 anos, assumiu o posto de segundo pastor na Igreja de Northampton, Massachussetts; igreja esta que era pastoreada por seu avô Solomon Stoddard (1643-1729), e a segunda maior da região, com mais de seiscentos membros, o que era prati-camente toda a população adulta daquela localidade.

Em julho de 1727 casou-se com Sarah Pierrepont, filha de James Pierrepont, pastor da Igreja de New Haven, com quem teve 11 filhos.

Em 1729 com a morte do seu avô, Jonathan se tornou o pastor titular da Igreja de Northampton, na qual cinco anos depois ocorreria um grande avivamento, entre 1734-35, chamado de O Grande Despertamento, que se iniciou entre os presbiterianos e luteranos na Pensilvânia e em Nova Jersey, e que teve seu apogeu por volta do ano de 1740, através do trabalho de George Whitefield.

Em 1750, depois de pastorear a Igreja de Northampton por 23 anos, Jonathan Edwards foi despedido pela Igreja por ser contrário à prática de se servir a Ceia do Senhor a pessoas não convertidas, pratica instituída por seu avô, e que era do gosto da Igreja. Em seu sermão de despedida disse:

Portanto, quero exortá-los sinceramente, para o seu próprio bem futuro, que tomem cuidado daqui em diante com o espí-rito contencioso. Se querem ver dias felizes, busquem a paz e empenhem-se por alcançá-la (I Pe 3:10-11). Que a recen-te contenda sobre os termos da comunhão cristã, tendo sido a maior, seja também a última. Agora que lhes prego meu sermão de despedida, eu gostaria de dizer-lhes como o apóstolo Paulo disse aos coríntios em II Coríntios 13.11: "Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco." (1)

Em 1751, ele foi para Stockbridge, na colônia de Massachussetts, onde foi pastor dos colonos e missionário entre os índios. Em 1757, foi convidado a ser o presidente do Colégio de Nova Jersey, que viria posteriormente a ser a hoje conhecida Universidade de Princeton.

Em 22 de março de 1758, um mês após ter tomado posse como presidente do Colégio, Jonathan Edwards morreu devido a complicações resultantes de uma vacina contra varíola.

Martin Luther King

Martin Luther King nasceu em 15 de janeiro de 1929 em Atlanta na Georgia, filho primogênito de uma família de negros norte-americanos de classe média. Seu pai era pastor batista e sua mãe era professora.

Com 19 anos de idade Luther King se tornou pastor batista e mais tarde se formou teólogo no Seminário de Crozer. Também fez pós-graduação na universidade de Boston, onde conheceu Coretta Scott, uma estudante de música com quem se casou.

Em seus estudos se dedicou aos temas de filosofia de protesto não violento, inspirando-se nas idéias do indu Mohandas K. Gandhi.

Em 1954 tornou-se pastor da igreja batista de Montgomery, Alabama. Em 1955, houve um boicote ao transporte da cidade como forma de protesto a um ato discriminatório a uma passageira negra, Luther King como presidente da Associação de Melhoramento de Montgomery, organizou o movimento, que durou um ano, King teve sua casa bombardeada. Foi assim que ele iniciou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.

Em 1957 Luther King ajuda a fundar a Conferência da Liderança Cristã no Sul (SCLC), uma organização de igrejas e sacerdotes negros. King tornou-se o líder da organização, que tinha como objetivo acabar com as leis de segregação por meio de manifestações e boicotes pacíficos. Vai a Índia em 1959 estudar mais sobre as formas de protesto pacífico de Gandhi.

No início da década de 1960, King liderou uma série de protestos em diversas idades norte-americanas. Ele organizou manifestações para protestar contra a segregação racial em hotéis, restaurantes e outros lugares públicos. Durante uma manifestação, King foi preso, tendo sido acusado de causar desordem pública.

Em 1963 liderou um movimento massivo, "A Marcha para Washington", pelos direitos civis no Alabama, organizando campanhas por eleitores negros, foi um protesto que contou com a participação de mais de 200.000 pessoas que se manifestaram em prol dos direitos civis de todos os cidadãos dos Estados Unidos. A não-violência tornou-se sua maneira de demonstrar resistência. Foi novamente preso diversas vezes. Neste mesmo ano liderou a histórica passeata em Washington onde proferiu seu famoso discurso "I have a dream" ("Eu tenho um sonho"). Em 1964 foi premiado com o Nobel da Paz.

Os movimentos continuaram, em 1965 ele liderou uma nova marcha. Uma das conseqüências dessa marcha foi a aprovação da Lei dos Direitos de Voto de 1965 que abolia o uso de exames que visavam impedir a população negra de votar.

Em 1967 King uniu-se ao Movimento pela Paz no Vietnam, o que causou um impacto negativo entre os negros. Outros líderes negros não concordaram com esta mudança de prioridades dos direitos civis para o movimento pela paz.

Em 4 de abril de 1968 King foi baleado e morto em Memphis, Tenessee, por um branco que foi preso e condenado a 99 anos de prisão.

Em 1983, a terceira segunda-feira do mês de janeiro foi decretada feriado nacional em homenagem ao aniversário de Martin Luther King Jr.'s.
11月6日

Jerônimo Savonarola

Jerônimo Savonarola (1452-1498)

Autoria Desconhecida

 

Pr. José Antônio Corrêa

 

O povo de toda  a Itália  afluía, em  número  sempre  crescente, a Florença. A  famosa  Duomo  não  mais  comportava as  enormes  multidões. O  pregador, Jerônimo  Savonarola, abrasado  com  o  fogo  do  Espírito  Santo  e sentindo  a  iminência  do  julgamento  de  Deus trovejava  contra  o  vício, o  crime  e  a  corrupção desenfreada  na  própria  Igreja. O  povo  abandonou a  leitura  das  publicações  torpes  e  mundanas, para  ler  os  sermões  do  ardente  pregador: deixou os  cânticos  das  ruas, para  cantar  os  hinos de  Deus. Em  Florença, as  crianças  fizeram procissões, coletando  as  máscaras  carnavalescas, os livros  obcenos  e  todos   os  objetos supérfluos  que   serviam  a  vaidade. Com  isso formaram  em  praça  pública  uma  pirâmide  de vinte  metros  de  altura  e  atearam-lhe  fogo. Enquanto  o  monte  ardia, o  povo  cantava  hinos  e os  sinos  da  cidade  dobravam  em  Sinal  de vitória.

Jerônimo era  terceiro dos  sete  filhos  da  família. Nasceu  de  pais cultos  e  mundanos, mas  de  grande  influência. Seu avô  paterno  era  um  famoso   médico  na corte  do  duque  de    Ferrara  e  os pais  de  Jerônimo  planejavam  que  o  filho ocupasse  o  lugar  do  avô. No  colégio, era aluno  esmerado. Mas  os  estudos  da  filosofia  de Platão  e  de  Aristóteles deixara-lhe  com  a alma  sequiosa. Foram  sem  dúvida  os  escritos  de Tomaz  de  Aquino  que  mais  o  influenciaram (a não  ser  as  próprias  Escrituras) a  entregar inteiramente  o  coração  e  a  vida  a  Deus. Quando  ainda  menino, tinha  o  costume  de  orar  e, ao  crescer, o seu ardor  em  oração  aumentou. A  decadência  da igreja, cheia  de  toda  a  qualidade  de  vícios  e  pecado, o  luxo  e  a  ostentação  dos ricos  em  contraste  com  a  profunda  pobreza dos  pobres, magoavam-lhe  o  coração. Passava  muito tempo  sozinho, nos  campos  e  a  beira  do rio  Pó, em  contemplação  perante  Deus, ora cantando, ora  chorando, conforme  os  sentimentos  lhe ardiam  no  peito. Quando  ainda  jovem, Deus  começou a  falar-lhe  em  visões. A  oração  era  sua grande  consolação; os  degraus  do  altar, onde  se prostrava  horas  a  fio, ficavam  repetidamente  molhados de  suas  lágrimas.

Houve  um  tempo  em que  Jerônimo  começou  a  namorar  certa  moça florentina. Mas  quando  ela  mostrou  ser  desprezo alguém  de  sua  orgulhosa  família  Strozzi, unir-se a  alguém  da  família  de  Savonarola, Jerônimo abandonou  para  sempre  a  idéia  de  casar-se. Voltou  a  orar  com  crescente  ardor. Enojado  do mundo, desapontado  acerca  de  seus  próprios  anelos, sem  achar  uma  pessoa  compassiva  a  quem  pudesse pedir  conselhos, e  cansado  de  presenciar  injustiças e  perversidades  que  o cercavam, coisas  que  não podia  remediar, resolveu  abraçar  a  vida  monástica.

Ao  apresentar-se  no  convento, não  pediu  o  privilégio  de  se  tornar  monge, mas rogou  que   o  aceitassem  para  fazer  os serviços  mais  vis, da  cozinha, da  horta  e  do mosteiro.

Na  vida  do  claustro, Savonarola passava  ainda  mais  tempo  em  oração, jejum  e contemplação  perante  Deus. Sobrepujava  todos  os outros  monges  em  humildade, sinceridade  e obediência, sendo  apontado  para  lecionar  filosofia, posição  que  ocupou  até  sair  do  convento.

Depois  de  passar  sete  anos no  mosteiro  de  Bolongna, frei (irmão) Jerônimo  foi para  o  convento de  São  Marcos, em  Florença. Grande foi  o  seu  desapontamento  ao  ver  que  o  povo  de  florentino  era  tão depravado  como  os  dos  demais  lugares. (Até então  ainda  não  reconhecia  que  somente  a fé  em  Deus  salva  o  pecador).

Ao  completar  um  ano  no convento  de  São  Marcos, foi  apontado  instrutor dos  noviciados e, por  fim, designado  pregador  do mosteiro. Apesar  de  ter  ao  seu  dispor  uma excelente  biblioteca, Savonarola  utilizava-se  cada  vez mais  da  Bíblia  como  seu  livro  de instrução.

Sentia  cada  vez  mais  o terror  e  a  vingança  do  Dia  do  Senhor que  se  aproxima  e, às  vezes  entregava-se  a trovejar  contra  do  púlpito  contra  a  impiedade do  povo. Eram  tão  poucos  os  que  assistiam às  suas  pregações, que   Savonarola  resolveu dedicar-se  inteiramente  a  instrução  dos noviciados. Contudo, como  Moisés, não  podia  escapar  a chamada  de  Deus!

Certo  dia, ao  dirigir-se  a uma  feira, viu, repentinamente, em  visão, os  céus  abertos e  passando  perante  os  seus  olhos  todas  as calamidades  que  sobrevirão  a  igreja. Então  lhe pareceu  uma  voz  do  Céu  ordenando-lhe  anunciar estas  coisas  ao  povo.

Convicto  de  que  a  visão era  do  Senhor, começou  novamente  a  pregar  com voz  de  trovão. Sob  a  nova  unção  do Espírito  Santo  a  sua  condenação  ao  pecado era  feita  com  tanto  ímpeto, que  muitos  dos ouvintes  depois  andavam  atordoados  sem  falar, nas ruas. Era  coisa  comum, durante  seus  sermões, homens e  mulheres  de  todas   as  idades  e  de todas  as  classes  romperem  em  veemente  choro.

O  ardor  de  Savonarola  na oração aumentava  dia  após  dia  e  sua  fé crescia  na  mesma  proporção. Freqüentemente, ao  orar, caía  em  êxtase. Certa  vez, enquanto  sentado  no púlpito, sobreveio-lhe  uma  visão, durante  a  qual ficou  imóvel  por   cinco  horas, enquanto  o seu  rosto  brilhava, e  os  ouvintes  na  igreja o  contemplavam.

Em  toda  a  parte  onde Savonarola  pregava, seus  sermões  contra  o  pecado produziam  profundo  terror. Os  homens  mais  cultos começaram  então  a  assistir  as  pregações  em Florença; foi  necessário  realizar  as  reuniões  na Duomo, famosa  catedral, onde  continuou  a  pregar durante  oito  anos. O  povo  se  levantava  a meia-noite  e  esperava  na  rua  até  a  hora de  abrir  a  catedral.

O    corrupto  regente de  Florença, Lorenzo  Medici, experimentou  todas  as formas: a  bajulação, as  peitas, as  ameaças, e  os rogos, para  induzir  Savonarola  a  desistir  de pregar  contra  o  pecado, e  especialmente  contra a  perversidade  do  regente. Por  fim, vendo  que tudo  era  debalde, contratou  o  famoso  pregador, Frei Mariano, para  pregar  contra  Savonarola. Frei  Mariano pregou  um  sermão, mas  o  povo  não  prestou atenção  a  sua  eloqüência  e  astúcia, e  ele não  ousou  mais  pregar.

Nessa  altura, Savonarola  profetizou que  Lorenzo, o  Papa  e  o  rei  de  Nápoles morreriam  dentro  de  um  ano, e  assim  sucedeu.

Depois  da  morte  de Lorenzo, Carlos  VIII, da  França, invadiu  a  Itália  e a  influência  de  Savonarola   aumentou ainda mais. O  povo abandonou  a  literatura  torpe  e mundana  para  ler  os  sermões   do  famoso pregador. Os  ricos  socorriam  os  pobres  em  vez de   oprimi-los. Foi  neste  tempo  que  o  povo fez  a  grande  fogueira, na  "piazza" de Florença  e  queimou  grande  quantidade  de artigos  usados  para  alimentar  vícios  e vaidade. Não  cabia  mais, na  grande  Duomo, o  seu imenso  auditório.

Contudo, o  sucesso  de Savonarola  foi  muito  curto. O  pregador  foi ameaçado, excomungado  e, por  fim, no  ano  de  1498, por  ordem  do  Papa, foi  enforcado  e  queimado em   praça  pública. Com  as  palavras: “O  Senhor  sofreu  tanto  por  mim!”, terminou  a  vida  de  um  dos  maiores  e mais  dedicados  mártires  de  todos  os  tempos.

Apesar  de  ele  continuar até  a  morte  a  sustentar  muitos  dos  erros da  Igreja  Romana, ensinava  que  todos  os  que são  realmente  crentes  estão  na  verdadeira Igreja. Alimentava  continuamente  a  alma  com  a palavra  de  Deus. As  margens  das  páginas  da sua  Bíblia  estão  cheias  de  notas  escritas enquanto  meditava  nas  Escrituras. Conhecia  uma grande parte  da  Bíblia  de  cor  e  podia  abrir o  livro  instantaneamente  e  achar  qualquer  texto. Passava  noites  inteiras  em  orações  e  foram-lhe dadas  revelações  quando  em  êxtase, ou  por visões. Seus  livros  sobre  "A Humildade", "A  Oração", "O  Amor". etc.., continuam  a  exercer grande  influência  sobre  os  homens. Destruíram  o corpo  desse  precursor  da  Grande  Reforma, mas não  puderam  apagar  as  verdades  que  Deus, por seu  intermédio, gravou  no  coração  do  povo .

Irineu

Irineu  (130-200)

por: Vania DaSilva

Fonte: http://www.sepoang.org

 

José Antônio Correa

 

Introdução 

Bispo de Lyon e Polemista Anti-Gnóstico - Diferentemente dos Apologistas do segundo século que procuraram fazer uma explanação e uma justificação racional do Cristianismo para as autoridades, os Polemistas empenharam-se por responder ao desafio dos falsos ensinos dos heréticos, condenando veemente esses ensinos e seus mestres. Apesar da maioria dos Apologistas viverem no Oriente, os grandes Polemistas vieram do Ocidente, sendo Irineu um dos primeiros. 

 

Enquanto os do Oriente usavam uma teologia especulativa dando mais atenção aos problemas metafísicos, os do Ocidente preocupavam-se mais com os desvios administrativos da Igreja, empenhando-se em formular uma resposta para os problemas desta esfera. 

 

Os apologistas convertidos do paganismo, preocupavam-se com a ameaça à segurança da Igreja, especialmente com a perseguição. Os polemistas que tinham uma formação cultural cristã, preocupavam-se com a heresia e suas ameaças no seio da Igreja. 

 

Seu Crescimento e Influência

Nascido em Esmirna, na Ásia Menor (Turquia), no ano 130, em uma família cristã, Irineu era grego e foi influenciado pela pregação de Policarpo, bispo de Esmirna. Anos depois, Irineu mudou-se para Gália (atual sul da França), para a cidade de Lyon, onde foi um presbítero em substituição do bispo que havia sido martirizado em 177. 

 

Irineu também recebeu influência de Justino. Ele foi uma ponte entre a teologia grega e a latina, a qual iniciou com um de seus contemporâneos, Tertuliano. Enquanto Justino era primariamente um apologista, Irineu contribuiu na refutação contra heresias e exposição do Cristianismo Apostólico. Sua obra maior se desenvolveu no campo da literatura polêmica contra o gnosticismo. 

 

Os Ensinos Heréticos do Gnosticismo

O gnosticismo, a maior das ameaças filosóficas, chegou ao máximo de sua influência ao redor do ano 150. Suas raízes estão fincadas nos tempos do Novo Testamento. Paulo parece ter enfrentado uma forma incipiente de gnosticismo em sua carta aos Colossenses. A tradição cristã associou a origem do gnosticismo com Simão, o mago, a quem Pedro teve que repreender duramente (At 8.9-24). 

 

Irineu tornou-se o mais expoente escritor e defensor das Escrituras contra as Heresias Gnósticas na sua era. A palavra gnosticismo é um termo moderno que cobre uma variedade de seitas do segundo século que propagavam alguns erros em comum. O Gnosticismo era radicalmente diferente e contrário ao Cristianismo Ortodoxo. Cada grupo tinha seus próprios escritos. Alguns desses ensinamentos falsos eram: 

 

Crença em um Deus supremo o qual era totalmente remoto deste mundo

Crença que o Deus supremo não tinha parte na criação, mas que este trabalho imperfeito foi realizado por uma deidade inferior a ele, identificando como o Deus do Velho Testamento.

 

Crença que a matéria era má, por isso o Deus supremo sendo espiritual e bom, não poderia criá-la

Crença que entre o reino das trevas e o Deus supremo, existe uma hierarquia de seres divinos.Crença que o nosso corpo, sendo físico, é parte deste mundo, ele é mal; nossa alma é uma faísca divina que está presa ao corpo, ela é divina.

 

Crença que a salvação é o escape da alma deste corpo para o reino celestial

Crença que para alcançar o Deus supremo é necessário que a alma ultrapasse o reino acima de nós, o qual é controlado pelas estrelas e pelos planetas.

 

Crença que a salvação vinha pelo conhecimento; gnosis (conhecimento)

 

A Grande Defesa do Teólogo Irineu

Em sua primeira obra, Adversus Haereses (Contra Heresias) escrita entre os anos 182 e 188, em Lyon, ele descreve a teologia da fé cristã em refutação aos ensinos heréticos gnósticos de Valentino e Marcion através das Escrituras. De muitos argumentos feitos por Irineu, três importantes podem ser ressaltadas: 

 

A diferença do sistema gnóstico. Ele descreve a natureza burlesca de muitas de suas crenças

Os ensinamentos que os gnósticos diziam ter recebido secretamente dos apóstolos, Irineu os desafiava argumentando que se os apóstolos tivessem um ensinamento especial a declarar, eles o teriam confiado às suas próprias igrejas, as quais fundaram. Ele mostrava como as igrejas estabelecidas pelos apóstolos, e seus dirigentes, os quais eram apontados pelos mesmos e seus sucessores, cresciam em todo o império, e permaneciam até a data, ensinando a mesma doutrina.

 

Defesa do Novo Testamento como canônico, em vista que o gnosticismo não cria nele, e possuía outras escrituras. No tempo de Irineu, o Novo Testamento era aceito cerca de como temos agora: os Evangelhos, Atos, Cartas de Paulo e outras epístolas. A carta aos Hebreus, Apocalipse e algumas epístolas compuseram o Novo Testamento alguns anos na frente.

 

A sua obra é composta de cinco volumes é são assim caracterizadas:

Livro I: Esboço histórico da seita gnóstica, apresentada em conjunto com uma declaração da fé cristã. Este volume é a melhor fonte de informação sobre os ensinos dos gnósticos. Era uma polêmica filosófica contra Valentino, o líder da corrente romana do gnosticismo.

 

Livro II: Crítica filosófica sobre o Gnosticismo. Nele, Irineu insiste na unidade de Deus em oposição a idéia herética da existência de um demiurgo distinto de Deus.

 

Livro III: Crítica bíblica sobre o Gnosticismo. Ele mostra como o Gnosticismo é rejeitado pela Bíblia e pela tradição mais significativa. Neste livro, Irineu dá ênfase à unidade da Igreja através da sucessão apostólica de líderes desde Cristo e de uma regra de fé.

 

Livro IV: Respostas ao Gnosticismo através das palavras de Cristo. Neste, Marcion, outro líder gnóstico, é condenado pela citação das palavras de Cristo que se opõem às suas propostas.

 

Livro V: Vindicação da ressurreição contra os argumentos gnósticos, os quais, segundo as idéias deles, reunia o corpo material mau com o espírito.

 

A Contribuição de Irineu à Igreja

Foi necessário a habilidade intelectual, a força espiritual deste polemista e o desenvolvimento de uma regra de fé e um cânon da Bíblia pela Igreja para superar a ameaça desse movimento ao Cristianismo. Irineu através da sua defesa do Evangelho, foi o primeiro a declarar os quatro Evangelhos como canônicos, ensinar acerca do reino milenial de Cristo na terra, defender o episcopado (pastorado) e as tradições teológicas da verdadeira Igreja Ortodoxa. Ele também é chamado de “Pai dos Dogmas da Igreja”, por formular os princípios da teologia cristã e exposição do credo da Igreja. 

 

Não só Irineu, mas Polemistas como Tertuliano e Hipólito engajaram-se na controvérsia literária para refutar idéias gnósticas. Estes ensinos heréticos reapareceram, parcialmente, em doutrinas dos Paulicianos do século VII, dos Bogomilos dos séculos XI e XII, e dos Albingenses posteriores, no sul da França. 

 

Irineu em comparação com outros pais da igreja grega que lhe precederam, era mais bíblico que filosófico. Ele foi o primeiro a escrever em sentido teológico para a Igreja. Segundo a história, ele foi martirizado em Lyon por volta do ano 200. 

Policarpo

Policarpo (70-156)

por: Vania DaSilva

Fonte: http://www.sepoangol.org

 

José Antônio Correa

 

Introdução

Nascido em uma família cristã por volta dos anos 70, na Ásia Menor (hoje Turquia), Policarpo dizia ser discípulo do Apóstolo João. Em sua juventude costumava se sentar aos pés do Apóstolo do amor. Também teve a oportunidade de conhecer Irineu, o mais importante erudito cristão do final do segundo século. Inácio de Antioquia, em seu trajeto para o martírio romano em 116, escreveu cartas para Policarpo e para a Igreja de Esmirna.

 

Nos dias do Papa Aniceto, Policarpo visitou Roma, a fim de representar as igrejas da Ásia Menor que observavam a Páscoa no dia 14 do mês de Nisan. Apesar de não chegar a um acordo com o papa sobre este assunto, ambos mantiveram uma amizade. Ainda estando em Roma, Policarpo conheceu alguns hereges da seita dos Valencianos, e encontrou-se com Márcio, o qual Policarpo denominava de “primogênito de Satanás”. 

 

A Carta de Policarpo

Apesar de escrever várias cartas, a única preservada até a data, foi a endereçada aos Filipenses no ano 110. Nesta carta, Policarpo enfatiza a fé em Cristo, e o desenvolvimento da mesma através do trabalho para Cristo na vida diária. Também faz alusão à carta do Apóstolo Paulo aos Filipenses e usa citações diretas e indiretas do Velho e Novo Testamento, atestando-os como canônicos. Na mesma carta, ele repete muitas informações recebidas dos apóstolos, especialmente de João. Por isto, ele é uma testemunha valiosa da vida e da obra da Igreja primitiva no segundo século. 

 

Policarpo exorta os Filipenses a uma vida virtuosa, às boas obras e à firmeza, mesmo ao preço de morte, se necessária, uma vez que tinham sido salvos pela fé em Cristo. As 60 citações do Novo Testamento, das quais 34 são dos escritos de Paulo, evidenciam seu profundo conhecimento da Epístola do Apóstolo aos Filipenses e outras do mesmo Testamento. Ao contrário de Inácio, Policarpo não estava interessado em administração eclesiástica, mas antes em fortalecer a vida diária prática dos cristãos. 

 

O Martírio de Policarpo

O martírio de Policarpo é descrito um ano depois de sua morte, em uma carta enviada pela Igreja de Esmirna à Igreja de Filomélio. Este registro é o mais antigo martirológio cristão existente. Diz a história que o procônsul romano, Antonino Pius, e as autoridades civis tentaram persuadi-lo a abandonar sua fé em sua avançada idade, a fim de alcançar sua liberdade. Ele entretanto, respondeu com autoridade: “Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou? Eu sou um crente”! 

 

No ano 156, em Esmirna, Policarpo é colocado na fogueira. Milagrosamente as chamas não o queimaram. Seus inimigos, então, o apunhalaram até a morte e depois queimaram o seu corpo numa estaca. Depois de tudo terminado, seus discípulos tomaram o restante de seus ossos e o colocaram em uma sepultura apropriada. Segundo a história, os judeus estavam tão ávidos pela morte de Policarpo quanto os pagãos, por causa de sua defesa contra as heresias. 

Henrique Martyn

Henrique  Martyn

(1781 -1812)

Autoria Desconhecida

 

    Ajoelhado  na  praia  da  Índia, Henrique Martyn  derramava  a   alma  perante  o  Mestre   e orava: "Amado  Senhor, eu  também  andava  num  país  longínquo; minha  vida  ardia  no  pecado... desejaste que  eu  me  tornasse, não  mais um  tição  para  espalhar  a destruição, mas  uma   tocha brilhando  por  ti . Eis-me  aqui  nas  trevas   mais  densas, selvagens  e  opressivas  do  paganismo. Agora, Senhor, quero arder  até  me  consumir  inteiramente  por   ti!"

    O  intenso  ardor  daquele  dia  sempre   motivou  a  vida  desse  moço. Diz-se  que  o   seu  é "o  nome  mais heróico, que  adorna   a  história  da  Igreja  da  Inglaterra, desde  os   tempos  da  rainha  Elisabete" . Contudo, até  entre   seus patrícios, ele  não  é  bem  conhecido.

    Seu  pai  era  de  físico  franzino. Depois  de  o  seu  progenitor  falecer, os  quatro   filhos, inclusive  Henrique, não tardaram  a  contrair   a  mesma  enfermidade  que  seu  pai  morreu, a  tuberculose.

    Com  a   morte  do  pai, Henrique   perdeu  seu  intenso  interesse  pela  matemática e se interessou  grandemente  na leitura  da   Bíblia. Diplomou-se  com  mais  honras  do  que   todos  da sua  classe. O  Espírito  Santo, porém, falou   à sua alma: "Buscas  grandes  coisas  para  ti. Não  as busques!" Acerca  dos  seus  estudos  testificou: "Alcancei  o ponto mais  alto  que  desejara, mas  fiquei  desapontado  ao  ver  como, apenas tinha  agarrado   uma  sombra".

   Tinha  por  costume, levantar-se  cedo, de  madrugada, e  andar  sozinho, pelos  campos para desfrutar  de comunhão  íntima  com  Deus. O  resultado  foi  que   abandonou  para  sempre o plano  de  ser   advogado, um  plano que, até  aí, ainda  seguia, porque "não  podia  consentir  em ser  pobre  pelo   amor  de  Cristo".

    Ao  ouvir  um  sermão  sobre "O  Estado  Perdido dos Pecadores" resolveu  dar  a  sua  vida como  missionário. Ao conhecer  a  vida  abnegada  do  missionário   Guilherme  Carey, na  sua grande  obra  na  Índia, sentiu-se  dirigido a trabalhar  no  mesmo  país.

     O  desejo  de  levar  a  mensagem   de  salvação  aos  povos  que  não  conheciam   a  Cristo, tornou-se  como  um fogo  inextinguível   na  sua  alma  pela  leitura  da  biografia  de   David Brainerd, o  qual  morrera  quando  ainda muito jovem, com  a  idade  de  vinte  e  nove   anos (sua vida  fora  gasta  inteiramente  no   serviço  de  amor  intenso  aos silvícolas  da   América  do Norte). Henrique  Martyn  reconhecia  que, como  foram  os  anos  da  obra  de  David Brainerd, havia  também  para  ele  pouco  tempo, e   se  acendeu  nele  a  mesma  paixão  de   gastar-se, inteiramente por  Cristo, no  breve  espaço   de  tempo  que  lhe  restava. Seus  sermões  não  consistiam  em  palavras de  sabedoria  humana, mas   sempre  se  dirigia  ao  povo  como "um moribundo, pregando  aos  moribundos".

    Havia  um  grande  embaraço  para   Henrique  Martyn: a  mãe  da  sua  noiva Lídia Grenfel, não consentiria  que eles se  casassem, se ele  insistisse  em  levá-la  para  o  estrangeiro. Henrique amava a  Lídia  e  o  seu  maior   desejo terrestre  era  estabelecer  um  lar  e   trabalhar  junto  com  ela  na seara  do   Senhor. Acerca  disto, ele  escreveu  no seu  diário: "Continuei  uma  hora  e mais em oração, lutando  contra  o  que  me  ligava.... Cada  vez  que  estava perto de  ganhar  a   vitória, o coração  voltava  para  o  seu   ídolo, e  finalmente, deitei-me  sentindo  grande  mágoa".

     Então  se  lembrou  de  David   Brainerd, o  qual  negava  a  si  mesmo  todos   os  confortos  da civilização, andava grandes distâncias  sozinho  na  floresta, passava  dias  com   fome  e  depois de assim  se  esforçar  por   cinco  anos, voltou  para  falecer  tuberculoso  nos   braços  da  sua  noiva, Jerusa, filha  de  Jônatas   Edwards.

    Por fim, Henrique  Martyn, também, ganhou  a vitória, obedecendo  à chamada  para  sacrificar-se  à   salvação  dos perdidos. Ao  embarcar   para  a   Índia, em  1805, escreveu: "Se   eu  viver  ou morrer, que  Cristo  seja  magnificado pela  colheita  de  multidões  para  Ele".

    A  bordo  do  navio, ao  afastar-se  da  sua   pátria, Henrique  Martyn  chorou  como  uma criança. Contudo  nada podia  desviá-lo  da  sua  firme   resolução de  seguir  a  direção  divina. Ele era "um  tição  arrebatado  do  fogo" e repentinamente  dizia: "Que  eu   seja  uma  chama  de  fogo no  serviço  divino".

    Depois  de  nove  longos  meses  a   bordo, e  quando  já  se  achava  perto  do   seu  destino, passou  um  dia  inteiro em  jejum   e  oração. Sentia  quão  grande  era  o   sacrifício  da  Cruz  e como  era, igualmente, grande   a  sua responsabilidade  para  com  os  perdidos   na  idolatria  da Índia. Continuava  a  repetir: "Tenho  posto  vigias  sobre os teus  muros, ó   Jerusalém; eles  não se calarão  jamais  em   todo  o  dia  nem  em  toda  a  noite: não   descanseis  vós os  que  fazeis lembrar  a   Jeová, e  não  lhe  deis  a  Ele  descanso, até   que  estabeleça, e  até  que  ponha  a Jerusalém   por  objeto  de  louvor  na  terra!" ( Isaías 62:6 ).

     A  chegada  de  Henrique  Martyn  à   Índia, no  mês  de  abril  de  1806, foi  também   em resposta  à  oração  de outros. A   necessidade  era  tão  grande  nesse  país, que  os   poucos obreiros  concordaram  em  se  reunirem  em Calcutá, de  oito  em  oito  dias, para  pedirem  a  Deus  que  enviasse  um  homem  cheio  do   Espírito  Santo  e poder à  Índia. Martyn, logo  ao desembarcar, foi  recebido  alegremente  por  eles   como  a  resposta  às  suas  orações.

     É  difícil  imaginar  o  horror das  trevas  em  que  vivia  esse  povo, entre o qual  Martyn  se achava. Um  dia, perto do   lugar  onde  se  hospedara, ouviu  uma  música  e   viu  a  fumaça  de  uma  das  piras  fúnebres de  que  ouvira  falar antes  de  sair  da   Inglaterra. As  chamas  já  começavam  a  subir  do   lugar  onde  uma  viúva  se  achava  sentada ao lado  do  cadáver  de  seu  marido  morto. Martyn, indignado, esforçou-se, mas  não  pôde  conseguir  salvar   a  pobre vítima.

     Em  outra  ocasião, foi  atraído  pelo   ruído  do  címbalo, a  um  lugar  onde  o   povo  fazia culto  aos  demônios Os adoradores   se  prostravam  perante  o  ídolo, obra  das  suas   próprias mãos, do  qual  adoravam  e temiam! Martyn sentiu-se  mesmo  na  "visinhança  do  Inferno".

    Cercado  de  tais  cenas, ele  se  aplicava   mais  e  mais  e  sem  cansar, dia  após  dia, a aprender a  língua  do povo. Não  desanimava   com  a  falta  de  fruto  da  sua  pregação, reconhecendo  ser de  maior  importância  traduzir as Escrituras  e  colocá-las  nas  mãos do povo. Com esse alvo, perseverava  no  trabalho de tradução, cuidadosamente, aperfeiçoando  a  obra, pouco  a  pouco, e  parando  de  vez  em  quando  para  pedir  o auxílio  de  Deus.

    Como  a  sua  alma  ardia  no  firme   propósito  de  dar  a  Bíblia  ao  povo, vê-se   no  seguinte trecho  de  um  dos seus   sermões  conservado  no  Museu  Britânico:

     "Pensei  na   situação  triste  do  moribundo, que  apenas  conhece   bastante  da  eternidade para  temer  a  morte, mas   não  conhece  bastante  o  Salvador  para  olhar   o  futuro  com  esperança. Não  pode  pedir  uma   Bíblia  para saber  algo  sobre  o  que  se   firmar  nem  pode  pedir  a  esposa  ou  ao   filho  que  lhe  leiam  um  capítulo  para o confortar. A  Bíblia, ah! é  um  tesouro que  eles   nunca  possuíram ! Vós  que  tendes  um  coração   para  sentir  a miséria  do  próximo, vós  que   sabeis   como  a  agonia  de  espírito  é   mais  que  qualquer  sofrimento  do  corpo, vós que   sabeis  que  vem  o  dia  em  que tendes  de   morrer, oh! dai-lhes  aquilo  que  lhes   será  um  conforto  na  hora da  morte!"

     Para  alcançar   esse  alvo, de  dar   as  Escrituras  aos  povos  da  Índia  e  da   Pérsia, Martyn aplicou-se  à  obra da  tradução   de  dia  e  de  noite, até  mesmo  quando   descansava  e quando  em  viagem. Não  diminuía  a sua marcha  quando  o  termômetro  registrava  o   intenso color  de  70  graus  nem  quando sofria  da  febre  intermitente, nem  com  o  avanço   da  peste branca  que  ardia  no  seu  peito.

      Como  David  Brainerd, cuja  biografia sempre  serviu  para  inspirá-lo, Henrique  Martyn  passou  dias  inteiros em intercessão  e   comunhão  com  o  seu  "Amado", seu   querido  Jesus. -"Parece", escreveu  ele, "que  posso orar  para sempre  sem  nunca  me  cansar. Quão   doce  é andar  com  Jesus  e  morrer  por   Ele..." Para  ele, a  oração  não  era   uma  formalidade, mas  o meio  certo  de  quebrantar   os endurecidos  e  vencer  os  adversários.

    Seis  anos  e  meio  depois  de  ter   desembarcado  na  Índia, enquanto  empreendia  longa  viagem, faleceu, com  a idade de 31  anos. Separado dos  irmãos, do  resto  da  família, com noiva esperando-o  na  Inglaterra, e  cercado de perseguidores, foi  enterrado  em  lugar  desconhecido.

     Era  grande  o  ânimo, a  perseverança, o  amor, a  dedicação  com  que  trabalhava  na   seara do  seu  Senhor! O zelo  ardeu  até  ele se  consumir  neste  curto  espaço  de  seis   anos  e  meio. É-nos  impossível  apreciar  quão grande foi  a  sua  obra, feita  em  tão poucos  anos. Além  de pregar, conseguiu  traduzir   porções  das  Sagradas  Escrituras para  as línguas  de  uma  quarta parte  de  todos  os   habitantes  do  mundo. O  Novo  Testamento  em   hindu, hindustão  e  persa e  os  Evangelhos  em   judaico-persa  são  apenas  uma  parte  das  suas   obras.

    Quatro  anos  depois  da  sua  morte, nasceu  Fidélia  Fiske, no  sossego  da  Nova  Inglaterra. Quando  ainda  aluna na  escola, leu  a  biografia  de   Henrique  Martyn. Andou  quarenta  e  cinco quilômetros de  noite, sob  violenta tempestade  de  neve, para   pedir  à  sua  mãe  que  a  deixasse ir   pregar  o  Evangelho  às  mulheres  da  Pérsia. Ao chegar  à  Pérsia  reuniu  muitas  mulheres  e lhes contou  o  amor  de  Jesus, até  que  o   avivamento  em  Oroomiah se  tornou  em  outro  Pentecoste.

    Se  Henrique  Martyn, que  entregou  tudo   para  o  serviço  do  Rei  do  reis, pudesse   visitar  a Índia, e  a  Pérsia, hoje, quão  grande   seria  a  obra  que  encontraria, obra  feita  por   tão  grande número  de  fiéis  filhos  de   Deus, nos quais  ardeu  o  mesmo  fogo  pela   leitura  da  biografia desse  pioneiro.

William Carey

Guilherme Carey

(1761 - 1834)

Autoria Desconhecida

 

O menino  Guilherme  Carey, era  apaixonado   pelo  estudo  da  natureza. Enchia  seu   quarto   de  coleções  de insetos, flores, pássaros, ovos, ninhos, etc. Certo  dia, ao  tentar  alcançar  um  ninho  de   passarinhos, caiu  de  uma árvore bem alta. Ao   experimentar  a  segunda  vez, caiu  novamente. Insistiu   a  terceira  vez: caiu  e  quebrou  a  perna. Algumas semanas  depois, antes  de  a  perna  sarar, Guilherme   entrou  em  casa  com  o  ninho  na  mão. - "Subiste  à árvore novamente?! "exclamou  sua   mãe. - "Não  pude  evitar, tinha  que  possuir  o   ninho, mamãe" respondeu  o menino.

Diz-se  que  Guilherme  Carey, fundador  das   missões  atuais, não  era  dotado  de  inteligência   superior  e  nem  de qualquer  dom  que   deslumbrasse  os  homens. Entretanto, foi  essa   característica  de  persistir, com  espírito  indômito e  inconquistável, até  completar  tudo  quanto   iniciara, que  fez  o  segredo  do  maravilhoso   êxito  da  sua  vida.

Quando  Deus  o  chamava  a  iniciar   qualquer  tarefa, permanecia  firme, dia  após  dia, mês   e  ano  após  ano  até acabá-la. Deixou  o   Senhor  utilizar-se  de  sua  vida, não  somente   para  evangelizar  durante  um  período  de quarenta  e  um  anos  no  estrangeiro, mas  também   para  exercer  a  façanha  por  incrível  que   pareça, de traduzir as Sagradas  Escrituras  em   mais  que  trinta  línguas.

O  avô  e  o  pai  do  pequeno   Guilherme  eram  sucessivamente  professor  e  sacristão (Igreja  Anglicana)  da Paróquia. Assim  o  filho   aprendeu  o  pouco  que  o  pai  podia   ensinar-lhe. Mas  não  satisfeito  com  isso, Guilherme continuou  seus  estudos  sem  mestre.

Aos  doze  anos  adquiriu  um  exemplar   do Vocabulário  Latino, por Dyche, o  qual   decorou. Aos  quatorze  anos iniciou  a  carreira   como  aprendiz  de  sapateiro. Na  loja  encontrou   alguns  livros, dos  quais  se  aproveitou  para estudar. Assim  iniciou  o  estudo  do  grego. Foi   nesse  tempo  que  chegou  a reconhecer  que  era   um  pecador perdido, e  começou  a  examinar   cuidadosamente  as  Escrituras.

Não  muito  depois  da  sua   conversão, com  18  anos  de  idade, pregou  seu   primeiro  sermão. Ao  reconhecer  que o  batismo   por  imersão  é  bíblico  e  apostólico, deixou   a  denominação  a  que  pertencia. Tomava  emprestado livros  para  estudar  e, apesar  de  viver  em   pobreza, adquiria  alguns  livros  usados. Um  de  seus   métodos  para aumentar  o  conhecimento  de  outras   línguas, consistia  em  ler  diariamente  a  Bíblia   em  latim, em  grego  e  em hebraico.

Com  a  idade  de  vinte  anos, casou-se. Porém  os  membros  da  igreja  onde  pregava  eram   pobres  e  Carey  teve de  continuar  seu   ofício  de  sapateiro  para  ganhar  o  pão   cotidiano. O  fato  de  o  senhor  Old, seu  patrão, exibir na  loja  um  par  de  sapatos  fabricados por Guilherme, como  amostra, era  prova  da  habilidade   do  rapaz.

Foi  durante  o  tempo  que  ensinava   geografia  em  Moulton, que  Carey  leu  o  livro   As  Viagens  do  Capitão Cook e  Deus   falou  à  sua  alma  acerca  do  estado  abjeto   dos  pagãos  sem  o  Evangelho. Na  sua  tenda de sapateiro afixou  na  parede  um  grande mapa-mundi, que  ele  mesmo  desenhara  cuidadosamente. Incluíra  neste mapa  todos os  dizeres  disponíveis: o   número  exato  da  população, a  flora  e  a   fauna, as  características  dos indígenas, etc..., de  todos   os  países. Enquanto  consertava  sapatos, levantava  os   olhos, de  vez  em  quando, para o mapa  e meditava  sobre  as  condições  dos  vários  povos   e a  maneira  de  os  evangelizar. Foi  assim  que   sentiu mais e mais  a  chamada  de  Deus para  preparar  a  Bíblia, para  os  muitos   milhões  de  hindus, na  própria  língua deles.

A  denominação  a  que  Guilherme   pertencia, depois  de  aceitar  o  batismo  por   imersão, achava-se em grande decadência espiritual. Isto foi  reconhecido  por  alguns  dos  ministros, os   quais  concordaram  em  passar "uma  hora  em   oração  na  primeira  segunda-feira  de  todos  os   meses" pedindo  de  Deus  um  grande  avivamento na  denominação. De  fato  esperavam  um  despertamento, mas, como  acontece  muitas  vezes, não  pensaram  na  maneira  em  que  Deus  lhes  responderia.

As  igrejas  de  então  não   aceitavam  a  idéia, que  consideravam  absurda, de   levar  o  Evangelho  aos  pagãos. Certa  vez, numa   reunião  do  ministério, Carey  levantou-se  e  sugeriu   que  ventilassem  este  assunto: O  dever  dos crentes  em  promulgar  o  Evangelho  às  nações   pagãs. O  venerável  presidente  da  reunião, surpreendido, pôs-se em  pé  e  gritou: "Jovem, sente-se! Quando   agradar  a  Deus  converter  os  pagãos, ele  o   fará  sem  o  seu  auxílio, nem  o  meu".

Porém  o  fogo  continuou  a  arder   na  alma  de  Guilherme  Carey. Durante  os  anos   que  se  seguiram  esforçou-se ininterruptamente, orando, escrevendo  e  falando  sobre  o  assunto  de  levar   Cristo  a  todas  as  nações. Em  maio de   1792, pregou  seu  memorável  sermão  sobre  Isaías 54:2, 3: "Amplia  o  lugar  da  tua  tenda, e   as  cortinas  das tuas habitações  se  estendam; não  o  impeças; alonga  as  tuas  cordas, e  firma   bem  as  tuas  estacas. Porque transbordarás  à   mão direita e à  esquerda; e  a  tua  posteridade   possuirá  as  nações  e  fará  que  sejam   habitadas as  cidades  assoladas".

Discursou  sobre  a  importância  de   esperar  grandes  coisas  de  Deus  e, em  seguida, enfatizou  a  necessidade  de tentar  grandes  coisas   para  Deus.

O  auditório  sentiu-se  culpado  de   negar  o  Evangelho  aos  países  pagãos, a  ponto   de  "levantar  vozes  em choro".  Foi   então  organizado  a  primeira  sociedade  missionária   na  história  das  Igrejas  de  Cristo  para  a pregação  do  Evangelho  entre  os  povos     nuca  evangelizados. Alguns  como  Brainerd, Eliot   e  Schwartz  já tinham ido  pregar  em   lugares  distantes, mas  sem  que  as  igrejas  se   unissem  para  sustentá-los.

Apesar  de  a  sociedade  ser  o   resultado  da  persistência  e  esforço  de   Carey, ele  mesmo  não  tomou  parte  da sua   formação. O  seguinte, porém, foi  escrito  acerca  dele   nesse  tempo: "Aí  está  Carey, de  estatura  pequena, humilde  de  espírito, quieto  e  constante; tem  transmitido   o  espírito  missionário  aos  corações  dos irmãos, e  agora quer  que  saibam  da  sua   prontidão  em  ir  onde  quer  que  eles   desejam, e  está  bem  contente  que  formulem todos  os  planos".

Nem  mesmo  com  esta  vitória, foi   fácil  para  Guilherme  Carey  concretizar  o  sonho   de levar  Cristo  aos  países que  jaziam  nas   trevas, Dedicava  o  seu  espírito  indômito  à   alcançar  o  alvo   que  Deus  lhe   marcara.

A  igreja  onde  pregava  não  consentia   que  deixasse  o  pastorado: somente  com  a  visita   dos  membros  da sociedade  a  ela  é  que   este  problema  foi  resolvido. No  relatório  da   igreja  escreveram: "Apesar  de concordar com  ele, não   achamos  bom  que  nos  deixe  aquele  a  quem   amamos  mais   que  a  nossa  própria  alma".

Entretanto, o  que  mais  sentiu  foi   quando  a  sua  esposa  recusou   terminantemente   deixar  a  Inglaterra  com  os filhos. Carey  estava   tão  certo  que  Deus  o  chamava  para   trabalhar  na  Índia  que  nem  por  isso   vacilou.

Havia  outro  problema  que  parecia   insolúvel:  Era  proibida  a  entrada  de  qualquer   missionário  na  Índia. Sob  tais circunstâncias  era   inútil  pedir  licença  para  entrar. Mesmo  nestas   condições, conseguiram  embarcar  sem  esse documento. Infelizmente  o  navio  demorou  algumas  semanas  e, pouco   entes  de  partir, os  missionários  receberam ordem   de  desembarcar.

A  sociedade  missionária, apesar  de   tantos  contratempos, continuou  a  confiar  em  Deus; conseguiram  granjear dinheiro  e  compraram  passagem   para  a  Índia  em  um  navio  dinamarquês. Uma vez  mais  Carey  rogou  à  sua querida   esposa  que  acompanhasse. Ela  ainda  persistia  na   recusa  e  nosso  herói, ao  despedir-se  dela, disse: "Se eu  possuísse  o  mundo  inteiro, daria   alegremente  tudo  pelo  privilégio  de  levar-te  e   os  nossos  filhos queridos comigo; mas  o  sentido   do  meu  dever  sobrepuja  todas  as  outras   considerações. Não  posso voltar  para  trás sem   incorrer  em  culpa  a  minha  alma".

Porém, antes  de  o  navio  partir, um  dos  missionários  foi  à  casa  de  Carey. Grande  foi  a  surpresa  e  o  regozijo de   todos  ao  saberem  que  esse  missionário   conseguiu  induzir  a  esposa  de  Carey  a   acompanhar  o  seu  marido. Deus  comoveu  o   coração  do  comandante  do  navio  a  levá-la   em  companhia  dos  filhos, sem  pagar  passagem.

Certamente  a  viagem  a  vela  não   era  tão  cômoda  como  nos  vapores  modernos. Apesar  dos  temporais, Carey aproveitou-se  do  ensejo   para  estudar  o  bengali  e  ajudar  um  dos   missionários  na  obra  de  verter  o  livro   de Gênesis  para  a  língua  bengaleza.

Guilherme  Carey  aprendeu  suficiente  o bengali, durante  a  viagem, para  conversar  com  o   povo. Pouco  depois  de desembarcar, começou  a  pregar e os  ouvintes  vinham  para  ouvir  em número  sempre  crescente.

Carey  percebeu  a  necessidade  imperiosa   de  o  povo  possuir  a  Bíblia  na  própria   língua  e, sem  demora, entregou-se  à  tarefa  de   traduzi-la. A  rapidez  com  que  aprendeu  as   línguas  da  Índia  é  uma  admiração  para os maiores  lingüistas.

Ninguém  sabe  quantas  vezes  o  nosso   herói  se  mostrou  desanimadíssimo  na Índia. A   esposa  não  tinha  interesse nos  esforços  de   seu  marido  e  enlouqueceu. A  maior  parte  dos   ingleses  com  quem  Carey  teve  contato, o tinham   como  louco; durante  quase  dois  anos  nenhuma   carta  da  Inglaterra  lhe  chegou  às  mãos. Muitas  vezes faltava  aos  seus, dinheiro  e  alimento. Para  sustentar  a  família, o  missionário  tornou-se lavrador  da  terra  e empregou-se  em  uma   fábrica de  anil.

Durante  mais  de  trinta  anos   Carey  foi  professor  de  línguas  orientais  no   colégio  de  Fort  Williams. Fundou também, o Serampore   College  para  ensinar  os  obreiros. Sob  a  sua   direção, o  colégio  prosperou, preenchendo um  grande   vácuo  na  evangelização  do  país.

Ao  chegar  à  Índia, Carey  continuou os estudos  que  começara  quando  menino. Não somente  fundou  a  Sociedade de Agricultura e Horticultura, mas criou um dos melhores jardins botânicos, redigiu e publicou o "Hortus Bengalensis". O livro  "Flora  Índica", outra   de  suas  obras, foi  considerado  obra-prima  por   muitos  anos.

Não  se  deve  concluir, contudo, que, para Guilherme  Carey, a  horticultura  fosse  mais  que  um  passe tempo. Passou, também, muito  tempo  ensinando nas escolas de crianças  pobres. Mas, acima  de tudo, sempre  lhe  ardia  no  coração o  desejo   de  se esforçar  na  obra  de  ganhar  almas.

Quando  um  de  seus  filhos    começou  a  pregar, Carey  escreveu: "Meu  filho, Félix, respondeu  à  chamada  para pregar  o  Evangelho" . Anos  depois, quando  esse  filho  aceitou  o   cargo  de  embaixador  da  Grã  Bretanha  no São, o  pai, desapontado  e  angustiado, escreveu  para   um  amigo: "Félix  encolheu-se  até  tornar-se   um embaixador!"

Durante  o  período  de  quarenta  e   um  anos, que  passou  na  Índia, não  visitou  a   Inglaterra. Falava, embora  com dificuldade, mais  de  trinta línguas da Índia, dirigia a tradução  da   Escrituras  em  todas  elas  elas  e  foi   apontado  ao serviço  árduo  de  tradutor  oficial   do  governo. Escreveu  várias  gramáticas indianas e compilou  notáveis  dicionários do  idioma  bengali, marati  e  sânscrito. O  dicionário  do  idioma  bengali  consta  de  três  volumes  e  inclui  todas  as palavras  da  língua, traçadas  até  a  sua   origem  e  definidas  em  todos  os  seus   sentidos.

Tudo  isto  era  possível  porque   sempre  economizava  o  tempo, segundo  se  deduz  do   que  escreveu  seu  biógrafo: "Desempenhava  estas  tarefas  hérculas   sem  pôr  em  risco  a  saúde, aplicando-se   metódica  e rigorasamente  ao seu  programa  de   trabalho, ano  após  ano. Divertia-se, passando  de  uma   tarefa  para outra. Dizia  que  se perde mais tempo, trabalhando inconstante e  indolentemente  do  que   nas  interrupções de  visitas. Observava, portanto, a  norma  de  entrar, sem  vacilar, na  obra  marcada  e  de não  deixar  coisa alguma  desviar  a  sua   atenção para  qualquer  outra  coisa  durante   aquele  período".

O seguinte escrito pedindo desculpas a  um  amigo pela  demora  em  responder-lhe a carta, mostra  como  muitas  das sua  obras   avançavam  juntas: "Levantei-me  hoje  às  seis, li   um  capítulo  da  Bíblia  hebraica; passei o resto do tempo, até  às  sete, em  oração. Então   assisti  ao  culto  doméstico  em  bengali, com  os criados. Enquanto  esperava o  chá, li  um  pouco   em   persa  com  um  munchi  que  me esperava; li  também, antes de  comer, uma  porção   das Escrituras  em  industani. Logo  depois  de comer  sentei-me, com  um  pundite que  me esperava, para  continuar  a tradução  do  sânscrito para  o  ramayuma. Trabalhamos  até  as  dez horas, quando  então  fui   ao  colégio  para ensinar   até  quase  as  duas  horas  da  tarde. Ao   voltar  para casa, li  as  provas  da    tradução  de  Jeremias  em bengali, só  findando   em  tempo  para  jantar. Depois  do jantar, traduzi, ajudado  pelo  pudite  chefe  do  colégio, a maior   parte  do  capítulo  oito  de  Mateus  em sânscrito. Nisto  fiquei  ocupado  até  as  seis. Depois   das  seis assentei-me  com  um  pundite  de  Telinga, para  traduzir  do  sânscrito  para  a   língua  dele. Às  sete  comecei  a meditar  sobre a  mensagem  para  um sermão  e  preguei  em   inglês, às  sete  e  meia. Cerca  de  quarenta pessoas assistiram  ao culto, entre  as quais, um   juiz  do  Sudder Dewany'dawlut. Depois  do  culto, o   juiz  contribuiu com 500 rupias  para  a construção  de  um  novo templo. Todos  os  que  assistiram  ao  culto  tinham  saído  às   nove  horas; sentei-me  para  traduzir  o  capítulo   onze  de  Ezequiel  para  o  bengali. Findei  às   onze, e  agora  estou escrevendo esta  carta. Depois   encerrarei  o  dia  com  oração. Não  há  dia   em  que  disponha  de  mais tempo  do  que   isto, mas  o  programa  varia".

Com  o  avanço  da   idade, seus  amigos  insistiam  em   que  diminuísse   os  seus  esforços, mas  a  sua  aversão  à inatividade  era  tal, que  continuava  trabalhando  mesmo quando  a  força  física  não  dava  para a  necessária energia mental. Por  fim, viu-se obrigado a ficar de cama, onde continuava a corrigir as provas das traduções.

Finalmente, em 9 de junho de 1834, com  a  idade  de  73 anos, Guilherme Carey dormiu em Cristo.

A  humildade  era  uma  das   características  mais  destacadas  da  sua  vida. Conta-se  que, no  zênite da  fama, ouviu certo  oficial   inglês  perguntar  cinicamente: "O grande doutor Carey não  era  sapateiro? "Carey, ao ouvir casualmente  a  pergunta, respondeu: - "Não, meu  amigo, era  apenas  um  remendão".

Quando  Guilherme  Carey  chegou  à   Índia, os  ingleses  negaram-lhe  permissão  para   desembarcar. Ao  morrer, porém, o  governo  mandou  içar   as  bandeiras  a  meia  haste  em  honra  de   um  herói  que  fizera  mais  para  a  Índia do que todos  os  generais  britânicos.

Calcula-se que traduziu a Bíblia para a terça parte dos habitantes do  mundo. Assim escreveu um de seus sucessores, o missionário Wenger: "Não sei como Carey conseguiu fazer nem a quarta  parte das suas traduções. Faz cerca de vinte anos (em 1855), que alguns missionários, ao apresentarem o Evangelho no Afeganistão, acharam que a única versão que esse  povo entendia  era  o   Pushtoo, feita  em  Sarampore  por Carey".

O  corpo  de  Guilherme  Carey   descansa, mas  a  sua  obra  continua  a  servir   de  bênção  a  uma  grande  parte do  mundo.

D. L. Moody

Dwight Lyman Moody

(1837 - 1899)

Autoria Desconhecida

 

Tudo aconteceu durante uma das famosas campanhas de Moody e Sankey para salvar almas. A noite de uma segunda-feira tinha sido reservada para um discurso dirigido aos materialistas. Carlos Bradlaugh, campeão do ceticismo, então no zênite da fama, ordenou que todos os membros dos clubes que fundara assistissem à reunião. Assim, cerca de 5.000 homens, resolvidos a dominar o culto, entraram e ocuparam todos os bancos.

Moody pregou sobre o texto: "A rocha deles não é como a nossa Rocha, sendo os nossos próprios inimigos os juizes" (Deuteronômio 32: 31).

"Com uma rajada de incidentes pertinentes e comoventes das suas experiências com pessoas presas ao leito de morte, Moody deixou que os homens julgassem por si mesmo quem tinha melhor alicerce sobre o qual deviam basear sua fé e esperança. Sem querer, muitos dos assistentes tinham lágrimas nos olhos. A grande massa de homens demonstrando o mais negro e determinado desafio a Deus estampado nos seus rostos, encarou o contínuo ataque de Moody aos pontos mais vulneráveis, isto é, o coração e o lar.

"Ao findar, Moody disse: 'Levantemo-nos para cantar: Oh! vinde vós aflitos! e, enquanto o fazemos, os porteiros abram todas as portas para que possam sair todos os que quiserem. Depois faremos o culto, como de costume, para aqueles que desejam aceitar o Salvador'. Uma das pessoas que assistiu a esse culto, disse: 'Eu esperava que todos saíssem imediatamente, deixando o prédio vazio. Mas a grande massa de cinco mil homens se levantou, cantou e assentou-se de novo; nenhum deles deixou seu assento!'"

"Moody, então disse: 'Quero explicar quatro palavras: Recebei, crede, confiai, aceitai'. Um grande sorriso passou de um a outro em todo aquele mar de rostos. Depois de falar um pouco sobre a palavra recebei, fez um apelo: 'Quem quer recebê-lo? É somente dizer: 'Quero'. Cerca de cinqüenta dos que estavam em pé e encostado às paredes, responderam: 'Quero', mas nenhum dos que estavam sentados. Um homem exclamou: 'Não posso'. Moody então replicou: 'Falou bem e com razão, amigo; foi bom ter falado. Escute e depois poderá dizer: 'Eu posso'. Moody então explicou o sentido da palavra crer e fez o segundo apelo: 'Quem dirá: Quero crer nele?' De novo alguns dos homens que estavam em pé responderam, aceitando, mas um dos chefes dirigente dum clube, bradou: 'Eu não quero!' Moody, vencido pela ternura e compaixão, respondeu com voz quebrantada: 'Todos os homens que estão aqui esta noite têm de dizer: Eu quero ou Eu não quero'".

"Então, levou todos a considerarem a história do Filho Pródigo, dizendo: 'A batalha é sobre o querer - só sobre o querer. Quando o Filho Pródigo disse: Levantar-me-ei a luta foi ganha, porque alcançara o domínio sobre a sua própria vontade. É com referência a este ponto que depende de tudo hoje. Senhores, tendes aí em vosso meio o vosso campeão, o amigo que disse: Eu não quero. Desejo que todos aqui, que acreditam que esse campeão tem razão, levantem-se e sigam o seu exemplo, dizendo: Eu não quero'. Todos ficaram quietos e houve silêncio até que, por fim, Moody interrompeu, dizendo: 'Graças a Deus! Ninguém disse: Eu não quero. Agora quem dirá: Eu quero? Instantaneamente parece que o Espírito Santo tomou conta do grande auditório de inimigos de Jesus Cristo, e cerca de quinhentos homens puseram-se de pé, as lágrimas rolando pelas faces e gritando: 'Eu quero! Eu quero!' Clamando até que todo o ambiente se transformou. A batalha foi ganha".

"O culto terminou sem demora, para que se começasse a obra entre aqueles que estavam desejosos de salvação. Em oito dias, cerca de dois mil foram transferidos das fileiras do inimigo para o exército do Senhor, pela rendição da vontade. Os anos que se seguiram provaram a firmeza da obra, pois os clubes nunca mais se ergueram. Deus, na sua misericórdia e poder, os aniquilou por seu Evangelho".

Um total de quinhentas mil preciosas almas ganhas para Cristo, é o cálculo da colheita que Deus fez por intermédio de seu humilde servo, Dwight Lyman Moody. R. A. Torrey, que o conheceu intimamente, considerava-o, com razão, o maior homem do século XIX, isto é, o homem mais usado por Deus para ganhar almas.

Que ninguém julgue, contudo, que D. L. Moody era grande em si mesmo ou que tinha oportunidades que os demais não têm. Seus antepassados eram apenas lavradores que viveram por sete gerações, ou duzentos anos, no vale do Connecticut, nos Estados Unidos. Dwight nasceu a 5 de fevereiro de 1837, de pais pobres, o sexto entre nove filhos. Quando era ainda pequeno, seu pai faleceu e os credores tomaram conta do que ficou, deixando a família destituída de tudo, até da lenha para aquecer a casa em tempo de intenso frio.

Não há história que comova e inspire tanto quanto a daqueles anos de luta da viúva, mãe de Dwight. Poucos meses depois da morte de seu marido, nasceram-lhe gêmeos e o filho mais velho tinha apenas doze anos. O conselho de todos os parentes foi que ela entregasse os filhos para outros criarem. Mas com invencível coragem e santa dedicação a seus filhos, ela conseguiu criar todos os nove filhos no próprio lar. Guarda-se ainda, como tesouro precioso, sua Bíblia com as palavras de Jeremias 49:11 sublinhadas: "Deixa os teus órfãos, eu os conservarei em vida; e confiem em mim tuas viúvas".

- "Pode-se esperar outra coisa a não ser que os filhos ficassem ligados à mãe e que crescessem para se tornarem homens e mulheres que conhecessem o mesmo Deus que ela conhecia?"- Assim se expressou Dwight, ao lado do ataúde quando ela faleceu com a idade de noventa anos: - "Se posso conter-me, quero dizer algumas palavras. É grande honra ser filho de uma mãe como ela. Já viajei muito, mas nunca encontrei alguém como ela. Ligava a si seus filhos de tal maneira que representava um grande sacrifício para qualquer deles afastar-se do lar. Durante o primeiro ano depois que o meu pai faleceu, ela adormecia todas as noites chorando. Contudo, estava sempre alegre e animada na presença dos filhos. As saudades serviam para chegá-la mais perto de Deus. Muitas vezes eu me acordava e ela estava orando, às vezes, chorando. Não posso expressar a metade do que desejo dizer. Aquele rosto, como é querido! Durante cinqüenta anos não senti gozo maior do que o gozo de voltar a casa. Quando estava ainda a setenta e cinco quilômetros de distância, já me sentia tão inquieto e desejoso de chegar que me levantava do assento para passear pelo carro até o trem chegar à estação... Se chegava depois de anoitecer, sempre olhava para ver a luz na janela da minha mãe. Senti-me tão feliz esta vez por chegar a tempo de ela ainda me reconhecer! Perguntei-lhe: - 'Mãe, me reconhece? Ela respondeu: - 'Ora, se eu te reconheço! 'Aqui está a sua Bíblia, assim gasta, porque é a Bíblia do lar; tudo que ela tinha de bom veio deste Livro e foi dele que nos ensinou. Se minha mãe foi uma bênção para o mundo é porque bebia desta fonte. A luz da viúva brilhou do outeiro durante cinqüenta anos. Que Deus a abençoe, mãe; ainda a amamos! Adeus, por um pouco, mãe!"

Todos os filhos da viúva Moody assistiam aos cultos nos domingos; levavam merenda para passar o dia inteiro na igreja. Tinham de ouvir dois prolongados sermões e, no intervalo, assistir à Escola Dominical. Dwight, depois de trabalhar a semana inteira, achava que sua mãe exigia demais obrigando-o a assistir aos sermões, os quais não compreendia. Mas, por fim, chegou a ser agradecido a essa boa mãe pela dedicação nesse sentido.

Com a idade de dezessete anos, Moody saiu de casa para trabalhar na cidade de Boston, onde achou emprego na sapataria de um tio seu. Continuou a assistir aos cultos, mas ainda não era salvo.

Notai bem, os que vos dedicais à obra de ganhar almas: não foi num culto que Dwight Moody foi levado ao Salvador. Seu professor da Escola Dominical, Eduardo Kimball, conta: "Resolvi falar-lhe acerca de Cristo e de sua alma. Vacilei um pouco em entrar na sapataria, não queria embaraçar o moço durante as horas de serviço. Por fim, entrei, resolvido a falar sem mais demora. Achei Moody nos fundos da loja, embrulhando calçados. Aproximei-me logo dele e, colocando a mão sobre seu ombro, fiz o que depois parecia ser um apelo fraco, um convite para aceitar a Cristo. Não me lembro do que eu disse, nem mesmo Moody podia lembrar-se alguns anos depois. Simplesmente falei do amor de Cristo para com ele, e o amor que Cristo esperava dele, de volta. Parecia-me que o moço estava pronto para receber a luz que o iluminou naquele momento e, lá nos fundos da sapataria, entregou-se a Cristo".

Era costume das igrejas daquela época, alugarem os assentos. Moody, logo depois da sua conversão, transbordando de amor para com o seu Salvador, pagou aluguel de um banco, percorrendo as ruas, hotéis e casas de pensão solicitando homens e meninos para enchê-lo em todos os cultos. Depois alugou mais um, depois outro, até conseguir encher quatro bancos, todos os domingos. Mas isso não era suficiente para satisfazer o amor que sentia para com os perdidos. Certo domingo visitou uma Escola Dominical em outra rua. Pediu permissão para ensinar também uma classe. O dirigente respondeu: "Há doze professores e dezesseis alunos, porém o senhor pode ensinar todos os alunos que conseguir trazer à escola". Foi grande a surpresa de todos quando Moody, no domingo seguinte, entrou com dezoito meninos da rua, sem chapéu, descalços e de roupa suja e esfarrapada, mas, como ele disse: "Todos com uma alma para ser salva". Continuou a levar cada vez mais alunos à Escola até que, alguns domingos depois, no prédio não cabiam mais; então resolveu abrir outra escola em outra parte da cidade. Moody não ensinava, mas arranjava professores, providenciava o pagamento do aluguel e de outras despesas. Em poucos meses essa escola veio a ser a maior da cidade de Chicago. Não julgando conveniente pagar outros para trabalhar no domingo, Moody, cedo, pela manhã, tirava as pipas de cerveja (outros ocupavam o prédio durante a semana), varria e preparava tudo para o funcionamento da escola. Depois, então, saía par convidar alunos. Às duas horas, quando voltava de fazer os convites, achava o prédio repleto de alunos.

Depois de findar a escola, ele visitava os ausentes e convidava todos para estarem a pregação, à noite. No apelo, após o sermão, todos os interessados era convidados a ficar para um culto especial, no qual tratavam individualmente com todos. Moody também participava nessa colheita de almas.

Antes de findar o ano, 600 alunos, em média, assistiam à Escola Dominical, divididos em 80 classes. A seguir a assistência subia a 1.000 e, as às vezes, a 1.500.

Ao mesmo tempo que Moody se aplicava à Escola Dominical com tais resultados, esforçava-se, também, no comércio todos os dias. O grande alvo da sua vida era vir a ser um dos principais comerciantes do mundo, um multimilionário. Não tinha mais de 23 anos é já tinha ajuntado 7.000 dólares! Mas seu Salvador tinha um plano ainda mais nobre para seu servo.

Certo dia, um dos professores da Escola Dominical entrou na sapataria onde Moody negociava. Informou-o de que estava tuberculoso e que, desenganado pelos médicos, resolvera voltar para Nova Iorque e aguardar a morte. Confessou-se muito perturbado, não porque tinha de morrer, mas porque até então não conseguira levar ao Salvador nenhuma das moças da sua classe da Escola Dominical. Moody, profundamente comovido, sugeriu que visitassem juntos as moças em suas casas, uma por uma. Visitaram uma, o professor falou-lhe seriamente acerca da salvação da sua alma. A moça deixou seu espírito leviano e começou a chorar, entregando-se ao seu Salvador. Todas as outras moças que foram visitadas naquele dia fizeram o mesmo.

Passados dez dias, o professor foi novamente à sapataria. Com grande gozo informou a Moody que todas as moças se haviam entregado a Cristo. Resolveram então convidar todas para um culto de oração e despedida na véspera da partida do professor para Nova Iorque. Todos se ajoelharam e Moody, depois de fazer uma oração, estava para se levantar quando uma das moças começou, também, a orar. Todos oraram suplicando a Deus em favor do professor. Ao sair Moody suplicou: "Ó Deus, permite-me morrer antes de perder a bênção que recebi hoje aqui!"

Moody, mais tarde, confessou: "Eu não sabia o preço que tinha de pagar, como resultado de haver participado na evangelização individual das moças. Perdi todo o jeito de negociar; não tinha mais interesse no comércio. Experimentara um outro mundo e não mais queria ganhar dinheiro...Oh! delícia, a de levar uma alma das trevas desde mundo à gloriosa luz e liberdade do Evangelho!"

Então, não muito depois de casar-se, com a idade de vinte e quatro anos, Moody deixou um bom emprego com salário de cinco mil dólares por ano, um salário fabuloso naquele tempo, para trabalhar todos os dias no serviço de Cristo, sem ter promessa de receber um único cêntimo. Depois de tomar essa resolução, apressou-se em ir à firma B. F. Jacobs & Cia., onde, muito comovido, anunciou: - "Já resolvi empregar todo o meu tempo no serviço de Deus!" - "Como vai manter-se?" - "Ora, Deus me suprirá de tudo se Ele quiser que eu continue; e continuarei até ser obrigado a desistir".

A parte da biografia de D. L. Moody que trata dos primeiros anos do seu ministério está repleta de proezas feitas na carne. Mencionamos aqui apenas uma, isto é, o fato de Moody fazer 200 visitas em um só dia. Ele mesmo mais tarde se referia àqueles anos como uma manifestação do "zelo de Deus, mas sem entendimento", acrescentando: "Há, contudo muito mais esperança para o homem com zelo e sem entendimento do que para o homem de entendimento sem zelo".

Rompeu a tremenda Guerra Civil e Moody chegou com os primeiros soldados ao acampamento militar onde armou uma grande tenda para os cultos. Depois ajuntou dinheiro e levantou um templo onde dirigiu 1.500 cultos durante a guerra. Uma pessoa que o conhecia assim comentou sua ação: "Moody precisava estar constantemente em todos os lugares, dia e noite, nos domingos e todos os dias da semana; orando, exortando, tratando com os soldados acerca das suas almas, regozijando-se nas oportunidades abundantes de trabalhar no grande fruto ao seu alcance por causa da guerra".

Depois de findar a guerra, dirigiu uma campanha para levantar em Chicago um prédio para os cultos, com capacidade para três mil pessoas. Quando, mais tarde esse edifício foi destruído por um incêndio, ele e dois outros iniciaram outra campanha, antes de os escombros haverem esfriados, para levantar novo edifício. Trata-se do Farwell Hall II, que se tornou um grande centro religioso em Chicago. O segredo desse êxito foram os cultos de oração que se realizavam diariamente, ao meio-dia, precedidos por uma hora de oração de Moody, escondido no vão debaixo da escada .

No meio desses grandes esforços, Moody resolveu, inesperadamente, fazer uma visita à Inglaterra.

Em Londres, antes de tudo, foi ouvir Spurgeon pregar no Metropolitan Tabernacle. Já tinha lido muito do que "o príncipe dos pregadores" escrevera, mas ali pôde verificar que a grande obra não era de Spurgeon, mas de Deus, e saiu de lá com uma outra visão.

Visitou Jorge Müller e o orfanato em Bristol. Desde aquele tempo a Autobiografia de Müller exerceu tanta influência sobre ele como já o tinha feito "O Peregrino", de Bunyan.

Entretanto, nessa viagem, o que levou Moody a buscar definitivamente uma experiência mais profunda com Cristo, foram estas palavras proferidas por um grande ganhador de almas de Dubim, Henrique Varley: "O mundo ainda não viu o que Deus fará com, para, e pelo homem inteiramente a Ele entregue". Moody disse consigo mesmo: "Ele não disse por um grande homem, nem por um sábio, nem por um rico, nem por um eloqüente, nem por um inteligente, mas simplesmente por um homem. Eu sou um homem, e cabe ao homem mesmo resolver se deseja ou não consagrar-se assim. Estou resolvido a fazer todo o possível para ser esse homem". Apesar de tudo isso, Moody, depois de voltar à América, continuava a se esforçar e a empregar métodos naturais. Foi nessa época que a cidade de Chicago foi reduzida a cinzas no pavoroso incêndio de 1871.

Na noite do início do pavoroso incêndio, Moody pregou sobre este tema: - "Que farei, então de Jesus, chamado Cristo? Ao concluir ser sermão, ele disse ao auditório, o maior a que pregara em Chicago: "Quero que leveis esse texto para casa e nele meditais bem durante a semana e no domingo vindouro iremos ao Calvário e à cruz e resolveremos o que faremos de Jesus de Nasaré".

- "Como errei!" Disse Moody, depois. – "Não me atrevo mais a conceder uma semana de prazo ao perdido para decidir sobre a salvação. Se se perderem serão capazes de se levantar contra mim no juízo. Lembro-me bem de como Sankey cantou e como sua voz soou quando chegou a estrofe de apelo: "O Salvador chama para o refúgio. Rompe a tempestade e breve vem a morte".

"Nunca mais vi aquele auditório. Ainda hoje desejo chorar... Prefiro ter a mão direita decepada, a conceder ao auditório uma semana para decidir o que fará de Jesus. Muitos me censuram dizendo: - "Moody, o senhor quer que o povo se decida imediatamente. Por que não lhe dá tempo para consultar?"

"Tenho pedido a Deus muitas vezes que me perdoe por ter dito naquela noite que podiam passar oito dias para considerar, e se Ele poupar minha vida não farei de novo".

O grande incêndio rugiu e ameaçou durante quatro dias; consumindo Farwell Hall, o templo de Moody e a sua própria residência. Os membros da igreja foram todos dispersos. Moody reconheceu que a mão de Deus o castigara para o ensinar, e isso tornou-se para ele motivo de grande regozijo.

Foi a Nova Iorque, a fim de granjear dinheiro para os flagelados do grande incêndio. Acerca do que se passou, ele mesmo escreveu: "Não sentia o desejo no coração de solicitar dinheiro. Todo o tempo eu clamava a Deus pedindo que me enchesse do seu Espírito. Então, certo dia, na cidade de Nova Iorque - Ah! que dia! Não posso decrevê-lo, nem quero falar no assunto; é experiência quase sagrada demais para ser mencionada. O apóstolo Paulo teve uma experiência acerca da qual não falou por catorze anos. Posso apenas dizer que Deus se revelou a mim e tive uma experiência tão grande do seu amor que tive de rogar-lhe que retirasse de mim sua mão. Não quero voltar para viver de novo como vivi outrora nem que eu pudesse possuir o mundo inteiro".

Acerca dessa experiência, um de seus biógrafos acrescentou: "O Moody que andava na rua parecia outro. Nunca jamais bebera mosto, mas então conhecia a diferença entre o júbilo que Deus dá e o falso júbilo de Satanás. Enquanto andava, parecia-lhe que um pé dizia a cada passo, 'Glória!' e o outro respondia, 'Aleluia!'. O pregador rompeu em soluços, balbuciando: 'Ó Deus, constrange-nos andar perto de ti para todo o sempre'".

O Senhor supriu dinheiro para Moody construir um edifício provisório para realizar os cultos em Chicago. Era de madeira rústica, forrada de papel grosso para evitar o frio; o teto era sustentado por fileiras de estacas colocadas no centro. Nessa templo provisório realizaram-se os cultos durante três anos, no meio dum deserto de cinzas. A maior parte do trabalho de construção fora feita pelos membros que moravam em ranchos ou mesmos em lugares escavados por debaixo das calçadas das ruas. Ao primeiro culto assistiram mais de mil crianças com seus respectivos pais !

Esse templo provisório serviu de morada para Moody e Sankey, seu evangelista-cantor; eram tão pobres como os outros em redor, mas tão cheios de esperança e gozo que conseguiram levar muitos a Cristo e se tornaram ricos, apesar de nada possuírem. Onda após onda de avivamento passou sobre o povo. Os cultos continuavam dia e noite, quase sem cessar, durante alguns meses. Multidões choravam seus pecados, às vezes dias inteiros e no dia seguinte, perdoados, clamavam e louvavam em gratidão a Deus. Homens e mulheres até então desanimados participavam do gozo transbordante de Moody, transformado pelo batismo com o Espírito Santo.

Não muito depois de haver construído o templo permanente (com assentos para 2.000 pessoas - e sem endividar-se), Moody fez a sua segunda viagem à Inglaterra. Nos seus primeiros cultos nesse país, encontrou igrejas frias, com pouca assistência e o povo sem interesse nas suas mensagens. Mas a unção do Espírito, que Moody recebera nas ruas de Nova Iorque, ainda permanecia na sua alma e Deus o usou como seu instrumento para um avivamento mundial .

Não desejava métodos sensacionais, mas usou os mesmos métodos humildes até o fim da vida: sermão dirigido direto aos ouvintes; aplicação prática da mensagem do Evangelho à necessidade individual; solos cantados sob a unção do Espírito; apelo para que o perdido se entregasse imediatamente; uma sala no lado aonde levava os que se achavam em "dificuldades" em aceitar a Cristo; a obra que depois os salvos faziam entre os "interessados" e recém-convertidos; diariamente uma hora de oração ao meio-dia, e cultos que duravam dias inteiros.

Na Inglaterra, as cidades de York, Senderland, Bishop, Auckland, Carlisle e Newcastle foram vivificadas como nos dias de Whitefield e Wesley. Na Escócia, em Edimburgh, os cultos se realizaram no maior edifício e "a cidade inteira ficou comovida". Em Glasgow, a obra começou com uma reunião de professores da Escola Dominical, a que assistiram mais de 3.000. O culto de noite foi anunciado para às 6:30, mas muito antes da hora marcada, o grande edifício ficou repleto e a multidão que não pôde entrar foi levado para as quatro igrejas mais próximas. Essa série de cultos transformou radicalmente a vida diária do povo. Na última noite Sankey cantou para 7.000 pessoas que estavam dentro do edifício, e Moody, sem poder entrar no auditório, subiu numa carruagem e pregou a 20 mil pessoas que se achavam congregadas do lado de fora. O coral cantou os hinos de cima dum galpão. Em um só dia mais de 2.000 pessoas responderam ao apelo para se entregarem definitivamente a Cristo.

Na Irlanda, Moody pregou nos maiores centros com os mesmos resultados, como na Inglaterra e Escócia. Os cultos em Belfast continuaram durante quarenta dias. O último culto foi reservado para os recém-convertidos, que só podiam ter ingresso por meio de bilhetes, concedidos gratuitamente. Assistiram 2.300 pessoas. Belfast fora o centro de vários avivamentos, mas todos concordam em que nunca houvera um avivamento antes desse, de resultados tão permanentes.

Depois da campanha na Irlanda, Moody e Sankey voltaram à Inglaterra e dirigiram cultos inesquecíveis em Shefield, Manchester, Birgmingham e Liverpool. Durante muitos meses, os maiores edifícios dessas cidades ficaram superlotados de multidões desejosas de ouvirem a apresentação clara e ousada do Evangelho por um homem livre de todo o interesse e ostentação. O poder do Espírito se manifestou em todos os cultos produzindo resultados que permanecem até hoje.

O itinerário de Moody e Sankey na Europa, findou-se após quatro meses de cultos em Londres. Moody pregava alternadamente em quatro centros. Os seguintes algarismos nos servem para compreender algo da grandeza dessa obra durante os quatro meses: Realizaram-se 60 cultos em Agricultural Hall, aos quais um total de 720.000 pessoas assistiram; em Bow Road Hall, 60 cultos, aos quais 600.000 pessoas assistiram; em Camberwell Hall, 60 cultos, com assistência de 480.000; Haymarket Opera House, 60 cultos, 330.000; Vitória Hall, 45 cultos, 400.000 assistentes.

Quando Moody saiu dos Estados Unidos em 1873, era conhecido apenas em alguns Estados e tinha fama, apenas como obreiro da Escola Dominical e da Associação Cristã de Moços. Mas quando voltou da campanha na Inglaterra em 1875, era conhecido como o mais famoso pregador do mundo. Contudo continuou o mesmo humilde servo de Deus. Foi assim que uma pessoa que o conhecia intimamente descreve sua personalidade: "Creio que era a pessoa mais humilde que jamais conheci... Ele não fingia humildade. No íntimo do seu coração rebaixava-se a si mesmo e superestimava os outros. Ele engrandecia outros homens, e, sempre que possível arranjava para que eles pregassem. Fazia tudo para não aparecer".

Ao chegar novamente aos Estados Unidos, Moody recebeu convites, para pregar, de todas as partes do País. Sua primeira campanha (em Brooklyn) foi um modelo para todas as outras. As denominações cooperavam; alugaram um prédio que comportava 3.000 pessoas. O resultado foi uma grande e permanente obra.

Nas suas campanhas havia ocasiões que eram realmente dramáticas. Em Chicago, o Circo Forepaugh, com uma tenda de lona que tinha assentos para 10.000 pessoas e lugares para outras 10.000 em pé, anunciou representações para dois domingos. Moody alugou a tenda para os cultos de manhã, os donos resolveram não fazer sessão no segundo domingo. Entretanto, o culto realizou-se sob a lona no segundo domingo, o calor era tanto que dava a impressão de matar a todos, porém 18.000 pessoas ficaram em pé, banhados em suor e esquecidos do calor. No silêncio que reinava durante a pregação de Moody, o poder desceu e centenas foram salvos.

O doutor Dale disse: "Acerca do poder de Moody, acho difícil falar. É tão real e ao mesmo tempo tão diferente do poder dos demais pregadores, que não sei descrevê-lo. Sua realidade é inegável. Um homem que pode cativar o interesse de um auditório de três a seis mil pessoas, por meia hora, de manhã, por quarenta minutos, de novo, ao meio-dia e de um terceiro auditório, de 13 a 15 mil, durante quarenta minutos, à noite, deve ter um poder extraordinário".

Acerca desse poder maravilhoso, Torrey testificou: "Várias vezes tenho ouvido diversas pessoas dizerem que viajaram grandes distâncias para ver e ouvir D. L. Moody, e que ele, de fato, é um maravilhoso pregador. Sim, ele era em verdade o mais maravilhoso que eu jamais ouvi; era grande o privilégio de ouvi-lo pregar, como só ele sabia pregar. Contudo, conhecendo-o intimamente, quero testificar que Moody era maior como intercessor do que como pregador. Enfrentando obstáculos aparentemente invencíveis, ele sabia vencer todas as dificuldades. Sabia, e cria no mais profundo de sua alma, que não havia nada demasiadamente difícil para Deus fazer, e que a oração podia conseguir tudo que Deus pudesse realizar".

Apesar de Moody não ter instrução acadêmica, reconhecia o grande valor da educação e sempre aconselhava a mocidade a se preparar para manejar bem a Palavra de Deus. Reconhecia a grande vantagem da instrução também para os que pregam no poder do Espírito Santo. Ainda existem três grandes monumentos às suas convicções nesse ponto - as três escolas que ele fundou: O Instituto Bíblico em Chicago, com 38 prédios e 16.000 matriculados nas aulas diurnas, noturnas e Cursos por Correspondência; o Northfield Seminário, com 490 alunos, e a Escola do Monte Hermon, com 500 alunos.

Entretanto, ninguém se engane como alguns desses alunos e como diversos crentes entre nós, pensando que o grande poder de Moody era mais intelectual do que espiritual. Nesse ponto ele mesmo falava com ênfase: para maior clareza, citamos o seguinte de seus "Short Talks": "Não conheço coisa mais importante que a América precise do que de homens e mulheres inflamados como o fogo do Céu; nunca encontrei um homem (ou mulher) inflamado com o Espírito de Deus que fracassasse. Creio que isso seja impossível; tais pessoas nunca se sentem desanimadas. Avançam mais e mais e se animam mais e mais. Amados, se não tendes essa iluminação, resolvei adquiri-la, e orai: 'Ó Deus ilumina-me com o teu Espírito Santo'!"

No que R. A. Torrey escreveu aparece o espírito dessas escolas que fundou:

"Moody costumava escrever-me antes de iniciar uma nova campanha, dizendo: 'Pretendo dar início ao trabalho no lugar tal e em tal dia; peço-lhe que convoque os estudantes para um dia de jejum e oração'. Eu lia essas cartas aos estudantes e lhes dizia: Moody deseja que tenhamos um dia de jejum e oração para pedir, primeiramente, as bênçãos divinas sobre nossas próprias almas e nosso trabalho! Muitas vezes ficávamos ali na sala das aulas até alta noite - ou mesmo até a madrugada - clamando a Deus, porque Moody nos exortava a esperar até que recebêssemos a bênção".

"Até o dia da minha morte não poderei esquecer-me de 8 de julho de 1894. Era o último dia da Assembléia dos Estudantes de Northfield... Às 15 horas reunimo-nos em frente à casa da progenitora de Moody... Havia 456 pessoas em nossa companhia... Depois de andarmos alguns minutos, Moody achou que podíamos parar. Nós nos sentamos nos troncos de árvores caídas, em pedras, ou no chão. Moody então franqueou a palavra, dando licença para qualquer estudante expressar-se. Uns 75 deles, um após outro, levantaram-se, dizendo: 'Eu não pude esperar até às 15 horas, mas tenho estado sozinho com Deus desde o culto de manhã e creio que posso dizer que recebi o batismo com o Espírito Santo'. Ouvindo o testemunho desses jovens, Moody sugeriu o seguinte: 'Moços, por por que não podemos ajoelhar-nos aqui, agora, e pedir que Deus manifeste em nós o poder do seu Espírito de um modo especial, como fez aos apóstolos no dia de Pentecostes?' E ali na montanha oramos".

"Na subida, tínhamos notado como se iam acumulando nuvens pesadas; no momento em que começamos a orar, principiou a chuva a cair sobre os grandes pinheiros e sobre nós. Porém houve uma outra qualidade de nuvem que há dez dias estava se acumulando sobre a cidade de Northfield - uma nuvem cheia da misericórdia, da graça e do poder divino, de sorte que naquela hora parecia que nossas orações bombardiavam essas nuvens, fazendo descer sobre nós, em grande poder, a virtude do Espírito Santo".

Que Moody mesmo era um estudante incansável, vê-se no seguinte:

"Todos os dias da sua vida, até o fim, segundo creio, ele se levantava muito cedo de manhã para meditar na Palavra de Deus. Costumava deixar sua cama às quatro horas da madrugada, mais ou menos, para estudar a Bíblia. Um dia ele me disse: 'Para estudar, preciso me levantar antes que as outras pessoas acordem'. Ele se fechava num quarto afastado do resto da família, sozinho com a sua Bíblia e com o seu Deus..."

"Pode-se falar em poder, porém, ai do homem que negligenciar o único Livro dado por Deus, que serve de instrumento, por meio do qual Ele dá e exercer seu poder. Um homem pode ler inúmeros livros e assistir a grandes convenções; pode promover reuniões de oração que durem noites inteiras, suplicando o poder do Espírito Santo, mas se tal homem não permanecer em contato íntimo e constante com o único Livro, a Bíblia, não lhe será concedido o poder. Se já tem alguma força não conseguirá mantê-la, senão pelo estudo diário, sério e intenso desse Livro".

Tudo no mundo tem de findar; chegou o tempo também para D. L. Moody findar o seu ministério aqui na terra. Em 16 de novembro de 1899, no meio de sua campanha em Kansas City, com auditórios de 15.000 pessoas, pregou seu último sermão. É provável que soubesse que seria o último: certo é que seu apelo era ungido como poder vindo do Alto e centenas de almas foram ganhas para Cristo.

Para a nação, a sexta-feira, 22 de dezembro de 1899, foi o dia mais curto do ano, mas para D. L. Moody, foi o dia que clareou, foi o começo do dia que nunca findará. Às seis horas da manhã dormiu um ligeiro sono. Então os seus queridos ouviram-no dizer em voz clara: "Se isto é a morte, não há nenhum vale. Isto é glorioso. Entrei pelas portas e vi as crianças! (Dois de seus netos que já tinham falecidos). A terra recua; o céu se abre perante mim. Deus está me chamando! "Então virou-se para a sua esposa, a quem ele queria mais do que a todas as pessoas, a não ser Cristo, e disse: "Tu tens sido para mim uma boa pessoa".

No singelo culto fúnebre, Torrey, Scofield, Sankey e outros falaram à grande multidão comovida que assistiu. Depois o ataúde foi levado pelos alunos da Escola Bíblica de Monte Hermom a um lugar alto que ficava próximo, chamado "Round Top". Três anos depois, a fiel serva de Deus, Ema Moody, sua esposa, também dormiu em Cristo e foi enterrada ao lado do marido, no mesmo alto, onde permanecerão até o glorioso dia da ressurreição.

Contemplemos de novo, por um momento, a vida extraordinária desse grande ganhador de almas. Quando o jovem Moody chorava sob o poder do Alto na pregação do jovem Spurgeon, foi inspirado a exclamar: "Se Deus pode usar Spurgeon, Ele me pode usar também". A biografia de Moody é a história de como ele vivia completamente submisso a Deus, para esse fim . R.A. Torrey disse: "O primeiro fator por cujo motivo Moody foi instrumento tão útil nas mãos de Deus é que ele era um homem inteiramente submisso à vontade divina. Cada grama daquele corpo de 127 quilos pertencia ao Senhor; tudo que ele era e tudo que tinha pertencia inteiramente a Deus... Se nós, tu e eu, leitor, queremos ser usados por Deus, temos de nos submeter a Ele absolutamente e sem reservas".

Leitor, resolve agora, com a mesma determinação e pelo auxílio divino: "Se Deus podia usar Dhight Lyman Moody, Ele me pode usar também!"

Que assim seja! Amém!

Charles H. Spurgeon

 

Carlos  Spurgeon

(1834 - 1892)

Autoria Desconhecida

 

No  período  da  Inquisição, na   Espanha, sob  o  reinado  do  imperador  Carlos  V, um  número  elevadíssimo  de  crentes  foram  queimados   em  praça  ou  enterrados  vivos. O  filho  de   Carlos  V, Felipe  II, em  1567, levou  a  perseguição   aos  Países  Baixos, declarando  que  ainda  que   lhe  custasse  mil  vezes  a  sua  própria   vida, limparia  todo  o  seu  domínio  do  "protestantismo". Antes  da  sua  morte  gabava-se  de   ter  mandado  ao  carrasco, pelo  menos, 18.000 "hereges".

Ao  começar  esse  reinado  de   terror  nos  Países  Baixos, muitos  milhares  de   crentes  fugiram  para  a  Inglaterra. Entre  os  que   escaparam  do  "Concílio  de  Sangue", encontrava-se  a  família  Spurgeon.

Na  Inglaterra, o  povo  de  Deus, contudo, não  estava  livre  de  toda  a  perseguição . Os   bisavôs  de  Carlos  eram  crentes  fervorosos, criando   os  filhos  na  admoestação  do  Senhor. Seu  avô   paterno, depois  de  quase cinqüenta  anos  de  pastorado   no  mesmo  lugar, podia  dizer: "Não  passei  nem   uma  hora  triste  com  a  minha  igreja  depois   que  assumi  o  cargo  de  pastor!" O  pai   de  Carlos, Tiago  Spurgeon, era  o  amado  pastor   de  Stambourne.

Carlos, quando  ainda  criança, interessava-se  pela   leitura  de "O  Peregrino", pela  história  dos   mártires  e por  diversas  obras  de  teologia. É   impossível  calcular  a  influência  dessas  obras   sobre  a  sua  vida.

Que  era  precoce  nas coisas  espirituais, vê-se   no  seguinte  acontecimento: Apesar  ser  uma  criança   de  apenas  cinco  anos  de  idade, sentiu   profundamente  o  cuidado do  avô, por causa  do   procedimento  de  um  dos  membros  da  igreja, chamado  "Velho  Roads" . Certo  dia, Carlos, a   criança, encontrando  Roads  em  companhia  de  outros,  fumando  e  bebendo  cerveja, dirigiu-se  a  ele, dizendo: "Que  fazes  aqui, Elias?" O  "Velho  Roads" arrependido, contou, então, ao  seu  pastor, como  a   princípio  se  irou  com  a criança, mas  por  fim   ficou  quebrantado. Desde  aquele  dia, o  "Velho   Roads" andou  sempre  perto  do  Salvador.

Quando  Carlos  era  ainda  pequeno, foi   por  Deus  convencido  do  pecado. Durante  alguns   anos  sentia-se  uma  criatura  sem  esperança  e   sem  conforto; visitava  um  lugar  de  culto  após   outro, sem  conseguir  saber  como  podia   livrar-se   do  pecado. Então, quando  tinha  quinze  anos  de   idade, aumentou  nele  o  desejo  de  ser  salvo. E   aumentou  de  tal  forma, que  passou  seis  meses   agonizando  em  oração. Nesse  tempo  assistiu  a   um  culto  numa  igreja; nesse  dia, o  pregador   não fora  ao  culto, por  causa  duma  grande   tempestade  de  neve. Na  falta  do  pastor, um   sapateiro  se  levantou  para  pregar  às  poucas   pessoas  presentes, e  leu  este  texto: "Olhai   para  mim  e  sede  salvos, todos  os  confins   da terra" ( Isaías 45: 22 ). O  sapateiro, inexperiente  na   arte  de  pregar, podia  apenas  repetir  a  passagem   e  dizer:  "Olhai! Não é necessário  levantar um  pé, nem  um  dedo. Não  vos  é  necessário estudar  no  colégio  para  saber  olhar; nem contribuir  com mil  libras. Olhai  para  mim, não   para  vós  mesmos. Não  há  conforto  em  vós. Olhai  para  mim, suando  grandes  gotas  de  sangue. Olhai para  mim, pendurado  na  cruz. Olhai  para  mim, morto e sepultado. Olhai  para  mim, ressuscitado. Olhai  para mim, à direita  de  Deus". Em  seguida, fitando  os   olhos  em  Carlos, disse: "Moço, tu  pareces  ser   miserável. Serás  infeliz  na  vida  e  na  morte   se  não  obedeceres". Então  gritou  ainda  mais: "Moço, olha  para Jesus! Olha  agora!" O  rapaz  olhou   e  continuou  a  olhar, até  que  por  fim, um   gozo  indizível  entrou  na  sua  alma.

O  recém-salvo, ao  contemplar  o constante   zelo  do  Maligno, foi  tomado  pela  aspiração  de   fazer  todo  o  possível  para  receber  o poder   divino, para  frustrar  a  obra  do  inimigo  do   bem. Spurgeon  aproveitava todas  as  oportunidades  para   distribuir  folhetos. Entregava-se  de  todo  o  coração   a  ensinar  na  Escola  Dominical, onde  alcançou, de   início, o  amor  dos  alunos  e, por  intermédio   desses, a  presença  dos  pais  na  escola. Com    a  idade  de  dezesseis  anos  começou  a   pregar. Acerca  disso  ele  disse: "Quantas  vezes   me  foi  concedido  o  privilégio  de  pregar   na  cozinha  duma  casa  de agricultor, ou  num   celeiro!"

Alguns  meses  depois  de  pregar  seu   primeiro  sermão, foi  chamado  a  pastorear  a   igreja  em  Waterbeach. Ao  fim  de  dois  anos, essa   igreja  de  quarenta  membros, passou  a  ter  cem. O   jovem  pregador  desejava  educar-se  e  o  diretor   duma  escola  superior, que  estava  de  visita  à   cidade, marcou  uma  hora  para  tratar  com  ele   acerca  desse  assunto. A  criada, porém, que  recebeu   Carlos, por  descuido, não  chamou  o  professor  e   este  saiu  sem  saber  que  o  moço  o   esperava. Depois, Carlos, já  na  rua, um  tanto  triste, ouviu  uma  voz  dizer-lhe: "Buscas  grandes  coisas   para  ti?  Não  as  busques! "Foi  então, ali   mesmo  que  abandonou  a  idéia  de  estudar   nesse  colégio, convencido  de  que  Deus  o   dirigia  para  outras  coisas. Não  se  deve   concluir, contudo, que  Carlos  Spurgeon  resolveu  não   se  educar. Depois  disso, ele  aproveitava  todos  os   momentos  livres  para  estudar. Diz-se  que  alcançou   fama  de  ser  um  dos  homens  mais   instruídos  de  seu  tempo.

Spurgeon  havia  pregado  em  Waterbeach   apenas  durante  dois  anos  quando  foi  chamado   a  pregar  na  Park  Street  Chapel, em  Londres. O   local  era  inconveniente  para  os  cultos, e  o   templo, que  tinha  assentos  para  mil  e  duzentos   ouvintes, era  demasiado  grande  para  os  auditórios. Contudo, "havia  ali  um  grupo  de  fiéis  que   nunca  cessaram   de  rogar  a  Deus  um   glorioso  avivamento". Este  fato  é  assim   registrado  nas  palavras  do  próprio  Spurgeon: "No  início, eu  pregava  somente  a  um  punhado  de   ouvintes. Contudo, não  me esqueço  da  insistência  das   suas  orações. Às  vezes  pareciam  que  rogavam   até  verem  realmente  presente  o  Anjo  do   Concerto ( Cristo), querendo  abençoá-los. Mais  que  uma   vez  nos  admiramos  com  a  solenidade  das orações  até  alcançarmos  quietude, enquanto  o   poder  do  Senhor  nos  sobrevinha...Assim  desceu a bênção, a  casa  se  encheu  de  ouvintes  e   foram  salvas  dezenas  de  almas!"

Sob  o  ministério  desse  moço  de   dezenove  anos, a  concorrência  aumentou  em  poucos   meses  a ponto  de  o  prédio  não  mais   comportar  as  multidões; centenas  de  ouvintes   permaneciam  na  rua  para  aproveitar  as  migalhas que  caíam  do  banquete  dentro  da  casa.

Foi  resolvido  reformar   a  New   Park  Street  Chapel  e, durante  o  tempo  da   obra, realizavam-se  os  cultos  em  Exeter  Hall, prédio   que  tinha  assentos  para  quatro  mil  e   quinhentos  ouvintes. Aí, em  menos  que  dois  meses, os   auditórios  eram  tão  grandes, que  as  ruas, durante   os  cultos, se  tornavam  intransitáveis.

Quando  voltaram  para  o  Chapel, o   problema, em  vez  de  ser  resolvido, era  maior; três   mil  pessoas  ocupavam  o  espaço  preparado  para   mil  e  quinhentas! O  dinheiro  gasto, que  alcançou   uma  elevada  quantia, fora  desperdiçado! Tornou-se   necessário  voltar  para  o  Exeter  Hall.

Mas  nem  o  Exeter  Hall  comportava   mais  os  auditórios  e  a  igreja  tomou  uma   atitude  espetacular - alugou  o  Surrey  Music  Hall, o   prédio  mais  amplo, imponente  e  magnífico  de   Londres, construído  para  diversões  públicas.

As  notícias, de  que  os  cultos   passaram  do  Exeter  Hall  para  Surrey  Music Hall, eletrificaram  toda  a  cidade  de  Londres. O culto  inaugural  foi  anunciado  para  a  noite   de  19  de  outubro  de  1856. Na  tarde  do   dia  marcado, milhares  de  pessoas  para  lá  se   dirigiram  para  achar  assento. Quando, por  fim, o   culto  começou, o  prédio  no  qual  cabiam  12.000   pessoas, estava  superlotado  e  havia  mais  10.000   fora  os que  não  puderam  entrar.

No  primeiro  culto  em  Surrey  Music   Hall, notaram-se  vestígios  da  perseguição  que   Spurgeon  tinha  de  encarar. Ele  estava  orando, e   depois  da  leitura   das  Escrituras, os  inimigos   da  obra  de  Deus  se  levantaram, gritando: "Fogo! Fogo!" Apesar  de  todos  os  esforços  de   Spurgeon  e  de  outros  crentes, a  grande  massa de  gente  alvoroçou-se  e  movimentou-se  em   pânico, de  tal  modo   que  sete  pessoas   morreram  e  vinte  e  oito  ficaram  gravemente feridas. Depois  que  tudo  serenou, acharam-se  espalhados   em  toda  a  parte  do  prédio, roupas  de   homens  e  senhoras; chapéus, mangas  de  vestidos, sapatos, pernas  de  calças, mangas  e  paletós, xales, etc.., objetos   esses  que  os milhares  de  pessoas  aflitas deixaram, na  luta  para  escapar do  prédio. Spurgeon   comportou-se  com  a  maior  calma  durante  todo   o  tempo  da  indescritível  catástrofe,  mas    depois  passou  dias  prostrado, sofrendo  em   conseqüência  do  tremendo  choque.

As  notícias  sobre  as  trágicas   ocorrências  durante  o  primeiro  culto  em  Surrey   Music  Hall, em  vez  de  prejudicarem  a  obra, concorreram  para  aumentar  o  interesse  pelos  cultos. De   um  dia  para  o  outro  Spurgeon, o  herói  do   Sul  de  Londres, tornou-se  um  vulto  de   projeção  mundial. Aceitou  convites  para  pregar  em   cidades  da  Inglaterra, Escócia, Irlanda, Gales, Holanda  e   França. Pregava  ao  ar  livre  e  nos  maiores   edifícios, em  média, oito  a  doze  vezes  por   semana.  

Nesse  tempo, quando  ainda  moço, revelou   como  conseguia  entender, nas  Escrituras, os  textos   difíceis, isto  é, simplesmente  pedia  a  Deus: - "Ó Senhor, mostra-me  o  sentido  deste  trecho!"  E   acrescentou: "É  maravilhoso  como  o  texto, duro   como  a  pederneira, emite  faíscas  quando  batido   com  o  aço  da  oração". Quando  mais   velho, disse: "Orar  acerca  das  Escrituras, é  como   pisar  uvas  no  lagar, trilhar  trigo  na  eira, ou   extrair  ouro  do  minério".

Acerca  da  vida  familiar, Susana, a  esposa   de  Spurgeon, assim  escreveu: "Fazíamos  culto   doméstico, quer  hospedados  em  um  rancho  nas   serras, quer  num  suntuoso  quarto  de  hotel  na   cidade. E  a  bendita  presença  de  Cristo, que   muitos  crentes  dizem  impossível  alcançar, era    para   ele  a  atmosfera   natural; ele vivia e   respirava  nEle ( Deus )".

Antes  de  iniciar  a  construção  do   famoso  templo  em  Londres, o  Metropolitan  Tabernacle, Spurgeon, com  alguns  dos  seus  membros, se  ajoelharam   no  terreno  entre  as  pilhas  de  materiais  e   rogaram  a  Deus  que  não  permitisse  que   trabalhador  algum  morresse  ou  ficasse  ferido   durante  a  execução  das  obras  de  construção. Deus  respondeu  maravilhosamente, não  deixando  acontecer   qualquer  acidente  durante  o  tempo  da   construção  do  imponente  edifício  que  media   oitenta  metros  de  comprimento, vinte  e   oito  de  largura  e  vinte  de  altura.

A  igreja  começou  a edificar o tabernáculo  com  o  alvo  de   liquidar  todas  as  dívidas  de  materiais  e   pagar  a  mão-de-obra  antes  de  findar  a   construção. Como  de  costume, pediram  a  Deus  que   os  ajudasse  a  realizar  esse  desejo, e  tudo   foi  pago  antes  do  dia  da  inauguração.

Durante  certo  período, pregou   trezentas  vezes   em  doze  meses. O  maior   auditório, no  qual  pregou, foi  no  Crystal Palace, Londres, em  7 de outubro  de  1857. O  número exato  de  assistentes  era  por  volta  de   23.654. Spurgeon  esforçou-se  tanto  nessa  ocasião, e o cansaço  foi  tal, que  após  o  sermão da  noite  de  quarta-feira, dormiu  até  a  manhã   de  sexta-feira!

Todavia, não  se  deve  julgar  que  era   somente  no  púlpito  que  a  sua   alma   ardia  pela  salvação  dos  perdidos. Também  se   ocupava  grandemente  no  evangelismo  individual. Nesse   sentido  citamos  aqui  o  que  certo crente disse a  respeito  dele: "Tenho  visto  auditórios  de 6.500  pessoas  inteiramente  levadas  pelo  fervor de  Spurgeon. Mas  ao  lado  de  uma  criança   moribunda, que  ele  levara  a  Cristo, achei-o  mais sublime  do  que  quando  dominava  o  interesse   da  multidão".

Parece  impossível  que  tal  pregador tivesse  tempo  para  escrever. Entretanto  os livros  da   sua  autoria, constituem  uma  biblioteca  de  cento   e  trinta  e  cinco  tomos. Até  hoje  não   há  obra  mais  rica  de  jóias  espirituais do  que  a  de  Spurgeon, de  sete  volumes   sobre  os  Salmos: "A  Tesouraria  de  Davi". Ele  publicou  tão  grande  número de  seus  sermões, que mesmo  lendo  um  por  dia, nem  em  dez  anos   o  leitor  os  poderia  ler   todos. Muitos foram  traduzidos  em  várias  línguas e publicados  nos  jornais  do  mundo  inteiro. Ele mesmo  escrevia  grande  parte  da  matéria  para   seu  jornal, "A  Espada  e  a  Colher", título  este  sugerido  pela  história  da  construção dos  muros  de  Jerusalém  no  tempo  angustioso   de  Neemias.

Além  de  pregar  constantemente  a  grandes   auditórios  e  de  escrever  tantos  livros, esforçou-se   em  vários  outros  ramos  de  atividades. Inspirado   pelo  exemplo  de  Jorge  Müller, fundou  e  dirigiu   o  orfanato  de  Stockwell. Pediram  a  Deus  e   recebiam  o  necessário  para  levantar  prédio   após  prédio  e  alimentar  centenas  de  crianças   desamparadas.

Reconhecendo  a  necessidade  de  instruir  os jovens  chamados  por  Deus  para  proclamar o Evangelho, e, assim, alcançar  muito  maior  número  de   perdidos, fundou  e  dirigiu  o  Colégio  dos   Pastores, com  a  mesma  fé  em  Deus  que   mostrou  na  obra  de  cuidar  dos  órfãos.

Acerca  de  tão  estupendo  êxito  na   vida  de  Spurgeon, convém  notar  o  seguinte: Nenhum   dos  seus  antepassados  alcançou  fama. Sua  voz   podia  pregar  às  maiores  multidões, mas  outros   pregadores  sem  fama  gozavam  também  da  mesma   voz. O Príncipe  dos  Pregadores   era, antes  de  tudo, o  Príncipe   de  Joelhos. Como  Saulo  de  Tarso, entrou   no  Reino  de  Deus, também  agonizando  de   joelhos. No  caso  de  Spurgeon, essa angústia  durou   seis  meses. Depois (assim  aconteceu  com  Saulo) a oração  fervorosa  era  um  hábito  na  sua vida. Aqueles  que  assistiam  aos  cultos  no   grande  Tabernáculo  Metropolitano  diziam  que as   orações  eram  a  parte  mais  sublime  dos   cultos.

Quando  alguém  perguntava  a  Spurgeon  a   explicação  do  poder  na  sua  pregação,  o   Príncipe  de  Joelhos apontava  para  a  loja que ficava sob o salão do Metropolitan Tabernacle e dizia: "Na sala que está   embaixo, há  trezentos  crentes  que  sabem  orar. Todas   as  vezes  que  prego, eles  se  reúnem  ali   para  sustentar-me  as  mãos, orando  e  suplicando   ininterruptamente. Na  sala  que  está  sob  os   nossos  pés  é  que  se  encontra  a   explicação  do  mistério  dessas  bênçãos".

Spurgeon  costumava  dirigir-se  aos  alunos   no  Colégio  dos  Pastores  desta  forma: "Permanecei  na  presença de  Deus!...Se  o  vosso  fervor   esfriar, não  podereis  orar  bem  no  púlpito...pior   com  a  família...e  ainda  pior  nos  estudos, sozinhos. Se  a  alma  se  tornar  magra, os  ouvintes, sem   saberem  como  ou  porquê, acharão  que  vossas   orações  públicas  têm  pouco  sabor".

Ainda  sobre  a  oração, sua  esposa  deu   este  testemunho: "Ele  dava  muita  importância   à  meia-hora  de  oração  que  passava  com   Deus  antes  de  começar  o  culto". Certo   crente  também  escreveu  a  esse  respeito: "Sente-se, durante  a  sua  oração  pública, que  ele  é um  homem de  bastante  força  para  levar   nas  mãos  ungidas  as  orações  duma  multidão. Isto  é  a  idéia  mais  grandiosa, de  sacerdote   entre  Deus  e  os  homens".

Convicto  do  grande  poder  da  oração, Spurgeon  designou  o  mês  de  fevereiro, de  cada ano, no Grande  Tabernáculo, para  realizar  a  convenção anual  e  fazia súplicas  por  um  avivamento na  obra  de  Deus. Nessas  ocasiões, passavam  dias   inteiros  em  jejum  e  oração, oração  que  se tornava  mais  e  mais  fervorosa. Não  só  sentiam   a  gloriosa  presença  do  Espírito  Santo  nesses   cultos, mas  era-lhes  aumentado  o  poder  com   frutos  abundantes.

Na  sua  autobiografia, desde  o  começo   do  seu  ministério  em  Londres, consta  que   pessoas  gravemente  enfermas  foram  curadas  em   respostas  às  suas  orações .

A  vida  de  Spurgeon  não  era   vida  egoísta  e  de  interesse  próprio. Justamente com  sua  esposa, fez  os  maiores  sacrifícios   para  colocar  livros  espirituais  nas  mãos  de um  grande  número  de  pregadores  pobres, e  ambos   contribuíam  constantemente  para  o  sustento  das   viúvas  e  órfãos. Recebiam  grandes  somas  de  dinheiro, mas  davam  tudo  para  o  progresso  da  obra  de   Deus.

Não  buscava  fama  nem  a  honra   de  fundador   de  outra  denominação, como  muitos  amigos  esperavam. A  sua  pregação  nunca  foi  feita  para  sua   própria  glória, porém  tinha  como  alvo  a   mensagem  da  Cruz, para  levar  os  ouvintes  a   Deus. Considerava  seus  sermões  como  se  fossem   setas  e  dava  o  seu  coração, empregava  toda   a  sua  força  espiritual  em  produzir  cada   um. Pregava  confiando  do  poder  do   Espírito Santo, empregando  o  que  Deus  lhe  concedera  para   "matar" o  maior  número  de  ouvintes.

"Carlos  Hadon  Spurgeon  recebia  o   fogo  do  Céu, estudando  a  Bíblia, horas  a  fio, em  comunhão  com  Deus". Cristo  era  o  segredo   do  seu  poder. Cristo  era  o  centro  de tudo, para  ele; sempre  e  unicamente  Cristo.

J. P. Fruit  disse: "Quando  Spurgeon  orava, parecia  que  Jesus  estava  em  pé  ao  seu   lado".

As suas últimas palavras, no leito de morte, dirigidas à sua esposa, foram: "Oh ! querida, tenho desfrutado  um  tempo  mui  glorioso  com  meu   Senhor!" Ela, ao  ver, por  fim, que  seu  marido passaria  para  o  outro  lado, caiu  de joelhos e com lágrimas exclamou "Oh! bendito Senhor Jesus, eu te agradeço  o  tesouro  que  me emprestaste  no  decurso  destes  anos; agora  Senhor, dá-me  força  e  direção  durante  todo  o  futuro".

Seis  mil  pessoas  assistiram  ao   culto  de  funeral. No  caixão  estava  uma  Bíblia   aberta, mostrando  este  texto  usado  por  Deus   para  convertê-lo: "Olhai  para  mim, e  sede   salvos, todos os  confins  da  terra".

O  cortejo  fúnebre  passou  entre   centenas  de  milhares  de  pessoas  postadas  em   pé  nas  calçadas; os  homens  descobriam-se  à   passagem  do  cortejo  e  as  mulheres  choravam.

O  túmulo  simples  do  célebre   Príncipe  dos  Pregadores, no  cemitério  de  Norwood, testifica  da  verdadeira  grandeza  da  sua  vida. Ali   estão  gravadas  estas  humildes  palavras:

 

Aqui  jaz  o  corpo  de

CARLOS HADON SPURGEON

esperando  o  aparecimento  do  seu

Senhor  e  Salvador

JESUS CRISTO

11月5日

David Brainerd

Davi  Brainerd

(1718 - 1747)

Autoria Desconhecida

 

     Certo  jovem, franzino   de  corpo, mas  tendo  na  alma  o  fogo  do   amor  aceso  por  Deus, encontrou-se  na  floresta, para   ele  desconhecida. Era  tarde  e  o  sol  já   declinava  até  quase  desaparecer  no  horizonte, quando   o  viajante, enfadado  da  longa  viagem, avistou  a   fumaça  das  fogueiras  dos  índios "peles-vermelhas". Depois  de  apear  e  amarrar  seu  cavalo, deitou-se  no  chão  para  passar  a  noite, agonizando   em  oração.

     Sem  ele  o   saber, alguns  dos  silvícolas  o  haviam  seguido   silenciosamente, como  serpentes, durante  a  tarde. Agora   estacionavam  atrás  dos  troncos  das  árvores   para  contemplar  a  cena  misteriosa  de  um   vulto  de  cara  pálida,  sozinho, prostrado  no   chão, clamando  a  Deus.

     Os  guerreiros  da   vila  resolveram  matá-lo, sem  demora, pois, diziam, os   brancos  davam  uma  aguardente  aos  peles-vermelhas, para, enquanto  bêbados, levar-lhes  as  cestas  e  as   peles  de  animais, e  roubar-lhes  as  terras. Mas   depois  de  cercarem  furtivamente o  missionário, que  orava,  prostrado, e  ouvirem  como  clamava  ao   "Grande  Espírito", insistindo  que  lhes  salvasse  a  alma, eles  partiram  tão  secretamente   como  chegaram.

     No dia seguinte, o moço, não  sabendo  o  que  acontecera  em  redor, enquanto  orava  no ermo, foi recebido  na  vila  de uma  maneira  não  esperada. No  espaço  aberto entre as "wigwams" (barracas de peles), os  índios o cercaram  e  o  moço, com  amor  de  Deus ardendo  na  alma, leu o  capítulo 53 de Isaías. Enquanto  pregava, Deus  respondeu a  sua oração  da  noite  anterior e os silvícolas  ouviram  o  sermão, com  lágrimas  nos  olhos.

     Esse  cara-pálida   chamava-se  Davi  Brainerd. Nasceu  em  20  de  abril   de  1718. Seu  pai faleceu  quando  Davi  tinha   9  anos  de  idade, e  sua  mãe, filha  dum   pregador, faleceu  quando ele  tinha  14  anos.

     Acerca  de  sua  luta com  Deus, no  tempo  da  sua  conversão, na  idade   de  vinte  anos, ele escreveu:

   "Designei  um  dia  para jejuar  e  orar, e  passei  esse  dia  clamando   quase incessantemente  a  Deus, pedindo  misericórdia  e   que  ele  abrisse  meus  olhos  para  a  enormidade  do  pecado  e  o  caminho  para  a   vida  em  Jesus  Cristo... Contudo, continuei  a  confiar   nas  boas  obras... Então, uma  noite  andando  na   roça, foi  me  dado uma  visão  da  grandeza   do  meu  pecado, parecendo-me  que  a  terra  se   abrira  por baixo  dos  meus  pés  para  me   sepultar  e  que  minha  alma  iria  ao  Inferno   antes  de eu chegar  em  casa... Certo dia, estando   longe  do  colégio, no  campo, sozinho  em  oração, senti  tanto  gozo  e  doçura  em  Deus, que, se  eu   devesse  ficar  neste  mundo  vil, queria permanecer   contemplando  a  glória  de  Deus. Senti  na  alma   um  profundo  amor ardente  para  com  todos   os  homens  e  anelava  que  eles  desfrutassem   desse  mesmo amor  de  Deus".

     "No  mês  de   agosto, depois, senti-me  tão  fraco  e  doente, como   resultado  de  aplicar-me  demais  aos  estudos, que   o  diretor  do  colégio  me  aconselhou  a   voltar  para  casa. Estava  tão  fraco  que  tive   algumas  hemorragias. Senti-me  perto  da  morte, mas Deus renovou  em  mim  o  conhecimento e o gosto das coisas divinas. Anelava  tanto a  presença de  Deus  e  ficar  livre  do   pecado, que, ao  melhorar, preferia  morrer a voltar ao  colégio, e me  afastar  de  Deus... Oh! uma  hora com Deus  excede  infinitamente  todos  os prazeres  do   mundo".

    De  fato, depois de voltar  ao  colégio, Brainerd esfriou em espírito, mas o Grande  Avivamento, dessa  época, alcançou  a  cidade   de  New  Haven, o  colégio  de  Yale  e  o   coração  de  Davi Brainerd. Ele  tinha  o  costume   de  escrever  diariamente  uma   relação  dos   acontecimentos mais importantes  da  sua  vida, passados   durante  o  dia. É  por  esses  diários  escritos   para  si próprio  e  não  para  o  mundo   ler, que  sabemos  da  sua  vida  íntima  de   profunda  comunhão com  Deus. Os  seguintes  poucos   trechos  servem  como  amostras  do  que  ele   escreveu  em muitas  páginas  de  seu  diário   e  descobrem  algo  de  sua  luta  com  Deus, enquanto  estudava para  o  ministério:

    "Fui  tomado   repentinamente  pelo  horror  da  minha  miséria. Então   clamei  a  Deus, pedindo  que  me  purificasse  da   minha  extrema  imundícia. Depois  a  oração  se   tornou mui  preciosa  para  mim. Ofereci-me  alegremente   para  passar  os  maiores  sofrimentos pela  causa   de  Cristo, mesmo  que  fosse  para  ser  desterrado   entre  os  pagãos, desde que  pudesse  ganhar  suas  almas. Então  Deus  me  deu  o  espírito  de   lutar  em  oração pelo  reino  de  Cristo  no   mundo";

    "Retirei-me  cedo, de   manhã, para  floresta, e  foi-me  concedido  fervor  em   rogar pelo avanço  do  reino  de  Cristo  no   mundo. Ao  meio-dia, ainda  combatia  em  oração  a Deus, e  sentia  o  poder  do  divino  amor  na   intercessão";

    "Passei  o  dia   em  jejum  e  oração, implorando  que  Deus  me   preparasse  para  o ministério, e  me  concedesse   auxílio  divino  e  direção, e  que  ele  me   enviasse  para  a seara  no  dia  que  Ele designasse. Pela   manhã, senti  poder  na  intercessão   pelas  almas imortais  e  pelo  progresso  do   reino  do  querido  Senhor  e  Salvador  no   mundo... À tarde, Deus  estava  comigo  de  verdade. Quão  bendita  a  sua  companhia! Ele  me concedeu agonizar  em  oração  até  ficar  com  a   roupa  encharcada  de  suor, apesar  de eu  me   achar  na  sombra, e  de  soprar  um  vento fresco. Sentia  a  minha  alma grandemente  extenuada  pela condição do mundo: esforçava-me para arrebatar   multidões de  almas. Sentia-me  mais  dilatado  pelos   pecadores  do  que  pelos  filhos  de  Deus, contudo   anelava  gastar  minha  vida  clamando  por  ambos";

    "Passei  duas  horas   agonizando  pelas  almas  imortais. Apesar  de  ser   ainda  muito cedo, meu  corpo  estava  molhado  de   suor... Se  eu  tivesse  mil  vidas, a  minha  alma   as teria  dado  pelo  gozo  de  estar  com   Cristo...";

    "Cheguei  a  saber  que   as  autoridades  esperam  a  oportunidade  de  me   prender  e encarcerar  por  ter  pregado  em   New  Haven. Fiquei  mais  sóbrio  e  abandonei  toda   a esperança  de  travar  amizade  com  o   mundo. Retirei-me  para  um  lugar  oculto  na  floresta  e  coloquei  o  caso  perante  Deus".

     Completado  os  seu   estudos  para  o  ministério, ele  escreveu:

    "Preguei  o  sermão  de   despedida  ontem, à  noite. Hoje, pela  manhã  orei  em   quase todos  os  lugares  por onde  andei, e, depois   de  me  despedir  dos  meus  amigos, iniciei  a  viagem  para  o  habitat  dos  índios".

     Essas  notas  do   diário  revelam, em  parte, a  sua  luta  com  Deus   enquanto  estudava  para  o ministério. Um  dos   maiores  pregadores  atuais, referindo-se  a  esse   diário, declarou: "Foi Brainerd  que  me  ensinou   a  jejuar  e  orar. Cheguei  a  saber  que  se   fazem  maiores coisas  por  meio  de  contato   cotidiano  com  Deus  do  que  por  pregações".

    No  início  da   história   da  vida  de  Brainerd, já  relatamos   como  Deus  lhe  concedeu entrada entre  os   silvícolas  violentos, em  resposta  a  uma  noite   de  oração, prostrado  em terra, nas profundezas  da   floresta. Mas, apesar  de  os  índios  lhe  darem  toda  hospitalidade, concedendo-lhe  um  lugar  para   dormir  sobre  um  pouco  de  palha  e, ouvirem   o  sermão, comovidos, Brainerd  não  estava  satisfeito   e  continuava  a  lutar  em  oração, como  revela  seu diário:

    "Continuo  a  sentir-me   angustiado. À  tarde  preguei  ao  povo, mas  fiquei   mais desanimado  acerca  do  trabalho  do  que antes; receio  que  seja  impossível  alcançar  as almas. Retirei-me  e  derramei  a  minha  alma  pedindo   misericórdia, mas  sem  sentir alívio ".

    "Completo  vinte  e   cinco  anos  de  idade  hoje. Dói-me  a  alma   ao  pensar  que  vivi tão  pouco  tempo  para a  glória  de  Deus. Passei  o  dia  na   floresta  sozinho, derramando a  minha  queixa  perante   o  Senhor ".

    "Cerca  das  nove horas, saí  para  orar  na  mata. Depois  do   meio-dia, percebi  que  os índios  estavam  se   preparando  para  uma  festa  e  uma  dança.... Em   oração, senti  o poder  de  Deus  e  a  minha   alma  estava extenuada  como  nunca  antes  na  minha   vida. Senti  tanta  agonia  e  insisti  com  tanta   veemência  que, ao  levantar-me, só  consegui andar  com   dificuldade. O  suor  corria-me  pelo  rosto e  pelo   corpo. Reconheci  que  os pobres  índios  se reunião  para  adorar  demônios  e  não  a   Deus; esse  foi  o  motivo  de eu  clamar  a   Deus, que  se  apressasse  em  frustrar  a  reunião   idólatra. Assim, passei  a tarde  orando  incessantemente, pedindo  o  auxílio  divino  para  que  eu  não   confiasse  em mim  mesmo. O  que  experimentei, enquanto   orava, foi  maravilhoso. Parecia-me  que  não havia   nada  de  importância  em  mim, a  não  ser   santidade  de  coração  e  alma, e  o anelo   pela  conversão  dos  pagãos  a  Deus. Desapareceram   todos  os  cuidados, receios e  anelos; todos  juntos   pareciam-me  de  menor  importância  que  o  sopro   do  vento. Anelava  que  Deus  adquirisse  para  si   um  nome  entre  os  pagãos  e  lhe  fiz   o  meu apelo  com  a  maior  ousadia, insistindo   em  que  ele  reconhecesse     que  eu   'o  preferia à  minha  maior  alegria' . De   fato, não  me  importava  onde  ou  como  morava, nem  da fadiga  que  tinha  de  suportar, se  pudesse   ganhar  almas  para  Cristo. Continuei  assim toda   a  tarde  e  toda  a  noite".

    Assim  revestido, Brainerd, pela   manhã, voltou  da  mata  para  enfrentar  os   índios, certo  de que  Deus  estava  com  ele, como   estivera  com  Elias  no  monte  Carmelo. Ao   insistir  com  os índios  para  que  abandonassem a dança, eles, em  vez  de  matá-lo, desistiram  da orgia  e  ouviram a   sua  pregação, de   manhã  e  à  tarde.

    Depois  de  sofrer  como   poucos  sofrem, depois  de  se  esforçar  de  noite   e de  dia, depois de  passar  horas  inumeráveis   em  jejum  e  oração, depois  de  pregar  a   Palavra  "a  tempo  e fora  de  tempo", por  fim, abriram-se  os  céus  e  caiu  o  fogo. Os   seguintes  excertos  do  seu diário  descrevem   algumas  dessas  experiências  gloriosas:

     "Passei  a  maior   parte  do  dia  em  oração, pedindo   que  o  Espírito  fosse  derramado sobre  o   meu  povo.... Orei  e  louvei  com  grande  ousadia, sentindo  grande  peso  pela salvação  das  preciosas   almas";

     "Discursei à multidão extemporaneamente sobre Isaías 53:10 'Todavia, o Senhor agradou moê-lo'. Muitos dos ouvintes entre a multidão de três a quatro mil, ficaram comovidos a ponto de  haver  um 'grande  pranto, como o pranto de Hadadrimom' (ver Zacarias 12: 11)";

     "De  manhã, discursei  aos  índios  onde  nos  hospedamos. Muitos   ficaram  comovidos e, ao falar-lhes acerca  da salvação  da  sua  alma, as  lágrimas  correram   abundantemente e  eles  começaram  a  soluçar  e   a  gemer. À  tarde, voltei ao  lugar  onde  lhes   costumava pregar; eles  ouviram  com  a  maior   atenção  quase  até  o  fim. Nem  a  décima   parte dos ouvintes  pode  conter-se  de  derramar   lágrimas  e  clamar  amargamente. Quanto mais  eu   falava  do  amor  e  compaixão  de  Deus, ao   enviar  seu  Filho  para  sofrer pelos pecados   dos  homens, tanto  mais  aumentava  a  angústia   dos  ouvintes. Foi  para mim uma  surpresa  notar   como  seus  corações  pareciam  transpassados  pelo   terno  e comovente  convite  do  Evangelho, antes   de  eu  proferir  uma  única  palavra  de   terror";

      "Preguei  aos   índios  sobre  Isaías 53:3-10. Muito  poder  acompanhava   a  Palavra  e houve  grande  convicção  entre   os  ouvintes; contudo, não  tão  geral  como  no  dia anterior. Mas  a  maioria  ficou  comovida  e   em  grande  angústia  de  alma; alguns  não podiam   caminhar, nem  ficar  em  pé: caíam  no  chão   como  se  tivessem  o  coração transpassado  e   clamavam  sem  cessar, pedindo  misericórdia.... Os  que   vieram  de lugares  distantes  foram  levados  logo   à  convicção  pelo  Espírito  de  Deus";

     "A  tarde, preguei   sobre  Lucas 15:16-23. Havia  muita  convicção  visível   entre os ouvintes, enquanto  eu  discursava; mas ao   falar  particularmente, depois, a  alguns  que se mostravam  comovidos, o  poder  de  Deus  desceu   sobre  o  auditório  'como  um  vento veemente   e  impetuoso  e  varreu  tudo  de  uma  maneira   espetacular";

    "Fiquei  em  pé, admirado   da  influência  que  se  apoderou  do  auditório   quase totalmente. Parecia, mais  que  qualquer  outra   coisa, a  força  irresistível  de  uma  grande correnteza, ou  dilúvio  crescente, que  derrubava  e   varria  tudo  que  encontrava  na  sua frente. Quase  todos  oravam  e  clamavam, pedindo  misericórdia, e   muitos  não  podiam ficar  em  pé. A  convicção   que  cada  um  sentiu  foi  tão  grande, que   pareciam  ignorar por  completo  os  outros  em   redor, mas  cada  um  continuava  a  orar  por   si  mesmo".

      É  difícil  reconhecer   a  magnitude  da  obra  de  Davi  Brainerd   entre  as  diversas  tribos  de índios, nas   profundezas  das  florestas; ele  não  entendia  os   seus  idiomas. Se  lhes  transmitia  a mensagem  de   Deus  ao  coração, deveria  achar  alguém  que   pudesse  servir  como  intérprete. Passava  dias   inteiros  simplesmente  orando  para  que  viesse   sobre  ele  o  poder  do  Espírito Santo  com   tanto  poder, que  esse  povo  não  pudesse   resistir  à  mensagem. Certa  vez  teve que  pregar   por  meio  de  um  intérprete  tão  bêbado, que   quase  não  podia  ficar  em  pé, contudo, vintenas   de  almas  foram  convertidas  por  esse  sermão.

     Ele andava, às  vezes, perdido   de  noite  no  ermo, apanhando  chuva  e   atravessando montanhas  e  pântanos. Franzino  de   corpo, cansava-se  nas  viagens. Tinha  que  suportar  o  calor  do  verão  e  o  intenso  frio  do   inverno. Dias  a  fio  passava-os  com  fome. Já   começava a  sentir  a  saúde  abalada  e   estava  a  ponto  de  casar-se (sua  noiva  era   Jerusa  Edwards, filha de  Jônatas  Edwards)  e   estabelecer  um  lar  entre  os  índios  convertidos   ou  voltar  e  aceitar o pastorado  de  uma   igreja  que  o  convidava. Contudo, reconhecia  que  não   podia  viver, por causa  da  sua  doença, mais  que   um  ou  dois  anos  e  resolveu  então  "arder  até  o  fim".

     Assim, depois  de  ganhar   a  vitória  em  oração, clamou:  "Eis-me  aqui, Senhor, envia-me  a mim  até  os  confins  da  terra; envia-me  aos  selvagens  do  ermo; envia-me  para    longe de  tudo  o  que  se  chama   conforto  da  terra; envia-me  mesmo  para  a  morte, se  for  no teu  serviço  e  para  promover  o   teu  reino..."

     Então  acrescentou: "Adeus  amigos  e  confortos  terrestres, mesmo  os  mais   anelados de todos. Se  o  Senhor  quiser, gastarei   a  minha  vida, até  os  últimos  momentos, em cavernas  e  covas  da  terra, se  isso  servir   para  o  progresso  do  Reino  de  Cristo."

      Por  fim, depois  de   cinco  anos  de  viagens  árduas  no  ermo, de   aflições  inumeráveis  e de sofrer  dores   incessantes  no  corpo, Davi  Brainerd, tuberculoso  e   com  as  forças  físicas quase inteiramente   esgotadas, conseguiu  chegar  à  casa  de  Jônatas   Edwards. O  peregrino  já completara  a  sua   carreira  terrestre  e  esperava  o  carro  de   Deus  para  levá-lo  à  Glória. Quando, no seu  leito de sofrimento, viu  alguém  entrar  no  quarto  com  a   Bíblia, exclamou: "Oh! o  querido  Livro! Breve  hei   de vê-lo  aberto. Os  seus  mistérios  me  serão   então desvendados!"

      Minguando  sua   força física  e  aumentando  sua  percepção   espiritual, falava  com  mais  e mais  dificuldade: "Fui  feito  para  a  eternidade. Como  anelo  estar   com  Deus  e  prostrar-me  perante  Ele! Oh! que  o   Redentor  pudesse  ver  o  fruto  do  trabalho   da  sua  alma  e ficar  satisfeito! Oh! vem, Senhor   Jesus! Vem  depressa! Amém!" - e dormiu  no Senhor .

     Depois  desse   acontecimento, a  noiva  de  Brainerd, Jerusa  Edwards, começou  a  murchar como  uma  flor  e, quatro  meses   depois  também  foi  morar  na  cidade  celeste. Dum   lado do seu  túmulo, está  e  de  Davi  Brainerd   e  do  outro  lado  está  o  de  seu  pai, Jônatas  Edwards.

     O  desejo  veemente  da   vida  de  Davi  Brainerd  era  o  de  arder   como uma  chama, por Deus, até  o  último  momento, como  ele  mesmo  dizia: "Anelo  ser  uma  chama   de  fogo, constantemente  ardendo  no  serviço  divino, até  o  último  momento, o  momento  de  falecer".

      Brainerd  findou  a   sua  carreira  terrestre  aos  vinte  e  nove   anos. Contudo  apesar  de  sua grande  fraqueza   física, fez  mais  que  a  maioria  dos  homens   faz  em  setenta  anos.

     Sua   biografia, escrita  por  Jônatas  Edwards  e  revisada  por   João  Wesley, teve  mais influência   sobre  a   vida  de  A. J. Gordon  do  que  qualquer  outro   livro, exceto  a  Bíblia. Guilherme  Carey  leu  a   história  da  sua  obra  e  consagrou  a  sua   vida  ao  serviço  de  Cristo, e  nas  trevas   da  Índia, Roberto  McCheyne  leu  seu  diário  e   gastou  a  sua  vida  entre  os judeus. Henrique   Martyn  leu  a  sua  biografia  e  se  entregou   para  consumir-se  dentro  de  um período  de   seis  anos  e  meio  no  serviço  de  seu   Mestre, na  Pércia.

   O  que  Davi  escreveu  a   seu  irmão, Israel  Brainerd, é  para  nós  um   desafio  à  obra missionária: "Digo, agora, morrendo, não   teria  gasto  a  minha  vida  de  outra  forma, nem por  tudo  que  há  no  mundo".

Charles Finney

Carlos Finney

(1792 - 1875)

Autoria Desconhecida

 

Perto da aldeia de New York Mills, no século dezenove, havia uma fábrica de tecidos movida pela força das águas do rio Oriskany. Certa manhã, os operários se achavam comovidos, conversando sobre o poderoso culto da noite anterior, no prédio da escola pública.

Não muito depois de começar o ruído das máquinas, o pregador, um rapaz alto e atlético, entrou na fábrica. O poder do Espírito Santo ainda permanecia nele; os operários, ao vê-lo, sentiram a culpa de seus pecados a ponto de terem de se esforçar para poderem continuar a trabalhar. Ao passar perto de duas moças que trabalhavam juntas, uma delas, no ato de emendar um fio, foi tomada de tão forte convicção, que caiu em terra, chorando. Segundos depois, quase todos tinham lágrimas nos olhos e, em poucos minutos, o avivamento encheu todas as dependências da fábrica.

O diretor, vendo que os operários não podiam trabalhar, achou que seria melhor que cuidassem da salvação da alma, e mandou que parassem as máquinas. A comporta das águas foi fechada e os operários se ajuntaram em um salão do edifício. O Espírito Santo operou com grande poder e dentro de poucos dias quase todos se converteram.

Diz-se acerca deste pregador, que se chamava Carlos Finney, que, depois de ele pregar em Governeur, no Estado de New York, não houve baile nem representação de teatro na cidade durante seis anos. Calcula-se que, durante os anos de 1857 e 1858, mais de 100 mil pessoas foram ganhas para Cristo pela obra direta e indireta de Finney. A sua autobiografia é o mais maravilhoso relato de manifestação do Espírito Santo, excetuando o livro de Atos dos Apóstolos. Alguns consideram o seu livro, "Teologia Sistemática", a maior obra sobre teologia, a não ser as Sagradas Escrituras.

Nasceu de uma família descrente e se criou em um lugar onde os membros da igreja conheciam, apenas, a formalidade fria dos cultos. Finney era advogado; ao encontrar, nos seus livros de jurisprudência, muitas citações da Bíblia, comprou um exemplar com a intenção de conhecer as Escrituras. O resultado foi que, após a leitura, achou mais e mais interesse nos cultos dos crentes. Acerca da sua conversão ele relata, na sua autobiografia, o seguinte:

"Foi num domingo de 1821 que assentei no coração resolver o problema sobre a salvação da minha alma e ter paz com Deus. Apesar das minhas grandes preocupações como advogado, resolvi seguir rigorosamente a determinação de ser salvo. Pela providência de Deus, não me achei muito ocupado nem segunda nem terça-feira, e consegui passar a maior parte do tempo lendo a Bíblia e orando".

"Mas ao encarar a situação resolutamente, achei-me sem coragem para orar sem tapar o buraco da fechadura. Antes deixava a Bíblia aberta na mesa com os outros livros e não me envergonhava de lê-la diante do próximo. Mas então, se entrasse alguém, eu colocaria um livro aberto sobre a Bíblia para escondê-la".

"Durante a segunda e a terça-feira, a minha convicção aumentou, mas parecia que o coração se havia endurecido: eu não podia, nem orar... Terça-feira, à noite, senti-me muito nervoso e parecia-me estar perto da morte. Reconhecia que, se eu morresse, por certo iria para o Inferno".

"De manhã cedo, fui para o gabinete... Parecia que uma voz me perguntava: - 'Porque esperas? Não prometesse dar o coração a Deus? O que experimentas fazer? - Alcançar a justificação pelas obras?' Foi então que vi, claramente, como qualquer vez depois, a realidade e a plenitude da propiciação de Cristo. Vi que sua obra era completa e, em vez de eu necessitar duma justiça própria para Deus me aceitar, tinha de sujeitar-me à justiça de Deus por intermédio de Cristo... Sem o saber, fiquei imóvel, não sei por quanto tempo, no meio da rua, no lugar onde a voz de dentro se dirigia a mim. Então me veio a pergunta: - 'Aceitá-lo-ás, agora, hoje?' Repliquei:- 'Aceitá-lo-ei hoje ou me esforçarei para isso até morrer...' Em vez de ir ao gabinete, voltei para entrar na floresta, onde podia derramar a alma sem alguém me ver nem me ouvir".

"Mas ao tentar orar, o coração não queria. Pensara que, uma vez sozinho, onde ninguém pudesse ouvir-me, podia orar livremente. Porém, ao experimentar fazê-lo, achei-me sem coisa alguma a dizer a Deus. Toda a vez que tentava orar, parecia-me ouvir alguém chegando".

"Por fim, achei-me quase em desespero. O coração estava morto para com Deus e não queria orar. Então reprovei-me a mim mesmo por ter-me comprometido a entregar o coração a Deus antes de sair da mata. Comecei a pensar que Deus já me tivesse abandonado... Achei-me tomado de uma fraqueza demasiadamente grande para ficar de joelhos".

"Foi justamente nessa altura que pensei novamente que ouvia alguém se aproximar e abri os olhos para ver. Logo foi-me revelado que o orgulho do meu coração era a barreira entre mim e a minha salvação. Fui vencido pela convicção do grande pecado de eu envergonhar-me se alguém me encontrasse de joelhos perante Deus, e bradei em alta voz que não abandonaria o lugar, nem que todos os homens da terra e todos os demônios do Inferno me cercassem. Gritei: 'Ora, um pecador como eu, de joelhos perante o grande e santo Deus, e confessando-lhes os pecados, e me envergonho dele perante o próximo, pecador também, porque me encontro de joelhos para achar paz com o meu Deus ofendido!' O pecado parecia-me horrendo, infinito. Fiquei quebrantado até o pó perante o Senhor. Nessa altura, a seguinte passagem me iluminou: 'Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei. E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração...'"

"Continuei a orar e a receber promessas e a apropriar-me delas, não sei por quanto tempo. Orei até que sem saber como, achei-me voltando para a estrada. Lembro-me de que disse a mim mesmo: 'Se eu me converter, pregarei o Evangelho'".

"Na estrada, voltando para a aldeia, certifiquei-me da preciosa paz e da gloriosa calma na minha mente. - 'Que é isso? Perguntei-me a mim mesmo'. - 'Entristecera eu o Espírito Santo até retirar-se de mim? Não sinto mais convicção...' Então lembrei-me de que dissera a Deus, que confiaria na sua Palavra... A calma de meu espírito era indiscritível... Fui almoçar, mas não tinha vontade de comer. Fui ao gabinete, mas meu sócio não voltara do almoço. Comecei a tocar a música de um hino no rabecão, como de costume. Porém, ao começar a cantar as palavras sagradas, o coração parecia derreter-se e só podia chorar..."

"Ao entrar e fechar a porta atrás de mim, parecia-me ter encontrado o Senhor Jesus Cristo face a face. Não me entrou na mente, na ocasião, nem por algum tempo depois, que era apenas uma concepção mental. Ao contrário, parecia-me que eu o encontrara como encontro qualquer pessoa. Ele não disse coisa alguma, mas olhou para mim de tal forma, que fiquei quebrantado e prostrado aos seus pés. Isso, para mim, foi, depois, uma experiência extraordinária, porque parecia-me uma realidade, como se Ele mesmo ficasse em pé perante mim, e eu me prostrasse aos seus pés e lhe derramasse a minha alma. Chorei alto e fiz tanta confissão quanto foi possível, entre soluços. Parecia-me que lavava os seus pés com as minhas lágrimas; contudo, sem sentir ter tocado na sua pessoa..."

"Ao virar-me para me sentar, recebi o poderoso batismo com o Espírito Santo. Sem o esperar, sem mesmo saber que havia tal para mim, o Espírito Santo desceu de tal maneira, que parecia encher-me corpo e alma. Senti-o como uma onda elétrica que me traspassava repetidamente. De fato, parecia-me como ondas de amor liqüefeito; porque não sei outra maneira de descrever isso. Parecia o próprio fôlego de Deus".

"Não existem palavras para descrever o maravilhoso amor derramado no meu coração. Chorei de tanto gozo e amor que senti; acho melhor dizer que exprimi, chorando em alta voz, as inundações indizíveis do meu coração. As ondas passaram sobre mim, uma após outra, até eu clamar: 'Morrerei, se estas ondas continuarem a passar sobre mim! Senhor, não suporto mais!' Contudo, não receava a morte".

"Não sei por quanto tempo este batismo continuou a passar sobre mim e por todo o meu ser. Mas sei que era já noite quando o dirigente do coral veio ao gabinete para me visitar. Encontrou-me nesse estado de choro aos gritos e perguntou: 'Sr. Finney, que tem?' Por algum tempo não pude responder-lhe. Então ele perguntou mais: - 'Está sentindo alguma dor?' Com dificuldade respondi: - Não, mas sinto-me demasiadamente feliz para viver".

"Saiu e, daí a pouco, voltou acompanhado por um dos anciões da Igreja. Esse ancião sempre foi um homem de espírito ponderado e quase nunca ria. Ele, ao entrar, encontrou-me no mesmo estado, mais ou menos, como quando o rapaz o foi chamar. Queria saber o que eu sentia e eu comecei a lhe explicar. Mas, em vez de responder-me, foi tomado de um riso espasmódico. Parecia impossível evitar o riso que procedia do fundo do seu coração".

Nessa altura, entrou certo rapaz que começou a freqüentar os cultos da igreja. Presenciou tudo por alguns momentos, até cair no chão em grande angústia de alma, clamando: "Orem por mim!"

O ancião da igreja e outro crente oraram e depois Finney também orou e logo após todos se retiraram deixando Finney sozinho.

Ao deitar-se para dormir, Finney adormeceu, mas logo se acordou, por causa do amor que lhe transbordava do coração. Isso aconteceu repetidas vezes durante a noite. Sobre isso ele escreveu depois: "Quando me acordei, de manhã, a luz do sol penetrava no quarto. Faltavam-me palavras para exprimir os meus sentimentos ao ver a luz do sol. No mesmo instante, o batismo do dia anterior voltou sobre mim. Ajoelhei-me ao lado da cama e chorei pelo gozo que sentia. Passei muito tempo sem poder fazer coisa alguma senão derramar a alma perante Deus".

Durante o dia, o povo se ocupava em falar da conversão do advogado. Ao anoitecer, sem qualquer anúncio do culto, ajuntou-se uma multidão no templo. Quando Finney relatou o que Deus fizera na sua alma, muitos foram profundamente comovidos; um, sentiu-se tão convicto que voltou a casa sem o chapéu. Certo advogado afirmou: "É claro que ele é sincero; mas que enlouqueceu, é evidente." Finney falou e orou com grande liberdade. Realizavam-se cultos todas as noites por algum tempo, aos quais assistiam pessoas de todas as classes. Esse grande avivamento espalhou-se para muitos lugares em redor.

Finney continuou:

"Por oito dias (depois da sua conversão) o meu coração permanecia tão cheio, que não sentia desejo de comer nem de dormir. Parecia-me que tinha um manjar para comer que o mundo não conhecia. Não sentia necessidade de alimentar-me nem de dormir....Por fim, cheguei a ver que devia comer como de costume e dormir quanto fosse possível".

"Grande poder acompanhava a Palavra de Deus; todos os dias admirava-me ao notar como poucas palavras, dirigidas a uma pessoa, traspassavam-lhe o coração como uma seta".

"Não demorei muito em ir visitar meu pai. Ele não era salvo; o único membro da família que fizera profissão de religião era meu irmão mais novo. Meu pai encontrou-me no portão e me perguntou: - 'Como tem passado, Carlos?' Respondi-lhe: - Bem, meu pai, tanto no corpo como na alma. Meu pai, o senhor já é idoso, todos os seus filhos estão crescidos e casados; e nunca ouvi alguém orar na sua casa. Ele baixou a cabeça e começou a chorar, dizendo: - 'É verdade, Carlos; entre, e você mesmo ore'".

"Entramos e oramos. Meus pais ficaram comovidos e, não muito depois, converteram-se. Se a minha mãe tinha qualquer esperança antes, ninguém o sabia".

Assim, esse advogado, Carlos G. Finney, perdeu todo o gosto pela sua profissão e se tornou um dos mais famosos pregadores do Evangelho. Acerca de seu método de trabalhar, ele escreveu:

"Dei grande ênfase à oração como indispensável, se realmente queríamos um avivamento. Esforçava-me por ensinar a propiciação de Jesus Cristo, sua divindade, sua missão divina, sua vida perfeita, sua morte vicária, sua ressurreição, a necessidade de arrependimento e de fé, a justificação pela fé, e outras doutrinas que se tornaram vivas pelo poder do Espírito Santo".

"Os meios empregados eram simplesmente pregação, cultos de oração, muita oração em secreto, intensivo evangelismo pessoal e cultos para a instrução dos interessados".

"Eu tinha o costume de passar muito tempo orando; acho que, às vezes, orava realmente sem cessar. Achei, também, grande proveito em observar freqüentemente dias inteiros de jejum em secreto. Em tais dias, para ficar inteiramente sozinho com Deus, eu entrava na mata, ou me fechava dentro do templo..."

Acerca do espírito de oração, Finney afirmou que "era coisa comum nesses avivamentos, os recém-convertidos se acharem tomados pelo desejo de orar noites inteiras até lhes faltarem as forças físicas. O Espírito Santo constrangia grandemente o coração dos crentes, e sentiam constantemente a responsabilidade pela salvação das almas imortais. A solenidade da mente se manifestava no cuidado com que falavam e se comportavam. Era muito comum encontrar crentes juntos caídos de joelhos em oração em vez de ocupados em palestras".

Em certo tempo, quando as nuvens de perseguição enegreciam cada vez mais, Finney, como era seu costume sob tais circunstâncias, sentia-se dirigido a dissipá-las, orando. Em vez de falar pública ou particularmente acerca das acusações, ele orava. Acerca da sua experiência escreveu: "Eu olhava para Deus com grande anelo, dia após dia, rogando que Ele me mostrasse o plano a seguir e a graça para suportar a borrasca... O Senhor mostrou-me, em uma visão, o que eu tinha de enfrentar, Ele chegou-se tão perto de mim, enquanto eu orava, que a minha carne literalmente estremecia sobre os ossos. Eu tremia da cabeça aos pés, sob o pleno conhecimento da presença de Deus".

Acrescentemos mais um exemplo, tirado de sua autobiografia, da maneira de o Espírito Santo operar na sua pregação:

"Ao chegar, na hora anunciada para iniciar o culto, achei o prédio da escola repleto e tinha de ficar em pé perto da entrada. Cantamos um hino, isto é, o povo pretendia cantar. Entretanto, eles não tinham o costume de cantar os hinos de Deus, e cada um desentoava à sua própria maneira. Não podia conter-me e lancei-me de joelhos e comecei a orar. O Senhor abriu as janelas dos céus, derramou o espírito de oração e entreguei-me de toda a alma a orar".

"Não escolhera um texto, mas logo ao levantar-me dos joelhos, eu disse: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade. Acrescentei que havia dois homens, um se chamava Abraão e o outro Ló.... Contei-lhes como Ló se mudara para Sodoma.... O lugar era excessivamente corrupto... Deus resolveu destruir a cidade e Abraão orou por Sodoma. Mas os anjos acharam somente um justo lá, era Ló. Os anjos disseram: 'Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar; porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem engrossado diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo'".

"Ao relatar estas coisas, os ouvintes se mostraram irados a ponto de me açoitarem. Nessa altura, deixei de pregar e lhes expliquei que compreendera que nunca se realizara culto ali e que eu tinha o direito de, assim considerá-los corruptos. Salientei isso com mais e mais ênfase e, com o coração cheio de amor até não poder mais conter-me".

"Depois de eu assim falar cerca de quinze minutos, parecia cair sobre os ouvintes uma tremenda solenidade e começaram a cair ao chão, clamando e pedindo misericórdia. Se eu tivesse tido uma espada em cada mão, não os poderia derrubar tão depressa como caíram. De fato, dois minutos depois de os ouvintes sentirem o choque do Espírito vir sobre eles, quase todos estavam ou caídos de joelhos ou prostrados no chão. Todos os que podiam falar de qualquer maneira, oravam por si mesmos".

"Tive de deixar de pregar, porque os ouvintes não prestavam mais atenção. Vi o ancião que me convidara para pregar, sentado no meio do salão, olhando em redor, estupefato. Gritei bem alto para ele ouvir, apesar da balbúrdia, pedindo-lhe que orasse. Caiu de joelhos e começou a orar em voz retumbante; mas o povo não prestou atenção. Gritei: 'Vós não estais ainda no Inferno; quero vos dirigir a Cristo. O coração transbordava de gozo ao presenciar tal cena. Quando pude dominar os meus sentidos, virei-me para um rapaz que estava perto de mim, consegui atrair a sua atenção e preguei Cristo, em voz bem alta, ao seu ouvido. Logo, ao olhar para a 'cruz' de Cristo, ele acalmou-se por um pouco e então rompeu em oração pelos outros. Depois fiz o mesmo com um outro; depois com mais outro e continuei assim tratando com eles até a hora do culto da noite, na aldeia. Deixei o ancião que me convidara a pregar, para continuar a obra com os que oravam".

"Ao voltar, havia tantos clamando a Deus que não podemos encerrar a reunião, que continuou o resto da noite. Ao amanhecer o dia, alguns ainda permaneciam com a alma ferida. Não se podiam levantar e, para dar lugar às aulas, foi necessário levá-los a uma residência não muito distante.. De tarde mandaram chamar-me porque ainda não findara o culto".

"Só nesta ocasião cheguei a saber a razão de o auditório agastar-se da mensagem. Aquele lugar cognominava-se 'Sodoma' e havia somente um homem piedoso lá a quem o povo tratava de 'Ló'. Era o ancião que me convidara para pregar".

Depois de já velho, Finney escreveu acerca do que o Senhor fez em "Sodoma". "Embora esse avivamento caísse tão repentinamente sobre eles era tão empolgante que as conversões eram profundas e a obra permanente e genuína. Nunca ouvi falar em qualquer repercussão desfavorável".

Alguns pregadores confiam na instrução e ignoram a obra do Espírito Santo. Outros, com razão, rejeitam tal ministério infrutífero e sem graça; oram a Deus para o Espírito Santo tomar conta e alegram-se no grande progresso da obra de Deus. Mas, ainda outros, como Finney, dedicam-se a buscar o poder do Espírito Santo, sem desprezar a arma de instrução, e vêem resultados incrivelmente mais vastos .

Durante os anos de 1851 a 1866, Finney foi diretor do colégio de Oberlin e ensinou a um total de 20 mil estudantes. Dava mais ênfase ao coração puro e ao batismo com o Espírito Santo do que à preparação do intelecto; de Oberlin saiu uma corrente contínua de alunos cheios do Espírito Santo. Assim, depois dos anos de uma campanha intensiva de evangelismo e no meio dos seus esforços no colégio, "em 1857, Finney via cerca de 50 mil, todas as semanas, converterem-se a Deus". (By My Spirit, Jônathan Goforth, p. 183) Os diários de New York, às vezes quase não publicavam outras notícias, senão do avivamento.

Suas lições aos crentes sobre avivamento foram publicadas, primeiro em um jornal e depois em um livro de 445 páginas e que se intitulava "Discurso Sobre Avivamentos". As primeiras duas edições, de 12 mil exemplares, foram vendidas logo ao saírem do prelo. Outras edições foram impressas em vários idiomas. Uma só editora em Londres publicou 80 mil. Entre suas outras obras de circulação mundial, contam-se as seguintes: sua "Autobiografia", "Discursos aos Crentes" e "Teologia Sistemática".

Os convertidos nos cultos de Finney eram pela graça constrangidos a andar de casa em casa para ganhar almas. Ele mesmo se esforçava para preparar o maior número de obreiros em Oberlin College. Mas o desejo que ardia sempre em tudo era o de transmitir a todos o espírito de oração. Pregadores como Abel Cary e Father Nash viajavam com ele e, enquanto ele pegava, eles continuavam prostrados em oração. Vejamos isso nas palavras de Finney: "Se eu não tivesse o espírito de oração, não alcançaria coisa alguma. Se por um dia, ou por uma hora eu perdesse o espírito de graça e de súplica, não poderia pregar com poder e fruto, e nem ganhar almas pessoalmente".

Para que alguém não julgue que a obra era superficial, citamos outro escritor: "Descobriu-se, por pesquisa empolgante, que mais de 85 pessoas de cada 100 que se convertiam sob a pregação de Finney, permaneciam fiéis a Deus; enquanto 75 pessoas de cada cem, das que professaram conversão nos cultos de algum dos maiores pregadores, se desviavam. Parece que Finney tinha o poder de impressionar a consciência dos homens, sobre a necessidade de um viver santo, de tal maneira que produzia fruto mais permanente". (Deeper Experiences of Famous Christiasn, p. 243).

Finney continuou a inspirar os estudantes de Oberlin College até a idade de 82 anos. Já no fim da vida, permanecia tão lúcido de mente como quando jovem e sua vida nunca foi tão rica no fruto do Espírito e na beleza da sua santidade do que nesses últimos anos. No domingo, 16 de agosto de 1875, pregou seu último sermão. Mas de noite não assistiu ao culto. Ao ouvir os crentes cantarem "Jesus lover of my soul, let me to Thy bosom fly", saiu até o portão na frente da casa, e com estes que tanto amava, foi a última vez que cantou na terra. Acordou-se à meia-noite, sofrendo dores lancinantes no coração. Sofrera assim muitas vezes durante sua vida. Semeara as sementes de avivamento e as regara com lágrimas. Todas as vezes que recebeu o fogo da mão de Deus, foi com sofrimento. Finalmente, antes de amanhecer o dia, dormiu na terra para acordar na Glória, nos céus. Faltavam-lhe apenas treze dias para completar 83 anos de vida aqui na terra. Mas aprouve a Deus levá-lo antes.

Adoniram Judson

Adoniram Judson

(1788 - 1850)

Autoria Desconhecida 

 

O missionário, magro e enfraquecido pelos sofrimentos e privações, foi conduzido entre os mais endurecidos criminosos, com gado, a chicotadas e sobre a areia ardente, para a prisão. Sua esposa conseguiu entregar-lhe um travesseiro para que pudesse dormir melhor no duro solo da prisão. Porém ele descansava ainda melhor porque sabia que dentro do travesseiro que tinha abaixo da cabeça, estava escondida a preciosa porção da Bíblia, que traduzira com grandes esforços para língua do povo que o perseguia.

Aconteceu que o carcereiro requisitou o travesseiro para o seu próprio uso! Que podia fazer o pobre missionário para readquirir seu tesouro? A esposa então preparou, com grandes sacrifícios, um travesseiro melhor e conseguiu trocá-lo com o do carcereiro. Dessa forma a tradução da Bíblia foi conservada na prisão por quase dois anos; a Bíblia inteira, depois de completada por ele, foi dada, pela primeira vez, aos milhões de habitantes da Birmânia.

Em toda a história, desde o tempo dos apóstolos, são poucos os nomes que nos inspiram tanto a esforçarmo-nos pela obra missionário como os nomes desse casal, Ana e Adoniram Judson. Em certa igreja em Malden, subúrbio de Boston, encontra-se uma placa de mármore com a seguinte inscrição:

Memória

Rev. Adoniram Judson

Nasceu: 9 - agosto - 1788

Morreu: 12 - abril - 1850

Lugar de se nascimento: Malden

Lugar de seu sepultamento: O mar

Seu monumento: Os Salvos da Birmânia e a Bíblia Birmaneza

Seu histórico: nas Alturas

Adoniram fora uma criança precoce; sua mãe ensinou-o a ler um capítulo inteiro da Bíblia, antes de ele completar quatro anos de idade.

Seu pai inculcou-lhe o desejo ardente de, em tudo quanto fazia, aproximar-se sempre da perfeição, sobrepondo-se a qualquer de seus companheiros. Esta foi a norma de toda a sua vida.

O tempo que passou nos estudos foram os anos em que o ateísmo, que teve sua origem na França, se infiltrou no país. O gozo de seus pais, ao saberem que o filho ganhara o primeiro lugar na sua classe, transformou-se em tristeza, quando ele os informou de que não mais acreditava na existência de Deus. O recém-diplomado sabia enfrentar os argumentos de seu pai, que era pastor instruído, e jamais sofrera de tais dúvidas. Contudo, as lágrimas e admoestações de sua mãe, depois de o moço sair da casa paterna, estavam sempre perante ele.

Não muito depois de "ganhar o mundo", na casa dum tio, encontrou-se com um jovem pregador. Este conversou com ele tão seriamente acerca da sua alma, que Judson ficou muito impressionado. Passou o dia seguinte sozinho, em viagem a cavalo. Ao anoitecer, chegou a um vila onde passou a noite numa pensão. No quarto contíguo ao que ele ocupou, estava um moço moribundo, e Judson não conseguiu reconciliar o sono durante a noite. - O moribundo seria crente? Estaria preparado para morrer ? Talvez fosse "livre pensador", filho de pais piedosos que oravam por ele! O que também o perturbava era a lembrança dos seus companheiros, os alunos agnósticos do colégio de Providence. Como se envergonharia, se os antigos colegas, especialmente o sagaz compadre Ernesto, soubesse o que agora sentia em seu coração !

Ao amanhecer o dia, disseram-lhe que o moço morrera. Em resposta à sua pergunta, foi informado de que o falecido era um dos melhores alunos do colégio de Providence, cujo nome era Ernesto !

Judson, ao saber da morte de seu companheiro ateu, ficou estupefato. Sem saber como, estava em viagem de volta a casa. Desde então desapareceram todas as suas dúvidas acerca de Deus e da Bíblia. Soavam-lhe constantemente aos ouvidos as palavras: "Morto! Perdido! Perdido!"

Não muito depois deste acontecimento, dedicou-se solenemente a Deus e começou a pregar. Que a sua consagração era profunda e completa ficou provado pela maneira como se aplicou à obra de Deus.

É assim que Judson nos conta a sua chamada para o serviço missionário: "Foi quando andava num lugar solitário, na floresta, meditando e orando sobre o assunto e quase resolvido a abandonar a idéias, que me foi dada a ordem: 'Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura'. Este assunto foi-me apresentado tão claramente e com tanta força, que resolvi obedecer, apesar dos obstáculos que se apresentaram diante de mim ".

Judson, com quatro dos seus colegas, reuniram-se junto a um montão de feno, para orarem e ali solenemente dedicarem, perante Deus, suas vidas para levar o Evangelho "aos confins da terra". Não havia qualquer junta de missões para os enviar. Contudo, Deus honrou a dedicação dos moços, tocando nos corações dos crentes, para suprirem o dinheiro.

Judson foi chamado, então, a ocupar um lugar no corpo docente na universidade de Brown, mas recusou o convite. Depois foi chamado a pastorear uma das maiores igrejas da América do Norte. Este convite também foi rejeitado. Foi grande o desapontamento do seu pai e o choro de sua mãe e irmã ao saberem que Judson se oferecera para a obra de Deus no estrangeiro, onde nunca fora proclamado o Evangelho.

A esposa de Judson mostrou ainda mais heroísmo porque era a primeira mulher que sairia dos Estados Unidos, como missionária. Com a idade de dezesseis anos, teve a sua primeira experiência religiosa. Vivia tão entregue à vaidade que seus conhecidos receavam o castigo repentino de Deus sobre ela. Então, em certo domingo, enquanto se preparava para o culto, ficou profundamente comovida pelas palavras: "Aquela que vive nos prazeres, apesar de viver, está morta". Acerca da sua vida transformada, escreveu-lhe ela mais tarde: "Eu desfrutava dia após dia, a doce comunhão com o bendito Deus; no coração sentia o amor que me ligava aos crentes de todas as denominações; achei as sagradas Escrituras doces ao paladar, senti tão grande sede de conhecer as coisas religiosas que, freqüentemente, passava quase noites inteiras lendo a palavra de Deus". Todo o ardor que mostrara na vida mundana agora o sentia na obra de Cristo. Por alguns anos, antes de aceitar a chamada missionária, era professora e se esforçava em ganhar os alunos para Cristo.

Adoniram, depois de despedir-se de seus pais para iniciar sua viagem à Índia, foi acompanhado até Boston por seu irmão, Elnatã, moço ainda não-salvo. No caminho, os dois apearam dos seus cavalos, entraram na floresta e lá, de joelhos, Adoniram rogou a Deus que salvasse seu irmão. Quatro dias depois, os dois se separaram para não se verem mais nesse mundo. Alguns anos depois, porém, Adoniram teve notícias de que seu irmão recebera também a herança do reino de Deus.

Judson e sua esposa embarcaram para a Índia em 1812, passando quatro meses a bordo do navio. Aproveitando essa oportunidade para estudar, os dois chegaram a compreender que o batismo bíblico é por imersão e não por aspersão, como a sua denominação praticava. Não considerando a oposição de seus muitos conhecidos, nem o seu sustento, não vacilaram em informar isso àqueles que os tinham enviado. Foram batizados por imersão no porto de desembarque, Calcutá.

Expulsos logo dessa cidade, por causa da situação política, fugiram de país em país. Por fim, dezessete longos meses depois de partirem da América, chegaram a Rangum, na Birmânia. Judson estava quase exausto por causa dos horrores que sofrera a bordo da embarcação; sua esposa estava tão perto da morte que não mais podia caminhar, sendo levada para terra em uma padiola.

O império da Birmânia de então era o mais bárbaro, e de línguas e costumes mais estranhos do que qualquer outro país que os Judson tinham visto. Ao desembarcarem os dois, em respostas às orações feitas durante as longas vigílias da noite, foram sustentados por uma fé invencível e pelo amor divino que os levava a sacrificar tudo, para que a gloriosa luz do Evangelho raiasse também nas almas dos habitantes desse país.

Agora, um século depois, podemos ver como o Mestre dirigia seus servos, fechando as portas, durante a prolongada viagem, para que não fossem aos lugares que esperavam e desejavam ir. Hoje pode-se ver claramente que Rangum, o porto principal da Birmânia, era justamente o ponto mais estratégico para iniciar a ofensiva da Igreja de Cristo contra o paganismo no continente asiático.

No difícil estudo do idioma birmanês foi necessário fazer o seu próprio dicionário e gramática. Passaram-se cinco anos e meio antes de fazerem o primeiro culto para o povo. No mesmo ano batizaram o primeiro convertido apesar de cientes da ordem do rei de que ninguém podia mudar de crença sem ser condenado à morte.

Ao sair da sua terra para ser missionário, Judson levava uma soma considerável de dinheiro. Essa quantia ele a ganhara de seu emprego e parte recebeu-a de ofertas de parentes e amigos. Não só colocou tudo isto aos pés dos que dirigiam a obra missionária mas, também, a elevada quantia de cinco mil e duzentos rúpias que o Governador Geral da Índia lhe pagara por seus serviços prestados por ocasião do armistício de Yandabo.

Recusou o emprego de intérprete do governo, com salário elevado, escolhendo antes sofrer as maiores privações e o opróbrio, para ganhar as almas dos pobres birmaneses para Cristo.

Durante onze meses, esteve preso em Ava. (Ava era naquele tempo a capital da Birmânia). Passou alguns dias, com mais sessenta outros sentenciados à morte, encerrado em um edifício sem janelas, escuro e quente, abafado e imundo em extremo. Passava o dia com os pés e mãos no tronco. Para passar a noite, o carcereiro enfiava-lhe um bambu entre os pés acorrentados, juntando-o com outros prisioneiros e, por meio de cordas, arribava-os para apenas os ombros descansarem no chão. Além desse sofrimento, tinha de ouvir constantemente gemidos misturados com o falar torpe dos mais endurecidos criminosos da Birmânia. Vendo os outros prisioneiros arrastados para fora para morrer às mãos do carrasco, Judson podia dizer: "Cada dia morro". As cinco cadeias de ferro pesavam tanto, que levou as marcas das algemas no corpo até a morte. Certamente ele não teria resistido, se sua fiel esposa não tivesse conseguido permissão do carcereiro para, no escuro da noite, levar-lhe comida e consolá-lo com palavras de esperança.

Um dia porém, ela não apareceu; essa ausência durou vinte longos dias. Ao reaparecer, trazia nos braços uma criancinha recém-nascida.

Judson, uma vez liberto da prisão, apressou-se o mais possível a chegar a casa, mas tinha as pernas estropiadas pelo longo tempo que passara do cárcere. Fazia muitos dias que não recebia notícias de sua querida Ana! - Ela ainda vivia? Por fim, encontrou-a, ainda viva, mas com febre e próxima da morte.

Dessa vez ela ainda se levantou, mas antes de completar 14 anos na Birmânia, faleceu. Comove a alma ao ler a dedicação de Ana Judson ao marido, e a parte que desempenhou na obra de Deus, e em casa até o dia da sua morte.

Alguns meses depois da morte da esposa de Judson, a sua filha também morreu. Durante os seis longos anos que se seguiram, ele trabalhou sozinho, casando-se, depois, com a viúva de outro missionário. A nova esposa, gozando os frutos dos esforços incessantes na Birmânia, mostrou-se tão dedicada ao marido como a primeira.

Judson perseverou durante vinte anos para completar a maior obra que se podia fazer à Birmânia, a tradução da Bíblia inteira na própria língua do povo.

Depois de trabalhar constantemente no campo estrangeiro, durante trinta e dois anos, para salvar a vida da esposa, embarcou com ela e três dos filhos, de volta à América, sua terra natal. Porém, em vez de ela melhorar da doença que sofria, como se esperava, morreu durante a viagem, sendo enterrada em Santa Helena, onde o navio aportou.

- Quem poderá descrever o que Judson sentiu ao desembarcar nos Estados Unidos, quarenta e cinco dias depois da morte da sua querida esposa?! Ele, que estivera ausente durante tantos anos da sua terra, sentia-se agora perturbado acerca da hospedagem das cidades de seu país. Surpreendeu-se, depois de desembarcar, ao verificar que todas as casas abriam para recebê-lo. Seu nome tornara-se conhecido de todos. Grandes multidões afluíam para ouvi-lo pregar. Porém, depois de passar trinta e dois anos ausente na Birmânia, naturalmente, sentia-se como se estivesse entre estrangeiros, e não queria levantar-se diante do público para falar na língua materna. Também sofria dos pulmões e era necessário que outrem repetisse para o povo o que ele apenas podia dizer balbuciando.

Conta-se que, certo dia, num trem, entrou um vendedor de jornais. Judson aceitou um e, distraído, começou a lê-lo; o passageiro ao lado chamou-o a atenção, dizendo que o rapaz ainda esperava o níquel pelo jornal. Olhando para o vendedor, pediu desculpas, pois pensara que oferecessem o jornal de graça, visto que ele estava acostumado a distribuir muita literatura na Birmânia sem cobrar um centavo, durante muitos anos.

Passara apenas oito meses entre seus patrícios, quando se casou de novo e embarcou pela segunda vez para a Birmânia. Continuou a sua obra naquele país, sem cansar, até alcançar a idade de sessenta e um anos. Judson foi então, chamado a estar com seu Mestre enquanto viajava longe da família. Conforme o seu desejo, foi sepultado em alto mar.

Adoniram Judson costumava passar muito tempo orando de madrugada e de noite. Diz-se que gozava da mais íntima comunhão com Deus enquanto caminhava apressadamente. Os filhos, ao ouvirem seus passos firmes e resolutos dentro do quarto, sabiam que seu pai estava levando suas orações ao trono da graça. Seu conselho era: "Planeja os teus negócios se for possível, para passares duas a três horas, todos os dias, não só em adoração a Deus, mas orando em secreto".

Sua esposa conta que, durante a sua última doença, antes de falecer, ela leu para ele a notícia de certo jornal, acerca da conversão de alguns judeus na Palestina, justamente onde Judson queria trabalhar antes de ir à Birmânia. Esses Judeus, depois de lerem a história dos sofrimentos de Judson na prisão de Ava, foram inspirados a pedir, também, um missionário e assim iniciou-se uma grande obra entre eles.

Ao ouvir isto, os olhos de Judson se encheram de lágrimas, tendo o semblante solene e a glória dos céus estampada no rosto, tomou a mão de sua querida esposa dizendo: "Querida, isto me espanta. Não compreendo. Refiro-me à notícia que leste. Nunca orei sinceramente por uma coisa sem a receber; recebia, apesar de demorada, de alguma maneira, e talvez duma forma que não esperava, mas recebia. Contudo, sobre este assunto eu tinha tão pouca fé! Que Deus me perdoe e, enquanto na sua graça quiser me usar como seu instrumento, limpe toda a incredulidade de meu coração".

Nessa história, nota-se outro fato glorioso: Deus não só concede frutos pelos esforços dos seus servos, mas, também, pelos seus sofrimentos. Por muitos anos, até pouco antes da sua morte, Judson considerava os longos meses de horrores da prisão em Ava, como inteiramente perdidos à obra missionária.

No começo do trabalho na Birmânia, Judson concebeu a idéia de evangelizar, por fim, todo o país. A sua maior esperança era ver durante a sua vida, uma igreja de cem birmaneses salvos e a Bíblia impressa na língua desse país. No final da sua vida, porém, havia sessenta e três igrejas e mais de sete mil batizados, sendo os trabalhos dirigidos por cento e sessenta e três missionários, pastores e auxiliares. As horas que passou diariamente suplicando ao Deus que dá mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, não foram perdidas.

Durante os últimos dias da sua vida fazia menção, muitas vezes, do amor de Cristo. Com os olhos iluminados e as lágrimas correndo-lhe pelas faces, exclamava: "Oh! o amor de Cristo! O maravilhoso amor de Cristo, a bendita a obra do amor de Cristo!" Certa ocasião ele disse: "Tive tais visões do amor condescendente de Cristo e da glória do Céu, que, creio, quase nunca são concedidas aos homens. Oh! o amor de Cristo! É o mistério da inspiração da vida e a fonte da felicidade nos céus. Oh! o amor de Jesus! Não o podemos compreender agora, mas quão grande será em toda a eternidade"!

Acrescentamos o último parágrafo da biografia de Adoniram Judson escrita por um dos seus filhos. Quem pode lê-lo sem sentir o Espírito Santo o animar a tomar parte ativa e definida em levar o Evangelho a um dos muitos lugares sem Cristo?

"Até aquele dia, quando todo o joelho se dobrará perante o Senhor Jesus, os corações crentes serão movidos aos maiores esforços, pela lembrança de Ana Judson, enterrada debaixo do hopiá (uma árvore) na Birmânia; de Sara Judson, cujo corpo descansa na ilha pedregosa de Santa Helena e de Adoniram Judson, sepultado nas águas do oceano Índico".